12 de março

é para os pais, não para os filhos

por luíza diener

um post sobre consumo, consumismo, exageros e direitos a certas extravagâncias.

quando o benjamin era bem pequeno, veio uma mulher me dizer que ele não precisava de chupeta, que chupeta era para os pais, não para os filhos.
eu fiquei quieta, porque em parte concordei (especialmente porque eu estava me sentindo muito contrariada por fazer isso).

mas depois eu ouvi outras hippies pessoas dessas se valendo desse argumento pra tudo.

ok, se você for parar para pensar, a maioria das coisas é para os pais, não para os filhos:
roupinhas bonitas são para os pais, tios, avós, não pro bebê.
berço também.
carrinho também.
cadeirão também.
brinquedos também.
banheira também.
fralda também (bota logo pra fazer diretão na privada toda vez, oito a vinte vezes por dia).
sling também (carrega no colo).
algodão, cotonete, sabonete, shampoo (lava tudo só com água que tá bom).
tesoura de unha também (corta com o dente).
quarto também.
água quente? pra que tanto conforto? deixa de luxo!
banheiro? evacua no mato e toma banho de cachoeira.
papel higiênico? nem pensar! usa uns paninhos laváveis! mas não pode lavar na máquina, tem que ser na cachoeira.
máquina de lavar? lava no rio, na beira da cachoeira.
fogão moderno?! pra quê? faz uma fogueira!
geladeira? não seria melhor ter uma horta em casa e colher tudo fresquinho? preparar só o que precisa ali na hora?
carro? já pensou no tanto que um carro polui? e o lixo que ele produz?
bicicleta também produz lixo! o que fazer com ela quando não prestar mais?
cavalo muito menos, porque constitui maus tratos aos animais.
tem que andar à pé, descalço, porque não pode usar sapato de couro nem sola de borracha. viajar, então, nem pensar.
aliás, roupa pra quê? pra atender à sociedade moderna?
roupa é para os pais, não para os filhos!
criança não sente vergonha, não precisa arrumar emprego e se ficar com frio, você pode abraçá-la, nua, pele com pele, mamando 24h por dia, como nos primórdios, quando éramos somente símios, andávamos de 4, morávamos nas cavernas, não depilávamos os sobarco nem as virilha tudo.
e por que depilar, se os pelos são um presente da mãe natureza?
por que cortar os cabelos da cabeça? eles são um véu que nos enfeita.
você não precisa cortar o cabelo dos seus filhos nunca na vida. não faz sentido.

ok. exagerei.

mas a verdade é muito difícil entrar num equilíbrio. eu mesma me contradigo o tempo inteiro. inclusive algumas coisas que escrevi acima são uma autocrítica à minha maneira quase simplória de viver.
eu não vivo sem máquina de lavar e sonho em um dia ter uma lavadora de louças.
eu piro com algumas coisas de criança simplesmente porque são lindas.
eu sei que não precisaria delas, mas às vezes gosto de fazer um agrado pro meu filho e – sim! – pra mim, como mãe.
porque, mesmo não sendo uma consumista desenfreada, às vezes eu tenho o direito de surtar e querer alguma coisa diferente.
temos o direito de ver o fruto do nosso trabalho se transformar em algo que agrade a nós ou a quem gostamos: um brinquedinho fofo, um sapato novo, uma roupa que a gente sabe que vai ficar perfeita nesses bebezinhos lindos.

o problema é você realmente acreditar e se deixar convencer que precisa daquilo e não pode viver sem.
você pode, acredite!
mas algumas coisas embelezam, facilitam a vida, distraem e divertem as crianças.

claro que há muita coisa inútil no mercado. um dia desses mesmo vi um capacete pro bebê não machucar a cabeça. o preço? mais de duzentos conto! peralá, né? que eu não acho dinheiro no lixo, muito menos jogo ele lá.

acho que as coisas devem ser feitas com parcimônia. não vale a pena, por exemplo, comprometer o orçamento da família, vender até a roupa do corpo para adquirir um produto que dá muito bem pra viver sem.
o melhor é esperar ter condições financeiras e ver se vale a pena fazer tal esforço.

e boas compras. ou não.

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categorias: para mães, tranqueiras de bebê

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7 Comments »

  1. quando o Miguel ficar um pouquinho maior eu vou comprar um videogame pra ele e tenho certeza que dirão que comprei pra mim, e estarão certos, e eu não estarei nem aí hahahahahahaahaa

    a gente está aprendendo a ser pai/mãe, acho que a gente tem que fazer o melhor possível do nosso jeito, desde que não ferre com o bebê, claro.

    deixem os hippongas falarem, e vamos fingir que ouvimos 🙂

    Comentário by Noris — março 12, 2012 @ 10:12 am

  2. Adorei….
    Sabe aquela propaganda da Heineken??? http://www.youtube.com/watch?v=dEYl50msmus...
    Fico assim em loja de brinquedo!! Mas não adianta de nada, o que o meu filho mais velho gosta é de Hot Wheels e só dos carrinhos, não venha com as pistas, e o mais novo é maluco por um perfex!!!!
    Beijo…

    Comentário by Lavinia Monteiro — março 12, 2012 @ 11:53 am

  3. Se eu pudesse eu comprava lojas e mais lojas de roupas e brinquedos para a Lara. E, que saber se é ou não pro filho???

    Larga a Lara numa loja de brinquedos e vê se ela não quer brincar com tudo! hahahahahahahaha

    Comentário by Maria Thereza — março 12, 2012 @ 12:27 pm

  4. Pena que eu não posso, mas se pudesse compraria muitos brinquedos p/ minha princesa (na HD-KIDS tem tantos que me deixa louca) kkkkkkkkkkkkkkk.
    Compraria muitas roupas p/ minha pequena, são tantas coisas que eu gostaria de comprar mas não posso!!!!
    Comprar é tudo de bom, na hora de pagar que complica, a coisa aperta, não dá mesmo pra sair por aí passando cartão, ah se eu pudesse!!!!!

    Comentário by Áries — março 13, 2012 @ 1:40 am

  5. EQUILIBRIO é tudo nesse mundo, fala ae?!
    masssss, claro que algumas coisas são para os pais e agridem de alguma maneira o filho, uma roupa bonita é para os pais, se ele for confortavel, ok!, agora, apertar, prender, sufocar só para ficar bonito é fod!@, chupeta? estraga dentes, carne esponjosa no nariz, amidalites e até possiveis problemas respiratório…andador, alivia a coluna dos pais, mas todos as consequencias para o desenvolvimento motor do pitoco? Tv? dá um descanso para a pobre mãe, e o desenvolvimento lúdico da criança? e assim por diante…então devemos tentar equilibrar e medir as coisas, vejo pais colocando seus gostos e desejos acima do bem estar dos pitocos, ai não dá.
    A partir do momento que resolvemos ser pais, temos ter a consciência da responsa que teremos, é se informar, de vez enquando abrr mão de uma coisinha aqui outra ali, para que os pequenos possam crescer felizes, saudáveis, e não somente sobreviverem.

    Comentário by Auguta — março 14, 2012 @ 2:54 pm

  6. […] gosto de viver no limite do essencial e que dispenso um monte de futilidades que me aparecem. mas também não sou de ferro e, afinal, sou mulher. há várias tranqueirinhas de bebê que eu sempre fiquei de olho antes mesmo […]

    Pingback by potencial gestante – futilidades essenciais — março 15, 2012 @ 9:00 am

  7. Estou grávida ainda e terei meu Benjamin dentro de uns 40 dias! Confesso que num determinado momento eu pirei, queira tudo e o pior: queria tudo de uma vez! Agora, mais calma e mais cansada percebo q me precipitei em comprar algumas coisas, mas n me arrependo pq desde q adquiri tinha o conhecimento que eram pra mim e não pra ele… E por sinal, assumir isso pra mim mesma e meu esposo foi o único motivo pelo qual ele me "perdoou"! Nada de ficar na ilusão que é pro conforto de Benjamin… Desde o começo eu percebi e entendi, junto com o maridão, que muitas das coisas adquiridas foram mimos para nós mesmos… Ah, aproveitando: ADORO o blog e acompanho sempre que possível! Beijinhos para vc, seu Ben e sua Sansa! :*

    Comentário by Nyara Alves — março 27, 2014 @ 11:22 am

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