14 de setembro

desculpe o transtorno, preciso falar sobre aquilo

por luíza diener

precisamos falar com todas as letras sobre um problema que acomete até 70% das mulheres que amamentam: o ressecamento vaginal.
sim, querida mulher que lê meu post neste momento, a vagina pode ficar seca depois que
seu bebê nasce.
isso acontece geralmente no primeiro ano de vida do neném – fase onde a amamentação é mais intensa – por causa da queda de estrógeno, hormônio responsável pela lubrificação vaginal.

assim, já é difícil ter que lidar com a chegada de uma nova vida à casa. nos primeiros dias (semanas, meses) nossa atenção de mãe fica completamente direcionada a cuidar daquele serzinho tão indefeso e dependente.
não dormimos direito, não comemos direito, que dirá fazer sexo. porque, por mais que exista um desejo por ali, na maior parte das vezes as prioridades são outras… ou será que só aconteceu isso comigo? hehehehe!
pra mim sempre o mais difícil de lidar com a chegada de uma criança foi retomar a vida sexual. no primeiro filho, eu contei os dias pro resguardo acabar. na segunda, ele se prolongou um pouco mais. na terceira… vige! é tanta coisa pra fazer durante o dia, tanto sono pra tirar o atraso durante a noite que nossa relação a dois pode acabar ficando de escanteio se não for priorizada.

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lembro-me bem do meu primeiro ano pós-parto do benjamin: na consulta de retorno do parto (que demorei tipo uns dois ou três meses para ir) eu já cheguei falando “doutora, estou me sentindo muito ressecada, viu? adianta passar lubrificante?”.

na minha inocência eu não fazia ideia de por que aquilo acontecia. achava que iria ficar ressecada pra sempre. ela me explicou muito superficialmente que aquilo era “comum” e me prescreveu um lubrificante qualquer à base de água.
e de fato, tive que usar muito lubrificante nos meses que se seguiram. quer dizer, muito é um exagero, porque a quantidade de vezes que fizemos sexo depois que tivemos filhos caiu consideravelmente.
mas a verdade é que dava muita preguiça ter que ter um lubrificante à mão ali, na hora do vamos ver. bora combinar que aquela noite romântica e sexo cheio de preliminares passa a ser uma raridade se você quiser ter sexo com uma frequência um pouco maior. esses momentos passam a ser algo mais especial. leia-se: quando você descola uma alma bondosa pra ficar com seus filhos enquanto o casal tem um momento a sós. ultra espontâneo, né?!

no período “pós-constança”, tive menos ressecamento que no do benjamin, mas ainda assim tive. isso só prova pra mim que – sim! – ele acontece. ele é real. mas nenhum outro médico comentou sobre o assunto. nenhuma amiga falou isso comigo.
eu, naturalmente, achava que o problema era todo meu. será que perdi o interesse pelo meu marido? será que nunca mais vou fazer sexo direito?

quando descobri que esse problema é comum em até 70% das mulheres, fiquei encucada pensando “mas, espera, se tanta mulher passa por isso, por que eu nunca ouvi falar sobre ressecamento vaginal antes?”.
elementar, minhas caras, o nome disso é vergonha.

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afinal, não é o tipo de conversa que surge assim, do nada, quando você acaba de conhecer uma pessoa na fila do supermercado:

– e aí? o bebê já dormiu a noite toda?
– ai, dormiu. ele dorme super bem!
– e os dentinhos, estão nascendo?
– vixe! estão! quatro de uma vez! ele tá numa agonia sem fim!
– é, o meu também passou por essa agonia…. e ressecamento vaginal? você teve?
– menina, tive! to tendo, aliás! tô mais seca que o deserto do saara!
– nossa! eu também!

e, por causa disso, pouco se toma conhecimento sobre o assunto (não mais, porque agora estou falando disso pra vocês. ahahahah!).
o ideal mesmo seria conversar com sua médica ou médico ginecologista e ir direto ao assunto. mas a gente sabe que bate aquela vergonhazinha e o diálogo fica meio truncado:

eu só fui ouvir falar de Vagidrat anos depois de ter filhos (o que prova que mãe de terceira viagem nem sempre – ou quase nunca – sabe de tudo).
ele não é como os lubrificantes comuns, que você precisa se besuntar toda ali na hora (e fazer a maior lambreca em tudo). Vagidrat é um hidratante vaginal, um gel que você coloca lá dentro e tem efeito por até três dias. justamente porque ele alivia esse ressecamento.
isso confere muito mais conforto e – especialmente – espontaneidade, já que não fica com aquela cara de sexo com hora marcada pra acontecer.

não, Vagidrat não é a solução para todos os problemas sexuais do casal, mas promete ajudar na parte do ressecamento.

o resto se resolve com muito diálogo, compreensão, respeito.
respeito da parte do parceiro de entender o momento em que a mulher está passando. autorrespeito da parte da mulher de saber que ela não tem que retomar a vida sexual só porque a sociedade cobra isso dela (ou seria uma autocobrança?).
compreender que as noites mal dormidas, o peso da responsabilidade que é criar um filho, o estresse cotidiano que essa nova vida traz pode afetar o relacionamento do casal. mas que isso é uma fase que há de passar – e que vocês podem passar juntos por ela 😉

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selo matrioska

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categorias: Tags:, , , publicidade, sexualidade, um pouco de humor

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3 Comments »

  1. Post maravilhoso, partiu comprar vagidrat

    Comentário by Vanelli Rodrigues — 14 de setembro de 2016 @ 12:45 pm

  2. Tb tive mto! Super me identifiquei

    Comentário by Carolina Ribeiro — 16 de setembro de 2016 @ 3:46 pm

  3. Otimo post! Tb me identifiquei!!!!! Obg!!!!

    Comentário by Graziela Suzuki — 21 de setembro de 2016 @ 1:34 pm

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