saudadinha do meu filho

partejoca (682x485)

esses dias bateu (e ficou) uma saudade monstra do benjamin.

estamos juntos todos os dias. tento ao máximo dar a atenção que ele merece e está acostumado a ter.
mas há um bom tempo – bem antes do parto – eu não tenho tido tanta disposição para dar atenção para ele.
sempre fizemos tudo juntos. com muito gosto.
sempre tentei ser lúdica e tirar de tudo que fazemos um aprendizado para ele e para mim.
mas o cansaço foi me tomando. a falta de tempo e de braços (depois da constança nascer) também.

já havia sentido isso em um grau bem menor com a minha sobrinha mais velha.
ela foi minha primeira sobrinha. amo todos os meus sobrinhos dum tanto que não tem tamanho no coração.
mas com a aurora é diferente, porque ela foi a primeira. por muito tempo teve uma atenção única e exclusiva.
ela é o meu xodó e eu era o xodó dela.
passou quase 4 anos reinando, até o benjamin nascer. 4 meses depois nascia o irmão dela. daí pra frente eu só podia dar atenção exclusiva pra ela depois que o benjamin mamava, dormia, tinha sua fralda trocada. e como sofri naquela época e sofro até hoje!

agora imagina com o meu filhote. 2 anos e 9 meses de atenção exclusiva e diária. tudo era pra ele. abri mão da arrumação da casa e sempre que precisei fazer alguma coisa realmente necessária, fiz com ele junto. nas tarefas domésticas, quando não dava para deixar para a hora da soneca dele, incluía ele nas coisas e assim sempre foi. eu e ele. ele e eu. companheirinhos de aventura.
aí chegou outro bebê. quando penso que vou ter um tempinho só pro mais velho, ela chora. pra que ela durma tranquila e continuamente, tem que ser no colo. na cama, suas sonecas duram 20 minutos ou menos. e lá vou eu brincar com ele por 20 minutos, tentando otimizar ao máximo o nosso tempo. eu vejo o tanto que ele curte aquilo tudo, mas o que ele não sabe é o tanto que isso também é importante para mim.

em defesa da constança, longe de mim ela ser um peso ou um fardo. estou apaixonada por essa pequenininha. e, por ser ainda tão novinha, a maior parte do foco e atenção vão para ela, que é completamente dependente de mim.
mas ela nasceu num contexto e realidade diferentes do benjamin. ela já nasceu com a atenção dividida.

essa semana aconteceu de, à noite, todos já estarem dormindo. incluindo o cachorro. excluindo eu.
como de praxe, antes de me deitar, checo se o tov está na caminha dele, verifico se a porta do apartamento está trancada e vou no benjoca ver se ele está cobertinho e dormindo tranquilo.
abri a porta de seu quarto e fiquei lá… olhando, olhando.. coloquei nele uma blusa de manga comprida e o cobri com o cobertor, porque aquela noite prometia bastante frio.
afaguei seus cabelos indisciplinados e o beijei.
meu coração apertou. a saudade chegou com força.
deitei-me em sua cama, o abracei e as lágrimas desceram descompensadamente. descem ainda ao escrever este post.
mais abraços, mais beijos e me retirei antes que o acordasse.
fui para o banheiro e chorei. deitei-me na minha cama e chorei mais um pouquinho.

ninguém disse que seria fácil, mas ninguém me avisou dessa saudade louca.

calma, vai passar.

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59 comments

  1. Meu Deus…parece bem eu…tenho um lindo filho de 3 anos (Gabriel) e uma filha de 2 meses (Isabela)…quantas vezes eu fiquei olhando para o Gabriel dormindo e chorei, chorei e chorei…eu falando baixinho para ele…"filho, eu te amo…te amo muito…"Nossa…bate um saudade…antes era tudo ele, colo, atenção…tudo…agora é dividido né…e para aumentar minha angustia ele começou a ir na escolinha…um dia antes dele começar, olhei para ele e não consegui aguentar…chorei…fui tomar banho e fiquei lá…pensando, pensando e chorando…como é difícil…amo os dois, muito mesmo…mas não é fácil…agradeço a Deus todos os dias por ter estas bençãos em minha vida…é uma mistura de sentimentos…muito louco mesmo…

  2. Amei suas palavras…só não chorei porque estava no trabalho e tenho horror em chorar em público. Tenho uma sobrinha que foi tão desejada e esperada, que sinto como se ela fosse minha filha, quando os meus gêmeos nasceram minha a atenção e tempo com ela ficou muito curto, sofro demais com esta situação. Parabéns pelo blog!!!

  3. Ai, Luiza, sempre acompanho o blog e quase nunca comento….chorei com vc por mim. Meu mais velho está com 4 anos e minha pequena com 2 anos e meio. Também senti isso quando a Carol nasceu….e agora sinto saudades dela. A vida está cada vez mais corrida e as vezes acho que eles estão crescendo rápido demais e eu cada vez com menos tempo para eles. Meu marido tinha um tempo maior em casa quando era só o Bruno e agora o tempo vai ficando cada vez menos. Passa? Não sei….eles continuam crescendo….a saudade do bebe sempre vem, saudade de quando tinha um aninho….tenho minhas dúvidas: será que passa??

  4. Nossa, me senti assim quando a minha segunda filha nasceu. Tenho Gabriel de 12 aninhos que é uma criança especial, passei todos esses anos só com ele, amor, carinho trabalho e dedicação. Minha filha nasceu quando ele tinha 10 anos. Quando cheguei da maternidade, operada e ele quis sentar no meu colo e eu não podia pega-lo… nossaaaa, chorei horrores!!! Me sentia péssima, por não poder cuidar dele naquele momento. E até hoje eu sinto muito, apesar deles serem muito companheiros, tenho muito do meu dia dedicado a pequena, que está numa fase que precisa muito de mim. Nós mães e a nossa culpas!

  5. Eu já chorei diversas vezes sentindo falta desse tempo com o Heitor… mas é porque trabalho fora (porque preciso) e sinto que "perco" quase todo o dia fora quando deveria estar com ele, sentada no tapete, brincando de barro e carrinho, descobrindo o mundo… coisas assim, reflexões de mãe. beijos

    ww.ideiasefilhos.wordpress.com

  6. Luíza,

    conheci seu blog por esse texto e volto nele, agora grávida de 30 semanas e já com uma menina de 3 anos muito esperta em casa. Foi onde ouvi falar pela primeira vez em luto do primeiro filho e já sofro por antecedência desde antes de engravidar. Mas foi o que vc disse: ter irmãos é um presente. Tenho duas que me fazem sentir verdadeiramente em casa, em família. Não consigo viver sem. Espero que a minha pequena sinta esse amor incondicional.

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