quando você crescer

quem, quando pequeno, nunca ouviu a famosa pergunta “o que você quer ser quando crescer”?

eu já tinha a resposta na ponta da língua.

pra mim sempre foi uma resposta muito óbvia que me acompanhou por anos, até chegar a época do vestibular.
na hora de selecionar a opção de curso eu marquei sem pensar duas vezes: veterinária.

bicho sempre foi minha praia. sempre amei, adorei, venerei.
sonhava em ter cachorro, mas meus pais conseguiram me driblar com peixes, hamsters, coelho, periquitos, chinchila, pintinhos de feira. peguei cachorros e gatos na rua inúmeras vezes, mas eles nunca ficaram.
por volta dos oito anos ganhei uma poodle que não durou nem dez meses.
aos quinze finalmente tive um cachorro que foi meu caso sério de amor. ficou comigo até meus vinte e quatro anos, quando ele nos deixou, literalmente.

mas voltando à veterinária, sempre tive plena e absoluta convicção da minha escolha.

tentei o vestibular uma, duas vezes. não passei.
escolhi um curso mais fácil de passar: engenharia florestal.
ok, combinava comigo, visto que envolvia prantas, minha opção secundária por ordem de gostância.

não deu certo.
pensei em fazer biologia, zoologia, biologia marinha.
não?
então vamos pensar nas ciências humanas e afins.
que tal comunicação social? posso ir pra área da publicidade, ou até mesmo jornalismo.
por que não pedagogia? eu podia vira tia daquelas quiança remelenta tudo.
ah, posso fazer administração e abrir uma empresa.
se bem que eu gosto da área de exatas. acho que vou voltar pra engenharia.

esquece faculdade. vou tentar os caminhos alternativos.

virei adestradora. treinei cachorros de todos os tipos, temperamentos e tamanhos.

pastor alemão, mastim napolitano, labrador, golden, dálmata, dobermann, pit bull, stafordshire, weimaraner, rotweiller, buldogue, yorkshire.
praticamente uma cesar millan fêmea brasileira.
tomei a minha primeira mordida. de quem? do york, claro.
e eu adorava, pirava, chegava em casa exausta e feliz. dormia e acordava pensando em cachorro.

ok, vou montar minha própria empresa de adestramento. não deu certo.

mas vou me embrenhar pro mundo dos negócios.

que tal confeccionar roupinhas pra cachorro?
não durou nem dois meses.

e um esquema de distribuição de frutas, legumes e verduras em domicílio?
nem seis meses.

ah, então eu vou virar barista. adoro fazer café, tenho um olfato apuradíssimo e habilidade com a coisa. mas eu não gosto de café.
nem um ano.

então vou voltar pra engenharia florestal!
“olha, você pode voltar, mas só se não trancar mais nenhum semestre e se suas notas forem ótimas” – disse o coordenador de curso.
“combinado”
no dia seguinte me descobri grávida.

pois é, grávida. daquelas com concentração zero. imagina eu. não conseguia nem decorar um número de telefone. fazia uma coisa de manhã e à tarde já tinha esquecido.
cheguei ao ponto de começar a almoçar, me perdi no labirinto dos pensamentos poluídos por excesso de amor, e esqueci que estava comendo, esqueci que estava no restaurante e de repente me perguntei: por que e o que é que eu estou mastigando?

agora magina eu, a grávida louca, fazendo cinco a seis matérias por dia, numa faculdade que costumava me ocupar o dia inteiro, tendo que tirar notas ótimas sem poder repetir uma matéria sequer e não poder trancar o semestre. se eu não conseguia isso antes de engravidar, té parece que ia dar conta grávida.

vou não, posso não, quero não, meu bebê não deixa não.

então tá decidido. esquece faculdade de novo.
vou ser mãe em tempo integral. vou ser mulher, mãe, dona de casa e esposa feliz.
aham tá bom, cráudia. senta bem ali.

e eu sentei no trono da gonorância jurando que ia dar conta.

no quinto mês de gravidez a louca pediu demissão.
“agora vou cuidar da minha casa! em uma semana ela vai estar tinindo”.

passou um, dois meses, doze, quinze meses e hoje a casa está o caos completo.

agora to aqui, pedindo arrego, procurando uma empregada e preparando o tema pra parte 2 do post, que com certeza levará outro título.

(se isso fosse uma redação de vestibular eu negativaria a nota, com certeza)

mas já adianto que, se te consola, tô bem feliz.

besas

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27 comments

  1. kkkkkk
    sou veterinária e "me aposentei"faz 4 anos. não conseguia cobrar das pessoas que não tinham grana e acabava trabalhando de graça a maior parte do tempo. achava, e acho, complicado cobrar pela saúde.
    hj sou tradutora e adoooooro.
    engraçado como a vida da voltas e a gente se vê como nunca imaginou.
    agora, no momento, agorinha mesmo, estou num momento "licança maternidade", pq meu baby tem 46 dias de gostosura e não dá pra assobiar e chupar cana" e estou amando!!!!!!
    http://maeporacaso.spaceblog.com.br/

  2. Se vc decidir pela Pedagogia, já tem meu apoio!!! rsrsrs Pensa q vc pode trabalhar meio período, deixar o Benjamim na mesma escola q vc, tirar 3 férias ao ano (janeiro, julho e dezembro) e mesmo que vc esteja feia e acabada (hehehe) seus alunos sempre irão falar que vc é linda e que te amam. Eu não troco minha profissão por nada nesse mundo!!! rsrsrs Beijinhossssssss!!!!!!

  3. Querida Luiza,
    Tive um rumo parecido ao seu, meio estabanada nesse negócio de profissão. Comecei com engenharia de alimentos, depois fui pra jornalismo, depois fui pra química, voltei pra engenharia de alimentos e por fim tranquei, faltando pouco mais de 1 ano pra terminar, pq estava grávida. Sinceramente, estou feliz por estar assim, inteiramente disponível para o meu bebê. Certamente, se estivesse me formado estaria como uma louca tentando conciliar empresa e família. Hoje, sei que o que mais quero é estabilidade e dinheiro (claro). Vou terminar a faculdade à distância, aqui em Fortaleza tem bastante opções na federal mesmo. (Volto pra química) pq implica em menos tempo o término. E me dedicarei a estudar para concursos. De preferência na área fiscal. Tenho um primo que terminou midialogia e agora é auditor da receita. Imagina q ele ganha mais de 13 mil. Bom, penso q assim posso acompanhar a infância do meu baby e sonhar com um salário desses. Em uns 10 anos estudando, penso que sou capaz 🙂 Boa-sorte e saiba que é lindo o seu papel de mãe! Inspirador mesmo… Essa história dos 10 anos (mais ou menos) me inspirei em vc. Achei extremamente valiosa essa ideia. bjs!

  4. Pois então temos mais isso em comum, Lu!
    Comecei com Psicologia, pois era a minha vocação. Desisti de ter Freud em mi vida e fui tentar Design Gráfico, já que sou toda das artes e etc e tal. Não fiz 2 meses de aula. Anos depois tentei Tecnólogo em Estética e Cosmetologia. Odiei a instituição e achei o curso bem mahomenos. Trabalhei em loja de doces e trabalhei na imobiliária da minha mãe. E engravidei. E resolvi ser mamãe. E maquiadora / diretora de fotografia quando aparecesse um trabalho (o meu Nick é fotógrafo e já fizemos uma campanha juntos, minha primeira e única experiência da área).
    Não vou ganhar diploma, nem certificado. Mas sei o que é ser filha de pais que trabalham, sei o que é ir pra maternal desde meses de idade e chorar porque é noite e a mamãe ainda não chegou pra buscar. Então também sei o quanto quero ser presente na vida da minha filha. Claro que não quero criá-la numa bolha, acho importante atividades que envolvam outras crianças, existem várias opções que não vão tomar o dia inteiro dela.
    Beijos Lu!

  5. Essa vida louca né, eu fiz nutrição, artes plásticas e sou fotograf, agora MÃE tbm…e eita "profissão" boua essa né… a de dona de casa quase desempenha com luxo…hahahaha

    bjoca e li seu blog desde o inicio, como ajuda ver que esse primeiro mês (insano) de mãe e bebe acontece com todo mundomundointeiro.

  6. Somos 2 (ou 3, 4, … rs) Fiz psico por 3 anos amei! mas fiquei gravida e decidi parar para ficar com a filhota (tenho 23 anitos) mas quando a pequena for pra escola eu volta tbm, rs Mas minha profissao era informatica a faculdade era mais hobby mesmo! agora faço um curso semi-presencial na FGV sobre processos gerenciais (começei quando a mari nasceu, era só para ter algum diploma, para quando eu voltasse a trabalhar, mas acabei gostanto bastante, a FGV, apesar de ser mais corporativo tem varios cursos assim, é bem legal!, agora estou na metade, falta mais 1ano e meio!) bjs e continue feliz que vale mais que qualquer coisa!

  7. DEOSMELIVREEE ser dona de casa e mãe tempo integral! Gentem, eu amo ser mão, n é isso, mas eu acho necessário ter uma vida além da vidinha doméstica! Eu tenho uma filha de 3 aninhos, e tô terminando Direito, faço estágio meio periodo e adoro! Ninguem merece ficar em casa lavando louça( n q eu n faça isso , rs), quando a gente se dá conta, tá velha, barriguda, sem profissão, sem independencia financeira,e o marido todo gatinho, saindo pra trabalhar, paquerando uma gatchenha no escritório! HAHAHAHAHAHAHA MEDO!!!!!!

  8. Oi, Luíza!! Achei seu blog navegando pela internet e adorei!!! Já tô devorando ele todinho!! Muito legal sua história… parabéns por ser uma mãe jovem e tão consciente de todas as maravilhas e desafios de se ter um filho!!
    Tenho 29 anos e estou grávida da minha primeira pequenina!!! E como você, me desdobro todos os dias!! Sou esposa, dona de casa, futura mamãe e nas "horas vagas", médica!! A escolha da profissão é algo muito importante pra gente, pois também faz parte da realização pessoal de cada uma de nós!!
    Continue buscando a profissão que melhor se encaixar depois da mais importante de todas: ser mãe!! Tenho certeza que essa o Benjamin já aprovou com honras!!
    Beijos!!

  9. Conheci seu blog pela matéria do correio, Muito oportuna e para informar uma centena de mãe perdidas na arte de educar. gostei imenso de suas escolhas, parabéns, Ao ver o blog me deparei com outras informações e lhe pergunto se vc tem déficit de atenção? Desculpe, não me entenda mal. Conheço essa estória e de algumas outras que se identificaram com esta postagem. Gostaria de lhe recomendar os livros No mundo da lua de Paulo Matos e Mentes Inquietas da Beatriz… Sou casado com uma pessoa como vc. Os desafios são diários e quanto mais cedo nos conhecemos, melhores as chances do seu matrimônio. Minha esposa tem um blog e vc poderá dar uma lida e vai tb se identificar, chama-se E isso é glamour? –
    Bom , felicidades e parabéns pela matéria sobre bicos e mamadeiras
    Ps, sou odontopediatra rsrsr.

  10. Me identifiquem demais com tua história, assim como outras leitoras! Fiz um curso de história empurrando com a barriga, fui pra MG estudar conservação e restauro, voltei pra recife pq não consegui o trabalho que queria, quase me Ferrei por conta de uns cálculos renais gigantes, levei um pé na bunda, tentei ser empresária, fotógrafa… E sobrevivi! Rsrs agora estou grávida do meu primeiro filhote, com um companheiro, ainda sem perspectiva de trabalho mas não quero virar dona de casa de jeito nenhum. O comentário da Luara faz muito sentido pra mim. Hehehe

    Parabéns pelo blog, é um dos meus prediletos!

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