13 de março

seres superiores

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não há como negar: mães são seres superiores. especialmente as gestantes.
eu sempre quis escrever sobre isso.
de repente lá passam elas, balançantes, barrigudas, com aquele ar semi-divinal de quem carrega uma vida dentro de si.
não sei se existe na face da terra algum gravidofóbico – o que provavelmente já foi inventado – mas se tem, com certeza é alguém com alguma patologia mental, ausência de instinto materno/paterno ou sérios problemas na infância. deixa que Freud explica.

o fato é que não há como negar: elas são demais.
isso também se estende às lactantes. parece que o cuidar de um bebê é uma tarefa selecionada a dedo por deus (mesmo que às vezes ele aparente ter um ótimo senso de humor).
não importa quem seja. se alguém me disser: sua irmã ta grávida, sua prima está grávida, a filha da empregada da vizinha, sua mãe, minha cadela ou qualquer uma que eu nem conhecer, a alegria será a mesma. varia a intensidade e a ocasião, mas pra mim gravidezes (ô palavra linda) são sempre motivo de festa.

pode uma criança não ser uma bênção? duvido!
não tem como cuidar? dá pra mim então.
talvez a patologia esteja em mim.

mas tudo começou desde o momento em que eu me entendi por gente, sexo feminino, e mãe em potencial. desde aquelas brincadeirinhas de sopa de folha e bebê embrulhado num paninho.
é um sonho de infância.
ao ponto de quando eu não tinha nem 12 anos, criar um diário para depois mostrar para os meus filhos como era minha infância/pré-adolescência. pena que eu queimei (mas tive meus motivos comprometedores).
e muito precoce que era, ao 9 anos de idade já sabia tudo que podia sobre o sistema reprodutor feminino e masculino (e ainda fazia chacota com o meu amigo do tipo: eu tenho útero. e você, tem?) e me imaginava naquela situação.

mas quando foi chegando 13, 14, 15 anos e nada de menstruar eu fiquei apreensiva.
alguns médicos até alegaram que eu tinha um útero infantil e que nunca seria capaz de engravidar. planos não faltaram. até minhas irmãs poderiam servir de barriga de aluguel quando eu casasse.
mas o susto passou e hoje, mais que nunca, eu acredito em milagres e uma das melhores notícias que eu já recebi veio da minha ginecologista quando ela disse: tá tudo normal com você  e, quando quiser, poderá ter filhos.
acreditem, nem todo mundo gostaria de ouvir essa notícia.
e desde que iniciei minha vida sexual me considerei mais ainda uma mãe em potencial.
mas a síndrome materna se agravou depois do casamento. não tem um mês sequer que não passe pela minha cabeça que eu posso estar grávida. ainda mais porque eu nem cuido muito dessa história de contracepção (deixa eu dar uma brechinha pra sorte).
junta isso com o meu ciclo irregular e aí já viu: paranoia positiva mês a mês.
uma vez eu atrasei 4 meses, mas todos os exames deram negativo.
chorei, tive crise, quase entrei em depressão.
os laboratórios já devem ter meu rosto marcado de tantos exames beta hcg que eu já fiz. de farmácia foram menos. acho que só uns 3.

mas aí de repente aquele sonho passou.
nos últimos meses evitei e não dei muita bola pra essa história.
pensei em toda a vida profissional que ainda tenho pela frente, o tanto de coisas que eu posso conquistar antes de ter um – ou vários – bebê(s): faculdade, emprego, carreira, comprar um carro, apartamento, secadora e tantas outras coisas que depois que um bebê vier vai embolar todo o processo.
aí coloquei a ideia na cabeça.
até meu marido tava querendo mais ter filhos do que eu.
mas quando vejo as amigas e parentes grávidas, começo a entrar em sites e ler revistas, ver lojas e tudo que se refira a bebês e o sonho começa outra vez.

não tem jeito. já decidi os nomes dos meninos, os nomes das meninas, tenho cadastro em sites de mães de primeira viagem, conheço todos os sintomas das primeiras semanas de uma gravidez, o que comer, quais exercícios praticar, como se preparar, quais vacinas tomar. até truques pra escolher o sexo do bebê eu já vi.

as incertezas sempre virão, mas já tenho decidido como vai ser o quarto (se eu não me mudar de novo), quais roupas comprar, quais não, como contar no trabalho sobre a gravidez (isso poq eu nem trabalho), como conciliar profissão e maternidade (apesar que meu sonho é largar emprego pra ter filhos), quais carros são melhores para famílias grandes, como cuidar dos filhos de maneira eco-sustentável, quais os melhores colégios da cidade, etc etc.
é claro que chega na hora a gente revê muitos conceitos.
mas de desprevenida, ninguém pode me chamar.

tudo isso e eu nem gestante estou mas, quando estiver, baixem minha bolinha e não me deixem voltar para o olimpo (minha família terrena sentirá minha falta).

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categorias: enquanto o bebê não vem

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6 Comments »

  1. Adorei Lulens…é.. não tem jeito…também compartilho desse sonho!!!

    Quero minha sobrinha Catarrina usadora de fraldas eco sustentáveis estampadas!!! hehehe…

    Comentário by Laura — março 14, 2009 @ 2:26 am

  2. ei luíza, eu nunca tinha vindo aqui ler o seu primeiro post, de como essa história de potencial gestante começou. eu amei! e confesso que, apesar de ter sido mãe sem planejar, sem estar casada e quase sem saber meu rumo, eu fiquei muito feliz pela minha gravidez! claro, passando o susto incial "como vou contar para os meus pais?", que isso não foi moleza não. mas assim como você, eu sempre quis ser mamãe! quando tinha 16 anos eu fazia uns bicos de babysitter pro bebê da minha vizinha e amava – trocava baladas por noites de mamadeiras fácil fácil… ai ai, e confesso que apesar de querer fazer tudo certino dessa vez, já não vejo a hora de ser gestante de novo! se vc montasse um clube das potenciais gestantes, eu tava dentro hahahaha! beijos flor, muito sucesso e amor para vc e essa sua família linda!

    Comentário by Letícia — julho 30, 2010 @ 10:01 pm

  3. Lu, eu fiz uma agenda e um diário só para mostrar para minha filha como foi a minha adolescência. Tenho guardado até hoje e ele já foi lido pela minha irmã adolescente (que ficou escandalizada, mas tudo bem… estas meninas de hoje viu…)e vai ser lido pela Natália. Apesar de não ser tão chegada assim em criança, passei muito tempo mesmo pensando como ia ensinar isso ou aquilo para meus filhos. Agora faltam poucas semanas pra Nati nascer e estamos devorando livros e extremamente ansiosos. Mas no final a gente sabe como fazer não é mesmo? Acho que toda mulher é uma potencial gestante, mesmo que às vezes o mundo faça a nossa cabeça do contrário. É nossa natureza, e ela berra.
    Parabéns pelos 2 anos de blog! Não perco um post!! Beijo!

    Comentário by Mistelko — março 21, 2011 @ 2:27 pm

  4. Você me descreveu! Principalmente na parte de que ninguém poderá me chamar de desprevenida! kkk Beijo

    Comentário by Lane — setembro 24, 2012 @ 10:47 pm

  5. Parece eu! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

    Comentário by Larissa — dezembro 20, 2012 @ 2:12 pm

  6. É, #seidentifiquei.
    O botão do instinto materno ligou há uns 3 ou 4 anos e então minha história se divide em 3 momentos:
    1. Acho que quero ter um bebê. Mas isso não é pra mim, então vou ler tudo o que puder sobre o assunto, 'experienciar' isso através de outras mulheres pra ver se a vontade passa.
    2. Quero desesperadamente ter um bebê. Marido pergunta: "pra quê vc quer filho?" eu respondo chorando: "pq eu quero…. sob!" Então planejamos tudo. Outubro de 2013 começa com o ácido fólico.
    3. Frio na barriga, medo #dozinférno, minha vida tá tão boa, olha a minha liberdade! Vou estragar minha vida. Não vou estragar minha vida. Será que eu quero mesmo? Os bebês não parecem mais tão irresistíveis. Nada mais faz sentido.
    Fui potencial gestante por cerca de um ano, e agora só existem dúvidas e borboletas no estômago…

    Comentário by Ana — outubro 1, 2013 @ 3:29 pm

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