18 de maio

passeio no aquário de são paulo

por luíza diener

há umas três semanas estivemos em são paulo para a gravação desse vídeo aqui.
e não pudemos deixar de aproveitar a oportunidade para encontrar a família, azamiga e, claro, dar uma micro passeadinha child friendly na cidade.

um dos lugares semi-bacanas que estivemos foi o aquário de são paulo. não fazia ideia de que existia aquilo por lá.
quer dizer, devia fazer, mas não era do meu interesse, até ter um filho que é enlouquecido por bichos.

pra chegar sem carro foi uma saga: táxi, metrô, 1 km a pé de ladeira com criança de 5 anos e um de 1,7 num carrinho de bebê e lá estávamos nós.

havia muitos aquários com animais diversos.

quando chegamos, benjoca ficou extremamente empolgado. queria conversar com todos os animais. ia de um lado para o outro, enlouquecido. vários jacarés e tartarugas chamaram a atenção dele logo de cara. além de uma jiboia gigantesca. acho que uma delas deveria conseguir comer uns 10 jocas numa boa.

ele deitava no chão para ver os jacarés e foi preciso convencê-lo de que havia mais coisa adiante. por ele, se o passeio acabasse ali já teria valido.

nossa sobrinha de 5 anos preferiu os peixinhos coloridos e cavalos marinhos. meninas são fofas, né?

além do óbvio que todo aquário tem (peixes, né?), também havia uns animais mais incríveis como peixe boi, tubarões, arraias, lobo marinho, lontra fedida, macacos invisíveis, morcegos, aranha, dinossauros (?) e bonecos de homens pré históricos.

ok. esses dois últimos eram bizarros. o que tem a ver dinossauro com aquário eu não sei. foi uma encheção de linguiça bem da mal feita. devem ter feito na época em que jurassic park bombava e nunca mais atualizaram. aliás, umas partes do aquário apresentavam mesmo essa estética anos noventa como um dinossauro que saia do meio da parede, bem como um semi tubarão na mesma condição, ambos de fibra de vidro (ainda existe isso, gente?). como eles foram parar lá, ninguém sabe, mas minha sobrinha elaborou algumas teorias.

ainda queimando um pouco o filme do lugar, lá tinha uma lanchonete terrível e caríssima. só salvava a coca em lata (salvava?). então, se algum dia você for, vá bem comida (rá!). e não se esqueça de levar o lanchinho das quiança.

a expectativa maior era de ver os pinguins, mas o aquário deles estava reformando. fuééem.

mesmo assim, tinha duas alas relativamente novas que eram bacanas (além do aquário básico, que também vale a pena): a dos piratas e a do brasil (igarapé).

e confesso também que fiquei fascinada pelos morcegos. eles eram estranhamente sedutores. um deles pendurou de cabeça pra baixo e mijou (vou ensinar o hilan a fazer o mesmo na hora do acasalamento).

e não podemos deixar de falar da grande atração local: os tubarões. esqueça o tubarão branco e o martelo. eram outros, sub celebridades no mundo dos tubarões. tipo ex-bbb.
o local é como se você entrasse dentro de um submarino. tem dois aquários paralelos grandões simulando o lado de fora do navio, como se os animais vivessem ao redor dos restos de um navio naufragado.

e se você olhar para cima, parte do teto é transparente também. pudemos ver as barrigas dos tubarões e arraias. foi bem legal.

até agora não entendi mesmo a parte dos dinossauros (pra completar tinha um cinema supostamente 4D, mas não quisemos arriscar). a aurora ficou com medo e o benjamin também.
mas a dos homo sapiens, erectus, broxus. ele adorou. falava “macaco” pra todos eles,

tinha um fraldário (na verdade trocador) toscão, mas dava pra quebrar o galho no caso de uma caganeira infantil o que, graças a deus, não aconteceu.

o preço do ingresso foi um pouco salgado: R$ 20,00 para crianças de até 12 anos e R$ 40,00 para adultos.
mas na segunda feira (dia que nós fomos) era 20 reais pra qualquer um.
mini crianças menores de 3 anos não pagam.

o site é esse daqui. anos noventa chegou e parou por lá também. alô, sala de bate papo do uol!

mas mesmo assim valeu a pena, porque no fim do passeio (fizemos o circuito tipo duas vezes e meia) estava todo mundo feliz da vida.
aurora chegou em casa radiante e doca não se cansou um segundo sequer.

foi uma festa. até nós,  semi-adultos, nos divertimos.
um programa bacana pra família toda.

então fica a dica para papais e titios buscando entreter os pequenos. especialmente em dias frios ou chuvosos (pra quem vai de carro, ok?).

oi.

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07 de maio

o sono (?) do bebê

por luíza diener

tem dias, semanas, meses e quase anos que eu to com esse post na cabeça e nunca consigo escrever.

mas é um assunto tão, mas tão recorrente, que resolvi vencer a preguiça, sentar a buzanfa e contar minha própria experiência com o sono do joca.

o que mais me contam são sempre coisas do tipo “meu filho tem tal idade. até tantos meses ele dormia a noite inteira. aí de repente ele começou a acordar quatrocentas vezes por noite e nunca mais voltou ao normal”.

primeira coisa que eu quero te pedir é: por favor, se isso acontece com seu filho também, comente neste post!
não, não estou fazendo isso pra ganhar mais comentários no blog.
mas é porque eu acredito que várias experiências falam mais que uma só e também porque quero comprovar a minha teoria de que os bebês que dormem a noite inteira desde pequeninos (e mantém esse padrão ao longo de todo o primeiro ano de vidasão exceção à regra).

porque pra mim a regra é sempre: nasce, passa um tempo acordando a cada segundo, depois melhora e, de repente, passa a dormir a noite inteira. aí de repente invertido ele volta a acordar que nem um louco, geralmente por causa de dente, nariz entupido, calor, frio, doença, cachorro latindo, vizinho que espirra alto demais e um monte de outros fatores incontáveis.
aí volta ao normal.
aí você jura que quando seu bebê tiver 1 ano de idade já será uma criança, que dorme a noite inteira lindamente. e descobre que essa é a pior fase de sono/temperamento que ele já passou até então.
e por último, alguns meses depois de completar 1 ano, ele passa a dormir serenamente. ou não.

é assim?

vou deixar essa minha parte do achismo com vocês (porque maternidade é embasada em muitos achismos, intuições, experiências próprias e impróprias) e contar minha experiência. meio caótica. ou não.

* * *

ele nasceu. tudo que ele e eu queríamos era dormir.
as primeiras semanas eram a coisa mais linda do mundo. ele só dormia. acordava. mamava. voltava a dormir.
geralmente a cada duas horas.
eu me sentia descansada e achava que recém nascido era a melhor coisa do mundo.

nos primeiros 3 meses eu mostrava pra ele o que era noite e dia. sempre permiti que ele dormisse na hora que sentisse sono. mas se dormisse de dia, deixava o quarto claro, continuava a fazer a barulheira normal de casa (liquidificador, aspirador de pó, vizinho espirrando, etc). se acordasse de dia eu papeava com ele, brincava, mostrava o mundo. mas se acordasse à noite eu não emitia um pio. só pegava no colo, aconchegava, dava o peito até que ele dormisse e voltasse pro berço (praticamente faço isso até hoje).
também nesses primeiros meses eu cuidava pra que ele nunca adormecesse mamando (exceto à noite) e deixava pra dar mamar quando ele acordasse, pra não associar o peito ao sono. hoje acho isso uma grande besteira. mais pra frente explico o porquê.
também dormiu a noite inteira pela primeira vez (sete horas seguidas). isso aconteceu umas 2 ou 3 vezes e parou, voltando a acordar umas 6 vezes durante a noite.
eu sempre embrulhava ele num cueiro
 pra dormir. era ótimo. ele amava, ficava calminho. eu amava também. todos sorria.
nessa época ele era meio tanto faz como tanto fez pra algumas coisas. se eu colocasse ele ainda acordado no berço, ele aceitava. se colocasse dormindo, tudo bem também. se acordasse e não tivesse ninguém, ok. mas se acordasse e a gente estivesse ao lado, beleza. foi a linda fase do bebê neutro.

a partir dos 4 meses ele passou a distrair-se durante as mamadas. antes disso o mundo podia cair, as pessoas podiam passar gritando ao meu lado que ele continuava compenetrado, firme e forte no mamá. depois disso ele ficou mais sensível aos sons, o que também tornou o sono dele mais leve num geral.
foi também nessa fase que ele passou a ser mais seletivo quanto às pessoas. às vezes queria o meu colo. às vezes do pai. virava a cara quando não queria que alguém o pegasse.
não lembro se foi exatamente nessa época, mas ele passou a ter umas sonecas diurnas que não duravam nem meia hora. foi desesperador, porque durante o dia ele só queria ficar no meu colo e eu não conseguia fazer mais nada. quando ele dormia eu queria ganhar o mundo em 20 minutos e era eu mal começar a fazer uma coisa que ele já acordava. acho que foi por isso que eu emagreci tão rápido ; )
e nem pensar em durante o dia deixá-lo acordado no berço pra ele dormir sozinho.
muito menos embrulhá-lo em nada.
ele passou a odiar isso tudo!

apesar de não ser a favor de adestramento de sono de bebês, alguns truques eu sempre fiz e deram certo. um deles foi não correr de imediato para atendê-lo. não apenas no sono, mas em tudo na vida. isso não significa deixar chorar até cansar.
isso porque algumas vezes ele acorda, dá um resmungada e volta a dormir. isso dá a ele a chance de encontrar um jeito de aprender a fazer isso sozinho.
à noite mesmo, ele acordava e eu esperava pra ver se ia voltar. caso isso não acontecesse, eu pegava, dava o peito e devolvia ao berço, mesmo que ainda estivesse desperto.
era impressionante ver como ele ficava bonzinho no berço e logo adormecia por conta própria. mas só à noite.
teve uma fase, aos 5 meses, que ele resolveu tagarelar no meio da noite. mas ele parecia bem com isso, então ele conversava sozinho, até retornar aos braços de morfeu.

isso do sono noturno eu não posso reclamar. apesar de ter demorado bem mais de um ano pra atingir o capote completo, ele não me deu tanto trabalho (no primeiro ano) à noite. exceto pelas noites em que esteve doente ou com algum dente nascendo era acordar, mamar e voltar pra dormir, sem grandes estresses – mesmo que isso acontecesse tantas vezes durante a noite.

perto dos 6 meses, um pouco antes, aconteceu. o primeiro dentinho quis nascer. foi quase um mês de sonos alterados, mamando muito mais e acordando muito mais de dia e à noite. achei que assim que o dente rompesse a gengiva isso cessaria, mas não. até porque depois do primeiro veio o segundo e depois o terceiro e depois o quarto.

entre 7 e 8 meses ele passou a jantar com gosto. e acho que aquela barriguinha cheia começou a dar uma segurada no sono e o menino que acordava quase 7 vezes à noite passou a acordar só umas 3.
desde essa época percebi que, até hoje, quando ele não janta direito, acorda mais vezes à noite. então o truque é mantê-lo bem alimentado.
isso sempre valeu pro caso dele querer acordar à noite pra mamar.
se eu resolvia que não ia dar o peito durante a noite, era pior. ele ficava tanto tempo desperto que na hora de mamar, continuava acordado. o melhor era dar o peito logo, pra que ele retornasse logo ao seu soninho.
as sonecas do dia eram menores, aproximadamente duas por dia, cada uma com 1 horinha.
nessa época ele não dormia mais no peito, exceto ao longo da noite. pra soneca do dia ele dormia no meu colo, embalado.
à noite quem colocava ele pra dormir era o pai. mas tudo isso se perdeu depois de um tempo (também explico lá pra frente).

com 9 meses destrambelhou de vez. essa pra mim foi a fase mais difícil do seu primeiro ano de vida.
primeiro porque foi quando completou 9 meses que ele teve convulsão. aí passou o dia no hospital, foi furado várias vezes, um monte de exames e médicos em cima.
pra completar, depois disso ficou doente por 3 meses seguidos, nariz entupido. uma mistura de alergia com tempo frio de inverno e quatrocentos dentes nascendo ao mesmo tempo.
somando a isso, começou com a ansiedade de separação e não tolerava que eu me ausentasse de perto dele por mais de, sei lá, 5 segundos.
um poço de trauma, incômodos e carências.
também foi a época que aprendeu a engatinhar de verdade, andar em pé apoiado nos móveis, mexer em tudo.
ele queria explorar o mundo. pra que gastar tempo dormindo?
ou seja, tudo colaborou pra que ele tivesse um sono péssimo tanto de dia quanto à noite.
foi uma fase difícil. ele ficava extremamente irritado por qualquer coisa.
às vezes aceitava que o pai o colocasse pra dormir, às vezes não. só melhorou disso especificamente lá pros 11 meses.

houve épocas que ele adormecia, capotava de ficar com os braços e pernas penduradões. mas era só colocá-lo no berço que ele acordava gritando, chorando, completamente desperto e não queria mais voltar a dormir. como eu sofri!
nesse tempo eu deitava com ele junto comigo na cama, dava o mamá deitada e esperava até ele abrir a boca e largar o peito. aí eu botava a chupeta na boca dele e saia correndo, fazendo o maior silêncio do mundo. era o único jeito que funcionava. às vezes.

lá pros 11 meses ele voltou a dormir semi-sozinho. ainda acordava à noite, mas só 1 ou 2 vezes. voltou a aceitar dormir sem peito e às vezes sem chupeta. de se permitir deitar sozinho, receber uns tapinhas no bumbum ou uma carinho no cabelo/rosto e apagar lindamente.

com 12 meses nós viajamos e eu passei 1 semana sozinha com ele dormindo na minha cama. só eu pra cuidar, botar pra dormir e todo o resto. nem precisa dizer que virou um grude, não queria dormir sozinho, muito menos longe de mim. aí seu sono estragou outra vez.
desde então ele só dorme no meu peito. lascou-se.
foi também com 12 meses que ele começou a tirar sonecas mais longas, de 2 a 3 horas.
no começo eram duas sonecas de 3 horas. um paraíso na terra!
6 horas do dia só pra mim! mas durou pouco e em menos de 1 mês ele passou a tirar uma única soneca diurna de 3 horas. mas tá ótimo, né?
entre 12 e 15 meses ele ganhou 4 molares chatíssimos de nascer. mais pelo menos um mês de sofrimento.

finalmente, com 1 ano e 4 meses, ele começou a dormir de verdade à noite. dormindo às 20h e acordando só às 6h.
a vantagem é, obviamente, conseguir dormir uma noite inteira sem interrupções. a desvantagem é ter que acordar tão cedo.
a soneca diurna acontece de fato somente uma vez por dia, geralmente antes do almoço. duas ou três horas e nunca passa disso.
tá bom, né? ele tá crescendo.
curioso é que antes disso acontecer, não tinha uma noite sequer que eu não fosse dormir pensando “será que é essa noite que ele dorme inteira?”. mas quando aconteceu eu nem percebi.

até hoje, no auge de seus 20 meses, acontecem noites e noites em que ele acorda às vezes uma, às vezes duas vezes. geralmente meia noite ou 5h da manhã. mas isso passou a ser exceção, não regra.
sim, ele acorda e eu ainda dou o peito.
acho muito mais cômodo que ter que buscar água, fazer truque pra voltar a dormir ou qualquer outra coisa.
mas ele já é um rapaz e acho que nessa idade tudo bem fazer algumas coisas pra não precisar amamentar durante a noite.
por exemplo, às vezes ele quer acordar 4h30 da manhã pra brincar. são nessas horas que, depois de tentar tudo no modo mute, eu abro a boca e digo: é hora de dormir. vou colocar você na sua caminha e voltar pro meu quarto. beijo tchau. geralmente dá certo.

enfim, gostaria de fazer algumas considerações a respeito:

  •  faz muita, muita falta dormir a noite inteira. é horrível passar o dia cansada, se arrastando pelos cantos, especialmente se você precisa fazer algo importante que exige concentração. mas lembrem-se do mantra: é uma fase! é uma fase!
    e fases passam. pense nesse tempo como uma semente para o futuro.
  • bebês em geral (especialmente os pequenos) dormem muito, mas dormem picado. é muito difícil pra eles tirar um cochilo de grandão. 
  • tente respeitar sempre o ritmo do seu bebê. cada um tem o seu próprio. muitas coisas afetam o sono deles: dentes, estresse, fuga de rotina, agitação (e cansaço) em excesso, doenças, frio e calor. bebês pequenos não fazem manha. deixa disso.
  • crie uma rotina previsível para a hora de dormir, quer seja de dia, quer seja à noite. isso ajuda eles a dormirem mais relaxados e todo mundo fica contente.
  • nunca privei ele do sono, a não ser que resolvesse cochilar pouco antes de começar a rotina do sono da noite (que dura quase duas horas). e as vezes em que acordo ele é por causa de algum compromisso. do contrário, durma na hora em que quiser e por quanto tempo quiser.
  • passei os primeiros meses condicionando meu filho a não dormir no peito, em vão. porque tiveram tantas incontáveis (e incansáveis) vezes que ele mudou de repente e que não dormia por nada e o peito foi a bendita solução. por várias vezes esse treinamento foi por água abaixo. e hoje eu percebo que nadar junto com a correnteza é, além de muito menos desgastante, muito mais gostoso.
  • eles mudam. sempre. o tempo todo. não quer dizer que porque seu bebê passou meses dormindo a noite inteira que isso vá continuar a acontecer. mas também não significa que, se ele acorda de hora em hora, há algo de errado com ele e ele só vai dormir uma noite completa quando entrar pra faculdade.
    eles mudam porque crescem, amadurecem, se desenvolvem. o mundo dos bebês é cheio de novidades. prepare-se sempre para as mais deliciosas (e desgastantes) surpresas. e quando você menos esperar, tudo vai voltar ao normal. ou passar dessa pra melhor.

 

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09 de abril

educando em casa

por luíza diener

dia após dia eu fico mais feliz e mais orgulhosa de poder ficar em casa com meu filho.
foi uma decisão nossa, planejada muito antes dele existir.
graças a deus tivemos (e ainda temos) condições de fazer isso, pois entendo que existem famílias em que isso não chega nem a ser uma opção.

mesmo assim nunca li muito sobre educar em casa.
a forma como cuido do pequeno é muito mais intuitiva e baseada no que minha mãe fazia comigo e com minhas irmãs.
lembro que ela – que ficou conosco até eu completar 7 anos – sempre tinha alguma coisa interessante pra apresentar pra gente: um piquenique na varanda em dias de calor, papéis gigantescos para desenharmos, poucos brinquedos comprados e muita coisa inventada.
tudo isso ficou encucado em mim.

uma ou outra coisa eu também vi na internet ou copiei de algum lugar que eu achei interessante.

então resolvi compartilhar com vocês algumas coisas que eu faço/não faço e o porque de cada coisa:

acessibilidade

o benjamin tem acesso a todos os cômodos da casa. uns ele pode acessar livremente e outros, acompanhado (banheiro e, especialmente, cozinha/área de serviço).

aqui a casa não é só do casal. é também dos filhos (futuros included). então fazemos assim: parte da estante na sala é dele, parte nossa. nas prateleiras inferiores a gente dispõe brinquedos e livrinhos dele. também deixamos um tapetinho no chão e ele sempre senta lá pra ler e brincar. mas claro que ele prefere mesmo é catar qualquer coisa e ir sentar-se conosco no sofá ou subir nas cadeiras de adulto.

o quarto é todo dele e para ele. tiramos o berço e deixamos o colchão no chão mesmo. assim, quando ele acorda, pode brincar um pouco antes de nos solicitar. e olha que isso funciona. ele já chegou a ficar quase uma hora brincando sozinho sem reclamar.
e tudo é acessível: os quadros e espelho são na altura dele, os livros e brinquedos ficam dispostos de forma que ele possa tirar e guardar quando quiser.

o que não queremos que ele pegue de jeito nenhum a gente tira da vista e do alcance.
claro que volta e meia têm coisas nossas espalhadas pela casa toda e ele quer mexer e brincar. mas aí ensinamos que existem coisas que são do coletivo e outras não, o que nos leva ao próximo tópico:

coletividade/individualidade

como falei acima, muitas coisas na casa são de livre acesso. são as coisas do coletivo.
as que oferecem verdadeiro risco, como produtos de limpeza, fogão, facas, etc, ficam fora da área de circulação.
as que não queremos que ele mexa, mas não podem sair de circulação (tv, tomadas, telefone, bla bla bla), a gente ensina a não mexer.
aliás, protetor de tomada é algo novo aqui em casa. só colocamos alguns lá no quarto dele – quando ele passou a dormir no chão – pois não o vigiamos 24h pra dizer “não pode” toda vez que ele resolver cutucar por lá. e também não quero arriscar, né?
no mais, a gente ensina que certas coisas não devem ser nem tocadas (a tomada) e outras podem com moderação (ligar o som ou brincar de falar ao telefone) .

aqui em casa eu também tento ao máximo coletivizar as coisas que posso: os pratos e talheres em geral são de todos. as coisas de comer exclusivas do benjamin são mais pra gente sair, por questão de praticidade.
geralmente a comida é feita pra todos sem leite e sem glúten de maneira que ele não fique passando vontade por causa das alergias.
por outro lado, se a gente quer tomar um refri ou comer alguma coisa que ele ainda não pode, ele entende que esse ou aquele é do papai e da mamãe e a gente arruma alguma água, suco ou biscoitinho pra ele matar a sede ou a fome.

ele tem uma brincadeira bem fofa que é tentar adivinhar quem tem o que ou o que é de quem.
exemplo: papai tem pinto. benben tem. mamãe não tem. tov tem. boneca não tem e por aí vai.
ou: mamãe pode mexer no fogo. papai pode. benben não pode. tov não pode. vovó pode. etc.
outra coisa: o benben tem chupeta. papai não. amiguinha sim. mamãe não. tov não.

ele aprende com a própria curiosidade e depois fica repetindo pra gente, como quem está recapitulando.
e com isso ele percebe também que têm muitas coisas que ele pode fazer e a gente não (minha tentativa de mostrar como o mundo dele é muito mais interessante que o nosso).

tudo é um aprendizado

confesso que, se a mãe/pai tem disponibilidade e disposição pra fazer certas coisas com os filhos, algumas aulas passam a tornar-se dispensáveis.
um dia ouvi uma amiga dizer que existe uma aula de musicalização diferente que, ao invés de ensinar o som dos instrumentos, ensina o som das coisas: o carro faz brrruuuum (e aí as crianças ouvem o som do carro); a máquina de lavar faz tchuc tchuc tchuc (e todos escutam o som da máquina de lavar).
ah, eu sei fazer isso aqui também, até porque o que não falta é máquina de lavar funcionando, telefone e campainha tocando, carro passando e coisa e tal. o pequeno sabe diferenciar entre o som da moto, do carro ou do caminhão. do avião e do helicóptero. tudo por observação.

acredito que não existe melhor estímulo que o do dia a dia.
por aqui tudo é tudo. um pote de sorvete pode guardar sorvete, mas também pode guardar brinquedos, pode virar uma micro piscina, pode ser um tambor, um chapéu, uma forma de bolo de areia ou o que mais a imaginação permitir.

quando vamos ao parquinho eu deixo que ele explore tudo. tira o sapato, sente a textura da terra, da grama, da areia, da pedra. coloca um pouco na boca, percebe que o gosto é ruim. senta no brinquedo quente e vê que machuca. percebe que o escorregador está gelado, o balanço está molhado. sobe e desce pela escada. desce e sobe pelo escorregador. sobe, pendura e balança em tudo. e acha graça. se mete na brincadeira dos grandes. fica admirado com eles. e logo tenta imitar tudo.

às vezes saímos de casa sem rumo e eu aproveito pra contar-lhe sobre as coisas, desde as mais simples até as mais complexas: olha como o passarinho voa alto! escuta ele cantar. que bonito, né?! pega essa folha verde. ela é lisa? é macia? sente o toco áspero da árvore grande. começou a chover. tá sentindo o cheiro da terra molhada? tá sentindo a água cair na sua cabeça? abre a mão pra ver a gota que cai lá do céu. é a chuva. o céu tava azul e agora está cinza, cheio de nuvens.
aquele moço colocou o capacete e vai andar na moto. aquela moça carrega uma bolsa e vai embora. dá tchau pra ela.
vamos conversar com o porteiro? pergunta o nome dele…

em casa, nos dias de chuva ou em dias em que não dá pra sair, muitas coisas podem virar brinquedo: apoie o colchão no sofá e você tem um escorregador ou uma rampa. pode fazer corrida com obstáculos usando almofadas para pular e cadeiras para passar debaixo. com duas cadeiras e um lençol você tem uma cabaninha. o armário vira esconderijo. a cortina também.

e tantas milhares de coisas que eles podem aprender ao experimentar, observar,conversar.
aliás, o diálogo:

diálogo, conversas e um falatório sem fim

acredito que um ótimo jeito de ensinar as coisas a uma criança seja através do diálogo.
claro que tem essas outras experiências sensoriais mencionadas acima, mas acho extremamente importante conversar com os pequenos, desde que eles estão na barriga.

conversava muito com o benjamin desde o momento em que soube que ele estava lá, mesmo antes dele ter um nome ou um pênis. contava história, cantava música. obviamente isso continuou depois que ele nasceu.
quando ele nasceu eu me apresentei pra ele, apresentei o pai também.
quando chegamos em casa eu mostrei tudo pra ele. depois veio o tov e expliquei que aquele seria seu companheiro de aventuras pelos próximos anos ou décadas.

desde cedo leio livrinhos pra ele. antes o tempo de concentração era mínimo: no máximo 2 ou 3 minutinhos.
agora ele para mais um pouco pra ouvir (só um pouquinho a mais) e escolhe as historinhas que quer.
é muito fofo quando, do nada, ele me aparece com um livro e já chega sentando no nosso colo, falando qual história quer.

se vamos sair, sempre aviso aonde vamos.
nunca o pego de surpresa. conto que a gente vai visitar a vovó e para isso ele vai precisar colocar uma blusa, um short, dois sapatos.
quando o pai vai trabalhar eu mostro que primeiro o papai acorda, toma banho, se veste, come e da tchau pra gente. depois disso ele entra no ônibus e vai pro trabalho.
ao final do dia, o caminho reverso. contamos pro papai com quem estivemos, o que ele fez, se machucou, se brincou muito, se fez sol ou chuva.

quando ele fica chateado eu procuro sempre olhá-lo nos olhos e perguntar o que foi. tentar entender seus motivos e também explicar os meus.
na maioria das vezes eu explico por que é que ele não pode fazer tal e tal coisa e tudo isso costuma acalmá-lo.

a rotina funciona bem para os pequenos, mas quando eles crescem a gente pode acrescentar o diálogo a tudo. isso sim faz com que as coisas tornem-se previsíveis.

mas não apenas falar, acho importante que saibamos ouvir.
por enquanto eu não consigo entender nem metade das palavras que saem daquela pequenina boca, mas me esforço, tento entender os gestos, buscar com meus olhos o que ele está fitando. tentar traduzir aquele vocabulário maluco.
e a gente se impressiona ao perceber o tanto que eles já falam, mesmo que com palavras ininteligíveis.

televisão

ele não vê. não vou dizer que nunca viu, mas também não me valho desse recurso pra conseguir fazer outras coisas.

tenho vários argumentos para ele não assistir (o que rende um post à parte), mas o ponto central é: o tempo que seu filho passa em frente à tv é um tempo que ele perde de aprender, crescer e relacionar-se. isso pra mim já é suficiente.

o convívio com as outras crianças

já ouvi muito de pessoas diversas o levantamento da questão: mas e o convívio com as outras crianças?

ué. ele tem. como já disse, todos os dias nós vamos ao parquinho, por exemplo. lá ele convive não apenas com crianças da idade dele (como costuma ser nas escolinhas normais), mas com meninos e meninas mais novos e mais velhos.
ele até vê graça nos pequenos, mas sempre quer saber mais dos maiores. já sabe o nome de vários deles. tem até uma amiguinha – com 4 ou 5 anos a mais – que só de vê-la ele já sai correndo (às vezes para ela, às vezes dela, pra brincar de pega pega).
num dia ele é o bonequinho das meninas, que o carregam no colo pra cá e pra lá, colocam no balanço, no gira gira, ajudam a descer no escorregador.
no outro, é o macaquinho de circo dos meninos: fica fazendo palhaçada enquanto todos riem.
noutras vezes ele é o líder da turma do fundão. é só se juntar com os pequenos da idade dele que o terror instala-se e ele sempre arrasta os amiguinhos pro mau caminho dos sobes e desces infindáveis dos brinquedos mais perigosos, ou num rally no meio da terra vermelha, típica de brasília.

além do parquinho, tem os filhos de amigas, que sempre faço questão de encontrar.

e além do parquinho e dazamiga, tem a igreja.
todo domingo nós vamos à igreja e lá tem programação especial para as crianças também. agora ele está indo numa salinha que é uma graça: primeiro tem musiquinha com crianças de diversas idades. depois ele vai pra turminha da idade dele (alguns mais velhos também) e lá tem hora da historinha, da atividade, da brincadeira. é a hora em que ele é o benjamin, sem a mamãe nem o papai. isso também é ótimo pra ele.

querem mais ou tá bom?

porque se sujar (e bagunçar, e comer o que não deve) faz bem

se eu quero que meu filho tenha suas próprias experiências, preciso permitir que certas coisas aconteçam: comer sozinho faz uma lambreca danada. deixar o filho beber num copo comum é correr o risco dele ficar com a blusa molhada. permitir o livre acesso aos brinquedos é ter a certeza de que sempre terá algum (ou vários) fora do lugar.

as roupas vão sujar (algumas vão manchar pra sempre), você corre o risco de ganhar um risco na parede da sua sala ou naquele sofá novinho, seu filho vai viver com algum roxo na testa, na perna, no braço e pode até ter uma eventual dor de barriga porque comeu areia ou lambeu a sola do sapato.

mas não é assim que se aprende? experimentando?

claro que não é pra criar os filhos descontrolados no meio da selva de pedra! mas também não dá pra metê-los numa redoma, arredondar o canto de tudo que é pontudo, eliminar 99,9% dos germes e bactérias e isolá-los do mundo.
muito menos querer que eles sejam mini adultos hiper comportados, que dormem super bem, nunca dão trabalho, não fazem birra, não têm catarro, não se sujam e nunca quebraram nada na vida. daqueles que têm um quarto-berçário hiper bem decorado, mas não podem mexer em nada. e a sala é dos adultos e nem pensar em tocar o terror por lá.

ser mãe e pai é meter a mão no cocô na massa e deixar que eles metam a mão também (não no cocô, mas na massa, na massinha).

lembre-se: você também já foi criança

é um belo de um clichê. mas fazer o que se é a mais pura verdade?

me entristeço quando vejo alguns pais repressores que estão sempre dando bronca nos filhos e tolindo eles a cada segundo: “não mexa aí!”, “não faça isso!”, “fala baixo!”, “não corre!”, “não pula!”, “não mexe!”, “não respira!”.
que às vezes não deixam que eles façam algumas coisas porque vai sujar, porque vai cair, porque vai sair correndo e alguém vai ter que ir buscar, porque porque porque.
enfim, porque vai dar trabalho para eles, os pais.

lembra de quando você era criança e tudo era tão mais simples e divertido?
as coisas eram tão mais fáceis do que hoje, não é mesmo?
então por que não deixar que seja assim para seus filhos também, ao invés de enchê-los de preocupações e regras bobas?
eles terão a vida inteira para serem adultos, mas pouquíssimo tempo para curtir essa infância que a cada dia termina mais cedo.

concluindo

se você aparecer na minha casa de surpresa num dia qualquer, tenho certeza quase que absoluta de que ela não vai estar muito arrumada. com certeza terá louça suja na pia, alguma roupa jogada no chão do banheiro e muitos brinquedos espalhados casa afora. eu não estarei toda linda e deslumbrante e meu filho com certeza estará sujo de alguma maneira: um pouquinho de comida na bochecha ou na orelha, o pé encardido e a blusa manchada.

ele vai te olhar sério e mudo por um bom tempo até que pegue alguma intimidade com você.
mas se isso acontecer,  é bem provável de ele começar a tagarelar que nem um doido, trazer brinquedos pra que você conheça, subir no sofá pra ficar ao seu lado. quando você for embora ele pode voltar a ficar sério, mas com certeza, depois que você sair, ele vai dizer “tau” e acenar para a porta. e é até capaz dele se entristecer com a sua partida e chorar.

mas não dá pra prever, porque ele é uma criança. como todas as outras.
não é bicho do mato, não morde (geralmente) e não é melhor nem pior que nenhuma criança por ficar em casa com a mãe. é apenas agnaldo timóteo benjamin.

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27 de fevereiro

18 meses

por luíza diener

é fato que os posts do desenvolvimento do benjamin pararam de ser mensais, mas eu não poderia deixar passar batido esse mês tão especial da maioridade bebezística.

veja bem: eu sempre achei que alguns meses seriam marcantes na vida do benjoca: o terceiro, o sexto, o dôzimo (neologismo rules!), o décimo quinto e, claro, o dezoitôzimo.

quando o benjoca era pequenico, imaginava que aos 18 meses ele seria uma criançona, que falaria tudo e não teria mais nada de bebê.
hoje vejo que me enganei em muitas coisas e que outras foram além das minhas expectativas.

é uma fase muuuito gostosa e ativa até dizer chega! mas ele está  lindo e delicioso e cada vez menos chato. acompanhem:

  • tenta distiguir as pessoas por idade e gênero: neném, menino, menina e mô (que pode ser moço ou moça). a maioria das vezes ele acerta, mas é só um menino aparecer com um cabelo um pouco maior ou de blusa rosa que ele já chama de menina, na alta.
  • aprendeu essa história de menina ou menino com a música dos mutantes, que agora ele autocompleta quase inteira;
  • por falar em música, já sabe várias músicas de cor – com direito a coreografia – e direto chama a gente pra cantar com ele. o problema é que ele não sabe cantar tudo sozinho. ele canta uns trechos, a gente completa, ele inteira e aí vamos no nosso coral familiar. algumas de suas músicas prediletas são: do sol e a lua, do macaco pula (não achei em lugar nenhum. a prima que ensinou e acho que inventaram na escolinha dela), da minha menina, do barco (que ele aprendeu na igreja) e do me pipi (pintinho amarelinho, gente);
  • também cantarola suas próprias músicas. é tão lindo que dá vontade de gravar, só pra ficar ouvindo depois (até quando ele resolve cantar às 3h da manhã);
  • lembram da música que ele aprendeu a ligar sozinho, quando tinha uns 8 meses? agora ele fala: tu-á (chuva. pois tem uma parte que cantam “vai, chuva”), procura a música no som e fica dançando, esperando até chegar a parte que ele gosta;
  • reconhece alguns instrumentos como: gaita, piano, violino, violão e outros que eu não me recordo agora;
  • gosta de identificar os sons das coisas. sabe distinguir carro de moto, avião de helicóptero e os instrumentos citados acima. fica ligado quando algum cachorro late e imita;
  • está fissurado por tudo que é grandão. chama de dandauuummmm. tem um labrador no prédio da frente (já falei dele antes), que toda vez que o cão late, ele para, ouve e sinaliza: auau dandão!
    semana passada estava com duas colheres: uma de chá e uma de sobremesa. a maior ele falava: dandão e a menor era só teti (de pequenininha);
  • calça o sapato sozinho também. é fato que muitas vezes ele erra o pé e também tem mais facilidade para calçar o pé direito ao esquerdo;
  • está alucinado com roupas. tenta vestir tudo pela cabeça ou pelo pé. um dia ele colocou três blusas numa perna só e saiu andando.
    também gosta de nos dar as roupas para vestirmos;
  • é um papagaio, com certeza. repete tuuudo que falamos, ao modo dele;
  • deu uma amansada. as birras terríveis dos 12 aos 17 meses foram diminuindo conforme ele ganhou confiança e aprendeu que o mundo não iria acabar se o que ele quisesse não acontecesse.
    elas ainda acontecem, claro, mas mais raramente e geralmente em momentos críticos de sono e fome;
  • tem 13 dentes (eis que surge o primeiro canino!);
  • adora quando passamos fio dental em seus dentinhos, mas quer escovar sozinho, do jeito dele. e ai de nós se tentarmos interferir;
  • tá o rei da coordenação motora. sobe e desce da maioria das coisas com maestria. a novidade é que agora ele quer seguir carreira solo no parquinho: escorregador tem que ser sozinho, tanto pra subir quanto pra escorregar. e às vezes ele inventa que quer subir pelo escorrega e descer pela escada. vá com calma, pequeno!
  • começou a conjugar alguns verbos. dormir, por exemplo, pode ser flexionado para dormindo ou dormiu.
    ex: totó miu (o tov dormiu).
    mas pra mim a melhor frase de todos os tempos foi um dia em que o hilan se debruçou com um lápis sobre o papel e o benjamin me solta: u papai tá dedeiano. morro!
  • está alucinado por pinguins, ou pepin, ou pinpin. tudo que tem pinguim ele pipira e fica: pinpin! pinpin! ó, mamãe! pinpin! e arregala o olho e abre as mãozinhas e enlouquece.
    aliás, acho engraçado como eles ficam obcecados por algo por um determinado tempo e depois esquecem que aquilo existe;
  • também alucinou pelo buzz lightyear. ele encontrou uns brinquedos antigos do toy story que eram meus (sim, eu sou fã) e apaixonou pelo buzz. o , como ele gosta de chamar, é o novo tov quando o assunto é chamar ou desviar sua atenção, seja pra fazê-lo parar de chorar, distrair de algo perigoso e por aí vai;
  • tá com uma mania de fazer as coisas e chamar nossa atenção para vermos seu desempenho. faz alguma coisa que acha interessante e diz: ó! mamãe, ó! abrindo as duas mãos e arregalando os olhos, surpreso e orgulhoso de si mesmo.
    e claro que eu entendo esse orgulho, porque é só o que eu sinto por ele: muito orgulho e muito amor!
  • e o gesto do ó é muito parecido com o do cadê. só que o do cadê é ainda mais exagerado. ele faz, treme as mãos, trava os dentes (igual o daquela foto) e treme a cabeça. parece que ele faz uma força imensa pra tentar descobrir cadê. é muito engraçado!
  • e agora ele também está obcecado pela brincadeira do cadê. tudo ele cobre e pergunta cadê. o problema é que às vezes ele cobre bem mal coberto. tipo brincadeira de preguiçoso. mas em geral ele esconde tão bem que realmente não daria pra achar se não estivéssemos vendo;
  • e essa brincadeira de esconde-esconde não tem fim. na verdade está mais pra guarda-guarda. não pode ver uma caixa ou sacola que já sai guardando tudo que vê lá dentro. eu aproveito pra incentivar ele a recolher a bagunça, guardar os brinquedos e jogar as coisas no lixo;
  • além de adorar empilhar as coisas (mania que já tem há alguns meses), a nova moda é enfileirar os objetos. vai colocando um ao lado do outro, sempre da esquerda para a direita, formando uma linha quase reta. claro que tem que ser objetos semelhantes, como uma fileira de carros, de formas geométricas e por aí vai
  • e também é o bebê faxineiro. quer limpar tudo com um paninho. tá que ele já fazia isso antes, mas é que agora ele ganhou uma pá e uma vassourinha. apesar dele mais espalhar a sujeira que ajuntar, já vale pela ajuda, né?
  • é alucinado por barba. qualquer homem, parente, amigo, desconhecido na rua que tenha barba, automaticamente vira seu amigo. claro que não adianta ter barba se ele não puder passar a mão.
    se usar óculos, melhor.
    se tiver barba, óculos e chapéu, será seu bff eterno (só não serve o papai noel, que ele morre de medo);
  • outra coisa que ele adora é cocô e xixi. isso. não pode me ver sentar no vaso que já começa: mamãe! cocô! tití!
    e aí todo vez que a gente vai ao banheiro ele já começa cocô e tití. tití e cocô!
  • está muito carinhoso, distribuindo beijos e abraços gratuitos. mas também se ele não quiser dar, não insista que não vai conseguir nada;
  • também pede pra gente beijá-lo quando machuca;
  • ainda toma uns tombos servidos, mas está menos desastrado, mais safo. desvia das coisas, agacha, rasteja, passa por cima. um dia ele se meteu em um emaranhado de fios perto da tv que achei que não fosse sair. depois que fui ver que era uma brincadeira, um circuito imaginário: ele passava por debaixo da cadeira, ia pra trás dela, passava por cima de um fio, por baixo de outro, dava a volta, saía e começava tudo outra vez. tirei o fio da tomada e deixei ele continuar o que estava fazendo;
  • aliás, que tormento as tomadas! ele aprendeu a colocar as coisas na tomada, já imaginou o perigo? um dia desses eu ouço o ventilador ligar sozinho. veja bem: usamos o ventilador só de vez em quando, por isso ele fica desconectado. o benjamin tinha plugado, ligado e estava lá todo feliz: ó, mamãe! ó!
    nessas horas o coração gela, passa tudo na nossa cabeça, mas mesmo assim, lá vou eu muito séria e serena explicar que não pode mexer na tomada. desse dia em diante ele arrumou uma fixação por elas.
    fala: “mada naum! dodói!” e mexe do mesmo jeito. ai, meu são jesuisinho!
  • tem uma lógica matemática curiosa. antigamente, 2 significava uma coisa em cada mão. ele sempre chamou de dua(s). era a forma dele de contar as coisas. aí começou a contar o três também. no começo contava certo. aí de repente o três virou um jeito de expressar grandes quantidades. tudo que ele acha muito, já fala tei! e faz uma cara super feliz, como se tivesse descoberto o mundo;
  • deu pra falar em terceira pessoa (tei!). ele faz alguma coisa e depois bate a mãozinha no peito e diz memein (antes era bebein, mas de uma semana pra cá mudou).
  • usa isso também pra tentar descobrir quem faz/não faz, tem/não tem as coisas.
    começa assim: “titio, baba” (como quem diz: o titio tem barba). aí pergunta: “papai?” e eu respondo: papai tem. “mamãe?” mamãe não tem (mas bigode sim. ahahah). “tóti?” tov meio que tem. “memein?” benben não tem.
    ou “papai, balo” (papai vai pro trabalho). “mamãe?” mamãe não vai. “uóuó”?  vovó vai. “tóti”? tov não vai. “memein?” benben não vai.
  • se a gente pergunta “qual é o seu nome?” é provável que ele responda memein, memin ou min.
  • gosta de identificar o que é de quem, e o faz muito bem. pega o sapato do hilan e fala “papai”, a minha blusa e fala “mamãe”, o brinquedinho do tov e fala “tóti”;
  • também já percebeu meninos têm pênis e meninas têm vagina (ou melhor, que não têm pênis).
    como tomamos banho com ele, usamos o mesmo banheiro e por aí vai, ele já cansou de ver nossas coisas. até que um dia no banho ele olhou pra mim, olhou de novo e perguntou: pinto? e fez aquela cara de cadê (que eu mencionei acima). eu expliquei que a mamãe não tem. aí ele apontou pro dele: bebein (na época era com b mesmo). e expliquei que benben tem, papai tem, tov tem e mamãe não tem.
    depois conversando na cama, na hora de arrumá-lo pra dormir:
    - o benben tem pinto?
    - tim! – acenando positivamente com a cabeça.
    - o papai tem pinto?
    - tim!
    - e a mamãe?
    - mamãe não – respondeu prontamente com convicção.
    depois de uns dias ele percebeu novamente, conversamos sobre isso outra vez e assim vamos.
  • come sozinho.
    não posso dizer que está mais bagunçado do que antes, porque ele sempre fez lambreca pra comer, pois eu sempre deixei ele meter a mão no prato. então arrisco ao dizer que agora ele está mais comportado, porque pega com a colher e leva à boca direitinho, sem derrubar. e também espeta com o garfo, como já fazia antes.
    semana passada eu me enchi de orgulho, pois deixei o prato da janta cheio, entreguei a colher e fui lavar a louça. daqui a pouco ele começa a gritar tuta! tuta! pedindo por fruta, que é a sobremesa. quando fui ver, ele tinha rapado o prato, sem derramar nada (e nem jogar o prato no chão, como de costume). eu perguntei: “benjoca, você comeu tudo?” ao que ele responde: mi tudo!
    claro que eu entupi ele de fruta (e de beijos) depois disso, né?

 

e se você for a um restaurante onde os garçons tenham sido treinados pelo benjoca, saiba como fazer o seu pedido:

  • ába – água
  • bapapa – batata
  • bobo – babador
  • bôlô – bolo
  • copo – copo
  • dedé – colher
  • mamama – banana
  • mamaum – mamão
  • mê – comer
  • menina – melancia
  • oi – arro(i)z
  • paum – pão
  • peia – pêra
  • tádi – carne
  • tedaum – feijão
  • têdi – sede
  • tetia – lentilha
  • tôto – biscoito
  • tuta – fruta
  • tuto – suco
  • tutui – cuscuz
  • u-a – uva
  • teta – e quem pede teta num restaurante? só se for aqui:

(em comemoração aos 18 meses do dia 22/02/12)

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10 de dezembro

dicas de presentes para papais e mamães

por luíza diener

sua amiga está grávida e você não sabe com o que presenteá-la?
vai visitar um recém nascido e não tem ideia do que levar para os pais?
chá de bebê, amigo oculto da firma (e você tirou uma gestante que nunca falou direito), natal em família?

seus pobrema se acabaram-se!

chegaram os novos, os revolucionários, incríveis e cheirosos produtos potencial gestante!

todos feitos pelo meu lindíssimo (e esperto. rá!) marido!

pega uma carona nessa cauda de cometa e vem comigo conhecer as novidades!

 

bottons mamãe de primeira viagem

apenas R$ 15,90 o pacote com 4 bottons!

bottons papai de primeira viagem

apenas R$ 15,90 o pacote com 4 bottons!

a roleta da obrigação

bebê chorando no meio da noite? hora do banho? hora da papinha? trocar a fralda? chega de empurra-empurra! deixe a roleta decidir por vocês.

um ótimo presente pra quem quer dar aquela indireta pro maridón.

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02 de dezembro

será alergia?

por luíza diener

tudo começou com apenas 6 meses.

eu ofereci cenoura ao benjamin logo nas primeiras papinhas e observei. 2 dias depois ele apareceu cheio de pontinhos vermelhos ao redor do pescoço e na área genital. suspendi por uns dias. voltei a oferecer e as bolinhas apareceram outra vez.

depois foi a vez da beterraba. a mesma coisa, um pouquinho mais forte.

com 8 meses eu dei os dois novamente. meu erro foi dar um seguido do outro, com diferença de apenas 1 dia. mas não percebi e não observei.
poucos dias depois ele apareceu com os tais pontinhos na virilha. pensei que estivesse assado ou com alergia à fralda, mas percebi que ele não estava com as bolinhas só no bumbum, mas também na cintura. depois acabou irradiando por todo o tronco, barriga, pescoço, nas costas inteiras. até o sinalzinho da vacina, no braço, ficou bem vermelho, cheio de bolinhas e
inchado. embaixo da boca também ficou vermelho e áspero. no dia seguinte a alergia subiu pelas bochechas e dentro das orelhas e, por fim, atingiu as coxas e a sola dos pés.
suspeitaram de roséola, mas ele não teve febre (e veio a ter roséola de fato 1 mês depois). realmente, era bem parecido.
observei outros fatores e concluí que somente a beterraba poderia ter causado tamanho estrago.
suspendi ela de vez.
conversei com a pediatra dele, que me apoiou.

perto de completar 1 ano foi a vez do glúten.
eu já havia dado pão francês para ele, mas era sempre pouco, menos da metade. eu notava umas poucas bolinhas ao redor do pescoço, mas pareciam inofensivas, por isso continuei.
aí fomos a um chá de bebê. ele já havia comido meio pão pela parte da manhã.
o chá de bebê foi à noite. ele foi de colo em colo e, como ainda tinha uma alimentação restrita, liberei que dessem torradinhas a ele. acontece que toda hora que eu o via, estava com uma torrada na mão e a boca cheia. perdemos as contas de quanto ele comeu.
a reação foi rápida: no dia seguinte ele estava com um colar de alergia. totalmente vermelho e pipocado ao redor de todo o pescoço. subiu um pouco para o rosto e dentro das orelhas.
no bumbum, assou e pipocou exatamente onde ficava o cocô e embaixo do saco. passou quase uma semana assim.
conversei com a pediatra na consulta seguinte e ela disse que poderia ser glúten. até então eu achava que era somente a farinha de trigo, mas aconteceu dele comer outros alimentos com glúten e sem trigo e a reação foi semelhante, mas menos intensa (devido à quantidade).
e lá se foi um item importante na alimentação do pequeno.

nesse meio do caminho ele também reagiu ao tomate e à berinjela. a berinjela foi bem pior, mas os dois atacaram tanto quanto (ou até mais que) a cenoura.

e finalmente foi a vez do leite de vaca.
ah, e esse é o mais chato, com certeza.
era uma coisa que eu já desconfiava há tempos. mas como ele nunca tomou leite diretamente (apenas através do leite materno), eu teria que cortar somente da minha dieta. e tudo que fosse derivado lácteo. e como isso sempre foi muito difícil pra mim (viciada assumida), nunca consegui completamente.
a pediatra não tinha liberado o leite de vaca na alimentação dele justamente por já ter manifestado outras alergias.
até que um dia, por algum motivo que eu não me lembro, resolvi tomar coragem e fazer isso pelo meu filho. ele estava com 1 ano e 1 mês.

eis minha retrospectiva:
os primeiros 3 meses de vida do benjamin foram de cólicas intensas. tentei tirar leites e derivados pra ver se alterava alguma coisa, mas as cólicas continuaram. nisso a pediatra descartou intolerância à lactose (que é diferente de alergia à proteína do leite da vaca) e liberou o leite gradualmente (só depois eu percebi que cortei apenas os leites e derivados e não observei o rótulo de nada).

com 4 meses ele teve uma assadura felomelal, que durou quase 1 mês. eu tentei pomadas diferentes e só a bepantol deu jeito. mas era só ficar sem pomada que voltava. depois de um tempo nem a bepantol resolvia mais.
por sorte ele passou a usar fraldas de pano e as assaduras melhoraram bastante, até sarar.
volta e meia ele tinha recaídas e eu precisava voltar pra bepantol.

ele também sempre regurgitava/golfava bastante, mas foi diagnosticado refluxo fisiológico. nada para se preocupar, visto que aquilo não parecia doer e ele continuava a ganhar peso e desenvolver-se normalmente.
todo mudo dizia que quando ele começasse a comer melhoraria. é fato que deu uma diminuída, mas as golfadas continuaram.
na consulta de 1 ano eu perguntei à médica se era normal ele golfar até essa idade e ela disse que não tinha problema.
mas aquilo começou a me incomodar, até mesmo a me irritar (toda vez que mamava, ele golfava. e ficava tudo sujo e com um fedorzão azedo).

além do cocô sempre mole. raras foram as vezes que ele fez um cocozinho normal, daqueles soltinhos na fralda. era aquela coisa pastosa, fedorenta, que sempre grudava tanto na fralda quanto no bumbum dele.

ele passou três meses com uma alergia respiratória sem fim: nariz escorrendo, tosse, pulmão com catarro. na verdade, era catarro pra todo lado. parecia mesmo uma bronquite alérgica. ele passou a tomar remédios pra alergia e até uma bombinha pra asma.

resolvi testar sozinha. suspendi todo e qualquer leite e derivados. qualquer coisa que pudesse ter não somente traços de lactose, mas também de proteína do leite da vaca (essa tabela me ajudou um bocado).

e ele melhorou. gradualmente parou de golfar, o cocô ficou mais firme (e até em bolinhas, gente!) e a pele voltou ao normal.
catarro? que catarro? remédio pra asma? guardei aonde?

o problema é que volta e meia eu como alguma coisa que contém qualquer porcaria com a proteína do leite sem me tocar e só vou perceber dois dias depois, que é quando ele costuma reagir. a primeira coisa que eu percebo é uma mudança na consistência do cocô. em seguida ele assa justamente onde o cocô encosta. depois ele passa a regurgitar, geralmente após as mamadas.

na última consulta à pediatra contei todo o caso e ficou bastante claro que o que ele tem é alergia à proteína do leite da vaca (APLV), que é diferente de intolerância à lactose.

nisso, muita coisa mudou na minha alimentação desde que foi constatada a tal alergia (conversamos com a pediatra e ela instruiu pra que eu continuasse a minha dieta restritiva):

  • o leite de vaca foi substituído por leite de grãos: leite de arroz, de aveia, de soja, de castanha, amêndoas, etc. não posso consumir nenhum outro leite de origem animal como de cabra, ovelha, de burra. até os leites com baixo teor de lactose estão proibidos;
  • pão francês virou meu aliado nº 1. mas há vários pães industrializados que não contém nada de leite e são encontrados em supermercados comuns;
  • aprendi na prática que porque “não contém lactose”, como a embalagem diz, não quer dizer que não vá conter traços de leite. por conta disso eu preciso ler e reler os rótulos. e pra isso eu preciso ter um conhecimento prévio. por exemplo, você sabia que a caseína vem do leite, contém a tal proteína e, portanto, pode causar alergia?;
  • comecei a me tapear procurando algumas alternativas. além do leite que não é leite, tem o pão de queijo sem queijo, o cream cheese de soja, o requeijão de banana e mais outras invencionices humanas. mas toda vez que eu como só consigo pensar: “a quem eu quero enganar?”;
  • minhas melhores amigas viraram a culinária vegana e a kosher parve.  a vegana não utiliza nada de origem animal e a kosher parve (mas tem que ser parve, ok?) não leva nada que contenha carne ou leite, mas pode conter ovo. ambos possuem selos que vão em algumas embalagens de produtos industrializados. tenho achado com mais facilidade o selo kosher parve (quando tiver a oportunidade, procure numa embalagem do sucrilhos kellogg’s, por exemplo, que vai saber do que eu falo).
    e daí que se me disserem “ah, tal restaurante é vegano” eu sei que posso comer de olhos fechados. uma pena que não exista nenhum estabelecimento kosher por aqui (não que eu saiba), porque eu iria deitar e rolar;
  • precisei riscar da minha lista muitos restaurantes e deliveries. isso porque grande parte dos funcionários não sabe dizer se os alimentos levaram leite e derivados no seu preparo ou não. várias vezes já perguntei: “isso leva algum derivado de leite?” e o funcionário disse algo do tipo “não, foi feito com manteiga (ou margarina)”. ou então “ah, qual salgado você tem que não leva leite?” e então ouço a clássica resposta “pão de queijo”. como confiar?
    até mesmo alguns alimentos que erguem a placa “sem lactose” podem levar algum substituto que contenha caseína, soro de leite, leite em pó e por aí vai;
  • o jeito é comer em casa mesmo e fazer a maior parte das coisas por conta própria;
  • e claro que precisei correr pra uma nutricionista, pra garantir que eu não suma minha alimentação continue ok mesmo com isso tudo.

e aí você pode perguntar: “luíza, não é mais fácil você suspender a amamentação dele?” não!
quer dizer, pode ser bem mais fácil pra mim, mas pra ele é muito pior, visto que ele tem todas essas outras restrições alimentares e que muitas coisas que eu uso pra complementar minha alimentação não poderiam ser incluídas na dele, como amendoim, castanha, aveia, soja e outros alimentos com forte potencial alergênico.
ele precisaria entrar com algum leite especial caríssimo pra suprir a falta de leite e mais outros complementos alimentares e vitamínicos, visto que nem só de gordura e cálcio é feito um leite materno.

ou seja, eu faço o esforço por ele.

na verdade, falar sobre alergias é sempre um assunto bastante extenso e eu diria até polêmico.
por exemplo, quando eu falo da aplv, muita gente ouve só o “leite de vaca” e imediatamente confunde com intolerância à lactose. mas são duas coisas distintas e eu faço questão de ressaltar.
(quem quiser mais informações é só clicar aqui)
isso porque já vieram me dizer “ah, meu filho também tem isso! pode dar iogurte pra ele” ou “ah, becel não tem lactose! pode comer tranquila”. se eu não tivesse me informado antes, teria dado o iogurte pro benjamin e lascar-se-ia tudo.
e como de qualquer maneira eu não daria creme vegetal ao meu filho, ele não comeu a tal becel. mas eu comi de olhos fechados e ele passou uma semana inteira golfando, com diarreia, com feridas na pele e eu que nem uma boba sem nem imaginar o porquê. só depois que me toquei a causa: continha aroma de manteiga. apesar de ser aroma artificial, tenho certeza que alguma coisa ocasionou. suspendi e melhorou.

também já me perguntaram se eu fiz algum teste pra diagnosticar a aplv.
sim. fiz o teste de desencadeamento, que consiste na observação da reação do paciente à retirada do leite de vaca e derivados com posterior reintrodução desses alimentos.
e só.
fez exame de sangue? não. fez algum teste na pele? também não.
na idade do benjamin – com 1 ano e 3 meses – e com o tipo de alergia que ele tem, esses testes não são tão precisos. eles podem dar um falso negativo. além disso, são todos muito estressantes pro bichinho, que já é traumatizado com agulhas e coisas do gênero.
e se desse negativo, iria mudar o fato de que a ingestão de leite faz mal pra ele? não.
então continuaremos assim.

a minha esperança é que melhore com o tempo. li que em 90% dos casos, a aplv – bem como outras alergias alimentares – some antes que a criança complete 3 anos.

e enquanto isso nos viramos como podemos.

para maiores informações, não deixe de ler:

www.alergiaaoleitedevaca.com.br
http://www.semlactose.com/

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