25 de abril

8 meses

por luíza diener

gente, nosso cori cori já está com oito meses (completou sexta passada).

está cada vez menos bebezinho e cada vez mais parecendo uma criancinha. é uma delícia vê-lo crescer!

conquistas do sétimo mês:

  • está tridente. o terceiro dentinho nasceu semana passada. parece o chico bento;
  • já ensaiou umas mordidas no meu peito. ele tava mamando e pegando no sono e nisso apertou o mamilo entre os dentes. não sei se chegou a ser uma mordida porque não chegou a doer, foi mais como um beliscão (acredito que a mordida em si doa horrores). eu disse “ai” pra ele nas três vezes que isso aconteceu e ele não voltou mais a fazer;
  • numa sequência de 2 ou 3 semanas, ele aprendeu a sentar-se sozinho, a rolar para os dois lados e, por último, a engatinhar daquele jeito peculiar dele, só que agora na velocidade nº 3;
  • foi só começar a engatinhar pelo chão que ele pensa que pode engatinhar na vertical também. quer escalar tudo que vê pela frente. os preferidos são os móveis e a perna da mamãe;
  • tivemos que abaixar o estrado do berço lá embaixão, porque agora ele quer ficar em pé segurando na grade do berço;
  • aliás, a coisa mais engraçada é quando ele acorda no meio da noite aos prantos porque sentou ou ficou em pé no berço (na verdade, ajoelhado), mas quer continuar a dormir. tipo um baby-sonâmbulo;
  • nas suas engatinharrastanças, quer pegar tudo que vê: fios dos aparelhos eletrônicos, sapatos e chinelos, roda do carrinho, escalar o cadeirão, roupa suja no chão (inclui cuecas, calcinhas e meias usadas), brinquedos do tov e, claro, o próprio tov. onde que tudo vai parar? na boca, obviamente;
  • por conta disso, muitas coisas tiveram que subir para as superfícies superiores. outras não têm jeito e agora o benjamin já sabe o que significa não e fica testando pra saber o que pode e o que não pode. exemplo disso são os chinelos. ele pega os chinelos e já olha pra mim fazendo bico. uma vez ele pegou o chinelo e começou a chorar seu eu falar nada;
  • está cada vez mais materno-esquizofrênico. ele pode estar divertindo-se horrores com outras pessoas, mas é só eu aparecer que começa a birra;
  • falando em birra, quando resmunga, ele fala nanananananana alta e incansavelmente;
  • tá um grudezinho comigo. óbvio que eu estou amando isso. mas por outro lado, em outros momentos está um pentelho cinco estrelas! eu sei que mães em geral só falam bem dos seus filhos, como se eles fossem perfeitos e o erro fosse só nosso (ou dos outros, né?), mas sério. tem hora que ele me dá nos nervos;
  • já bate palmas com as duas mãos abertas (antes era palminha de judeu), especialmente – obviamente – quando cantamos parabéns;
  • não pode ver a gente bater palmas que quer acompanhar;
  • empolga-se com feitos ou músicas animadas e fica balançando e aplaudindo. fofo;
  • na empolgação, também sacode os braços que nem um frango;
  • no berço, segura a grade e se balança que nem um gorila na jaula;
  • está super sociável. vai no colo de todo mundo sem estranhar quase ninguém;
  • além disso, desenvolveu uma risada social. se as pessoas riem, ele às vezes retorna com um rá-rá-rá bem forçadão;
  • quando gosta muito de algum objeto ou pessoa, faz um sorriso de bichinho, que nem leãozinho;
  • a-do-ra brincar de cadê-achou, seja com a gente se escondendo, seja tampando a cara. se a gente coloca um pano em cima da nossa cabeça ou da dele, ele puxa imediatamente;
  • a novidade é que ele tá aprendendo a esconder-se também. quando a gente fala “cadê?” ele enfia a cara no colchão/travesseiro, escondendo o rostinho. a coisa marlinda do praneta! é bom demais ver que ele tá tão brincalhão e interativo;
  • está hiper observador e vê coisas pequenas como um pedacinho de comida fora do prato, uma sujeirinha no chão e pintas no nosso corpo. ah, as pintas! está obcecado pelas minhas, especialmente uma perto do ombro que ele tem acesso tanto enquanto mama como quando toma banho comigo no chuveiro. fica cutucando com o dedinho indicador. e ele já aprendeu que aquilo se chama pinta;
  • entrou no rio pela primeira vez;
  • virou um draguinho. traça tudo que dermos pra ele comer. frutas, ele come no mínimo uma inteira: 1 manga, 2 peras, 3 bananas e por aí vai;
  • ainda faz careta, mas come todo o almoço e janta. está comendo mais do dobro da papinha salgada, o equivalente a um potinho e meio daquele vidrinho pequeno da nestlé;
  • os vegetarianos que me perdoem (e respeitem), mas ele a-do-ra frango. a mesma papinha sem frango parece não ter a mesma graça. já o fígado do mesmo bicho não é lá muito atraente. ele come, mas dá pra notar que ele não gosta muito;
  • “mastiga” todas as comidas, mesmo que não tenha dente suficiente pra isso. às vezes mastiga ate aquelas comidas papentas sem quase pedaço nenhum;
  • descobri que ele odeia azeite. foi só tirar o azeite da papinha que ele passou a comer tudo. vou procurar um substituto à altura. sugestões?;
  • deu reação a dois vegetais que ele ama: beterraba e cenoura. toda vez que come fica com umas placas grossas e vermelhas no rosto. morro de dó. nisso ele tá só na abóbora. sugestões também?;
  • não sei se é por causa do jantar, por estar gastando mais energia engantinhando ou os dois (ou nenhum deles), mas ele está dormindo bem melhor à noite: dorme umas 19h30, acorda naturalmente umas 23h pra mamar e, depois disso, só umas 5h ou 6h. e ainda tira mais uma soneca de 1h depois disso (olha eu jurando que isso é dormir a noite inteira);
  • brinca sozinho que é uma beleza. às vezes ele acorda e eu, grogue de sono, não levanto prontamente. aí eu só ouço ele conversando e brincando no berço. já chegou a ficar quase uma hora assim;
  • quando está no chão, também brinca bastante sozinho, mas chega uma hora que ele começa a me seguir pela casa, igual a um cachorrinho. eu paro, dou um colinho, brinco um pouco. algumas vezes ele satisfaz-se com isso e volta a brincar. se não, em geral é sinal de fome ou sono;
  • é um senhor tagarela. bate altos papos com tudo. mas o mais engraçado é que ele tem uma conversinha diferente com seus brinquedos. ele fala um baixinho, enquanto que com a gente é uma sequência de sílabas em alto e bom tom. pode prestar atenção: se estiver calado demais aí tem;
  • deu pra fazer vários barulhinhos não silábicos com a boca. um deles é uma mistura de beijinho com locomotiva de bolinha de sabão. ele sai engatinhando e fazendo poc poc poc com a boca. outro é um barulho estalado que ele faz com a língua. o terceiro parece um mini gargarejo de baba;
  • falando em barulhinhos, aprendeu a fazer indiozinho árabe. uma vez fizemos este video, ele assistiu e imediatamente passou a fazer sozinho, com a própria mão. agora virou um jeito de livrar-se do tédio ocasional ;
  • teve sua primeira febre, por conta da última vacina que tomou. 38,6º C madrugada adentro que só baixaram depois de um banho morno quase frio. ainda bem que a próxima vacina é só quando ele fizer 1 ano.

pra quem quiser ver mais fotos e vídeos do nosso pequeno, cliquem abaixo:

categorias: Tags:, , , benjamin, mês 6-9

assine nosso feed ou receba por email
08 de novembro

Um mundo maravilhoso

por hilan diener

Se você ainda não é pai ou mãe ,vou te contar um segredo: Existe um mundo paralelo, muito mais bonito, mais limpo, mais fofo, bem pertinho de você.

Estou falando dos fraldários, estes lugares que antes pra mim eram apenas pictogramas nas placas dos shoppings e hoje foram elevados ao status de OASIS moderno!! Fundamental para a minha vida e da minha família!!

Como seria lindo se em todo canto houvesse um fraldário. Os fraldários são silênciosos, calmos, plácidos, mesmo no caos de uma véspera de natal em um shopping. Se a Luíza me chama para ir na sorveteria eu penso: “tem fraldário?” Acho que até em posto de gasolina tinha que rolar um oasisbaby desses! FRALDÁRIO É O NOVO PRETINHO BÁSICO! todo mundo tem/tinha que ter!

A Espera de um milagre

Enquanto a mamãe dá de mamar para o bebê, o que o papai faz? observa e compara. claro!

“Nossa olha aquele carrinho! Que gigante! O cara deve ter uma camionete para carregar isso”

“Meu Deus, este fraldário é maior que o meu apartamento e mais bonito também!”

“Fraldas, lenços umidecidos, talco, tudo de graça?!” seu murrinha!

Outra coisa que rola são umas olhadas de cumplices entre os pais. Olho para os pais e vice versa.  Todos sabem o que estão pensando respectivamente. É o inconsciente coletivo paterno de fraldário.

Eis o que passa na cabeça de todos ao mesmo tempo:


“Ufa! ela está lá dentro dando de mamar, segura. Eu posso ficar aqui de guardião de carrinho, tomar água e ler uma revista.
PAZ!” eeeeeee amo fraldário! E ainda por cima é grátis!

Fiz um vídeo, depois da sessão do cinematerna:



categorias: Tags:, , , bebelândia ou não, benjamin, mês 0-3, pai feito, vídeos

assine nosso feed ou receba por email
27 de agosto

meu parto

por luíza diener

pediram relato do parto. bem, o resumo já foi dado. esse daqui é pra quem gosta de ler mesmo. e de ler os detalhes sórdidos e escatológicos.

minha intuição sempre foi de que o benjamin nasceria em agosto, não em setembro, conforme previsto.
as ecografias sempre acusavam uma semana a mais e minha médica, sempre que me examinava, dizia que o bebê nasceria antes da data prevista, que era 10 ou 11 de setembro.

aconteceu que quando estava quase completando 36 semanas a médica me examinou e disse que minha barriga estava bastante alta ainda e que deveria nascer lá pra 7 de setembro. ok.

quarta, 18 de agosto: é aniversário da minha irmã.
até então eu tinha bastante contrações (desde o 6º mês), mas sempre sem dor.
durante a comemoração do aniversário sinto algo bem parecido com uma versão light de cólica menstrual (porque as minhas sempre foram punks): um incômodo na lombar e uma dor no baixo ventre.
até comentei com o marido: acho que agora o benjamin tá descendo.
passa a dor, passa o dia e na noite de quinta, 19, sinto a mesma dor outra vez.

sexta, dia 20 à noite, a dor volta. passa. volta. sempre acompanhada de um endurecimento da barriga.
por puro desencargo de consciência resolvo verificar se as contrações são regulares. mais ou menos: às vezes demoram 15 minutos para voltar, outras 10 e de repente somem as dores e fica só aquela barriga dura.
separo umas roupinhas que havia comprado/ganhado naquela semana pra lavar no dia seguinte.

sábado, 21. acordo, lavo a primeira maquinada, estendo. passo o sábado passando roupinhas e separando por tamanho. lavo a segunda maquinada e já é fim do dia quando estendo. a típica dor na costela + dor na lombar. amanhã eu passo o resto.

domingo, 22 de agosto. cólica vai, cólica vem, barriga que endurece.
durmo até tarde e, depois que acordamos até comento com o marido: já pensou que esse pode ser nosso último fim de semana assim? isso porque eu estou apenas com 37 semanas.

13h: vamos almoçar na casa do meu avô.
comento que estou sentindo essa cólica chata e decido deixar de ser besta e metida a resistente e ligar pra minha médica pra saber se posso tomar algum remédio. ela está de plantão em um hospital e me chama para dar um pulo lá pra me examinar: “2 a 3 cm de dilatação. seu bebê pode nascer em até 72 horas. quem sabe mais”.

16h: saio do hospital com a sensação boa de que logo terei meu bebê nos braços.
passo na casa da minha mãe, pego uma mala maior, volto pra casa e começo a resolver um milhão de coisas: roupas na gaveta, as que faltavam passar, separar por tamanho, fechar a mala do benjamin e a minha.
mas as contrações vão ficando cada vez mais frequentes e compassadas.

18h40: decido marcar o intervalo entre as contrações: 2 a 3 minutos entre cada uma, com uma duração de 25 a 30 segundos. tomo banho e durante o banho percebo que não consigo fazer nada na hora das contrações: toda vez que elas vêm eu tenho que parar o que estou fazendo. a melhor posição é agachada (de cócoras).
tento ligar pra uma doula (que ainda estava pendente) pra ver se ela pode me acompanhar. não quero ir ao hospital à toa. ela está em um curso e disse pra eu ligar por volta das 20h.

20h: doula ainda no curso. só sairá umas 21h. a essa altura do campeonato as contrações já incomodam bem mais. ligo então pra médica e informo: contrações de 2 em 2 minutos com duração de 30 a 60 segundos cada.
ela pergunta: “dói muito?” e eu “não. dá pra aguentar”. ela diz que eu posso esperar um pouco mais então (nas consultas eu deixei bem claro que não queria ir pro hospital pra ficar de molho por horas e ela acabar induzindo meu parto. por isso ela me fez esperar mesmo e eu achei foi bom).

21h: “alô, doutora? acho que tá doendo muito” “tá bem, luíza. vai pro hospital e pede pro plantonista te atender. avise a ele que eu irei em seguida”.
mala pronta, aproveitamos pra pegar o bebê conforto e outras coisas. vai tudo pro carro.

21h40: o médico de plantão me atende: 8 a 9 centímetros de dilatação: “sua médica já está vindo? liga pra ela vir que eu já vou te encaminhar pro centro obstétrico”.
“é agora”, pensei.
subo na cadeira de rodas e me sinto chique. nunca me internei, muito menos fui carregada pra cima e pra baixo em uma cadeira de rodas.

daqui pra frente a noção de tempo fica distorcida.

vou pro centro obstétrico, pra sala de pré parto. parece que ninguém entende por que estou lá, visto que, quando as contrações não vêm, fica tudo bem. quando vêm, eu apenas respiro bem fundo e expiro como quem quer mandar a dor embora (nisso as aulas de ioga – apesar dos gases – me serviram bem). não consigo pensar na dor que sinto ou na pior que ainda virá. só penso: “o benjamin tá chegando! logo vou estar com ele!” e choro de alegria.
na sala tem bola, banquinho e sei lá o que mais, mas eu quero mesmo é ficar deitadinha.
chega o marido, fica bem quietinho do meu lado de mãos dadas: “ele tá vindo!”, digo.
vontade constante de fazer xixi. pra piorar, cocô também.
vou ao banheiro, volto.

a médica chega, faz o toque: dilatação completa, colo apagado. mas eu não to achando que vai sair agora. espera mais um pouco. posso ir ao banheiro? quero fazer cocô!
é normal mesmo. sinal de que o bebê tá quase saindo.
mas eu quero ir ao banheiro! tá, cuidado pra o bebê não sair na privada. tudo bem, melhor ainda! vou levar o marido pra aparar, tá?
volto pra sala de pré parto e a médica já mandou preparar a sala de parto.
aí me dá a louca (acho que vontade de que a coisa aconteça de fato) e pergunto se já posso ir. ok. lá vamos nós.

a sala de parto tem cara de tudo, menos de sala de parto. uma maca no meio dela, uma mesinha no canto, uma bola verde e uma daquelas luzes móveis de hospital que ficou apagada o tempo todo.
a maca inclina e tem uma barra na frente que dá pra segurar. legal!
e agora? o que eu faço? quando vier uma contração você faz força como quem vai fazer cocô.
li um livro dizendo que a gente não pode envergar as costas pra trás, senão atrapalha a passagem do bebê. tem que manter ela reta, como se tivesse uma linha puxando o umbigo pro teto. na verdade era essa força que eu tinha que fazer, mas fiz a do cocô mesmo. só lembrei de deixar a coluna reta e de respirar bem. nada de cachorrinho.
não lembro de mais ninguém na sala. não tem marido, não tem enfermeira. só a médica e eu. quer dizer, eu só lembro da médica porque ela faz questão de ser lembrada.
quando vinha a contração, ela enfiava o dedo na minha vagina e abria: “to vendo ele vindo! faz força!” e até agora a bolsa não rompeu.
eu queria que ela rompesse na hora dele sair, pra ajudar na passagem. e também ouvi dizer que têm mulheres que expulsam o bebê com bolsa e tudo, igual cachorrinho. mas claro que isso é uma péssima ideia pros médicos.
ela menciona alguma coisa sobre anestesia. pergunto se a dor das contrações pode ficar pior que isso e ela diz que não. então não quero. quero sentir o que está acontecendo. quero saber a hora certa de expulsar. me deixa!

se até a hora da expulsão eu era uma ovelha mansa, a rei leoa agora incorporou com força. quero ganhar sozinha. não quero a ajuda de ninguém. me deixa que eu vou saber o que tem que fazer.
mas a médica quer intervir. na hora da contração ela mete a mãozona lá dentro e aí dói pra cacete. “vai! força força!” e eu: “me larga! sai!” e começo a chutar ela. “não me encosta! isso dói!”.
briga vai, briga vem, ela pede pra estourar a bolsa. ai tá bom. vai logo. vamos acabar com isso.

parêntese: gente, se estourar a bolsa é válido ou não, eu não sei, mas achei demais! foi igual estourar um balão d’água gigante. claro que de onde eu estava não dava pra ver nada, mas eu só ouvi o tchááá do líquido no chão. foi uma diversão no meio daquilo tudo.

de volta à realidade, aí as contrações começaram a doer. e aí eu faço força pra valer.
é um berreiro só. quando ela me encosta o berro sai com vontade. gritei como nunca antes na minha vida e, apesar de me sentir um pouco acanhada, descubro que é a melhor coisa do mundo. não só o bebê estava desentalando vagina abaixo, como a dor foi desentalando goela acima. não só isso, parece que eu estou desentalando uma vida inteira. todo grito contido foi saindo corpo afora. e sai cocô, sai xixi e aquela cabeça começa a aparecer: “to vendo o cabelo dele! vai!”
mas logo em seguida: “ó, não vai passar sem corte. se não cortar, vai rasgar e vai rasgar de qualquer jeito. posso cortar?”
que jeito, né? eu não queria, mas vamos logo com isso.
e ela taca uma injeção local de xilocaína que não pega. cacete de agulha! aí ela fura de novo. juro. as agulhadas são piores que tudo. parece que não pegou direito, porque eu sinto ela me cortando. a vontade que dá é de dar um bicudo na cara dela e xingar de tudo que é nome. mas eu só grito e continuo fazendo força.
parece uma eternidade, mas acho que não fiquei nem dez minutos na sala de parto.
“ó, vou colocar este pano na sua barriga pra apoiar o neném.”
aí de repente força força força aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! é a cabeça saindo. o tal do círculo de fogo é um absurdo. uma dor enorme que dura pouquíssimos segundos “sai! sai! sai, menino!” e pluft! o bebê escorrega.
22h42, a doutora canta.

na mesma hora colocam ele em cima de mim, que fica só miando num choro baixinho.
meu deus! esse é meu filho! jurava que ia chorar, mas fiquei meio inerte, apenas admirando a coisa mais perfeita do universo que não é somente meu filho, mas esse milagre da vida.
cortaram o cordão e agora beijinho beijinho tchau tchau. lá vai ele pra pediatria.
ué, mas eu não ia dar de mamar? no curso do hospital disseram que ele ia direto ao peito. não, não dá.

enquanto isso ela me diz que a placenta está saindo. mas já? não era pra demorar uns 40 minutos? não a minha. a enfermeira começa a apertar minha barriga e eu não deixo. deixa que eu faço força e ela sai. saiu. deixa eu ver? ai que legal é uma placenta! um pedaço gigante de carne vermelha com um fio grosso e roxo pendurado.
tá ardendo lá embaixo.
hora de dar os pontos. lembrando que eu não tomei anestesia e aquela xilocaína não serviu de nada, eu consigo sentir cada agulhada. ai! para! tá doendo pra cacete!
tá bom, acabou! vai pra recuperação.

22h50: me deitam ali num lugarzinho próprio e cadê meu filho? tá na pediatria. fiquei anestesiada de tudo. o tempo parece se arrastar sem fim.
toda hora que olho no relógio parece que ele quebrou. o tempo pirraça.

na mesma hora que cheguei pro parto, outra mulher chegou pra cesárea. eu fui parir antes, mas ali, na recuperação, ela chegou um pouco depois.
os minutos se arrastam e eu to que ouço um bebê chorar.
daqui a pouco chegam com a filha dessa mulher e o pai está lá também. a filha dela mama e eu deliro entre o cansaço e a lucidez com a hora em que vou dar de mamar pro meu filho também.
o bebê continua chorando. não é o dela, é o meu.

23h e tanto: vejo o hilan chegando com o benjamin no colo e a câmera a tiracolo. me dá, quero tirar uma foto sua segurando ele. na foto ele sai com cara de bravo e diz: ele tá com fome.
ali deitada mesmo colocam meu filho no meu peito e ele começa a mamar.
senti como se eu tivesse feito aquilo a vida inteira. o momento que eu mais esperava chegou! meu filho tá mamando, sem problemas!
fico um tempo lá. já deu meia noite. agora eu posso ir pro quarto.
a motorista da maca é bem destrambelhada e me bate em cada porta que passa. mais um solavanco pra entrar no elevador e eu sei que estou chegando.
na ala da maternidade vejo um monte de enfeite de porta: beatriz, joão, sei lá quem. eita é mesmo! tinha isso!

me contaram que o benjamin nasceu roxinho, quase sem ar. também fraturou a clavícula direita. isso é comum no parto normal. tá bem. é só tomar cuidado que ele logo se recupera.

no quarto minha mãe me espera. depois chega a irmã. festa em família e parece que nada aconteceu. o maior bate papo e a gente tira fotos.
no dia seguinte me liberam pra levantar e eu posso tomar banho sozinha, cuidar dos pontos, me maquiar (sim, eu não abri mão da maquiagem).
logo logo to levantando e agachando. saio na terça de manhã.
como valeu a pena esse parto! é como quase nada tivesse acontecido. todos os incômodos da gravidez foram embora e estou novinha em folha!
não chegou a ser um parto natural, mas foi o meu parto. se não fosse minha médica, acho que teria sofrido mais ainda.


terça feira, 24:
tivemos alta. uma nova vida se inicia.

categorias: Tags:, , , , , , , , mês 0-3, por definir

assine nosso feed ou receba por email
26 de março

16 semanas e um pequeno abacate

por luíza diener

aê, bebê lanugo! as próximas semanas prometem muito para você!

na 16ª semana os bebês já começam a desenvolver unhas nos dedinhos do pé, couro cabeludo (mas ainda só no lanugo, essa penugenzinha que fica no baby) e sistemas respiratório e urinário em plenas condições de funcionamento. além disso, seu mini coração já bombeia 24 litros de sangue por dia.

por enquanto, a estimativa é que você esteja do tamanho de um abacatinho:  de 10 a 12 centímetros da cabeça até o bumbum, pesando quase 100 gramas. é tão legal te comparar a alimentos, né? dá vontade de te comer. a sorte é que você ja está dentro da minha barriga. ahahaha!

olha o que eu li no babycenter e achei engraçado: “tanto dentro como fora da barriga, bebês adoram brincar. o seu talvez já tenha descoberto seu primeiro brinquedo – o cordão umbilical -, que ele vai puxar e segurar para se divertir. às vezes ele pode apertá-lo a ponto de reduzir a quantidade de oxigênio que passa por ele, mas não se preocupe – ele não conseguirá apertar tempo suficiente para se prejudicar“. deve ser a cena mais fofa você fazendo isso!

nas próximas 2 ou 3 semanas você vai passar por um estirão e dobrar de tamanho e peso.

enquanto isso, a mamãe vem sentindo dores em tudo que é canto da barriga. essa preparação pro estirão pode ser uma das respostas pra isso, visto que, junto com você, o útero cresce um bocado também. e gases – muitos gases – estão fazendo da minha pança um tambor. foi mal que às vezes eu fico batucando e isso deve até ser incômodo pra você, mas tem horas que nem eu dou conta (além do mais, é ótimo ter um bongô na barriga.  aposto que você também gostaria).

essa semana fui à médica e parece que tá tudo ótimo conosco. eu já ganhei um pesinho a mais (uhul! 48kg!) e pude ouvir seu coração de cavalinho bater. coisa fofa! quer dizer, uma hora foi sinistro (parecia que tinha um alien dentro da minha barriga), mas já estou percebendo que bebês têm muito senso de humor.
também fui a uma nutricionista que me orientou como comer as coisas adequadas para você e pra mim.

a essa altura do campeonato, eu já poderia fazer a ultrassom pra descobrir seu sexo. acontece que, se fosse pra ir, teria que ser hoje e ando tão corrida que teria que matar trabalho pra isso. aí não dá. além do mais, semana que vem viajamos e eu que não quero ficar indo atrás de médico em lugar que eu não conheço.
o ideal é esperar até que voltemos a brasília e – aí sim – poderei fazer o exame tranquila e sem pressa. e é até mais garantido que eu possa ver alguma coisa, se você deixar.

não é que eu nao esteja ansiosa – estou super! – mas é melhor assim, né?

enquanto isso vamos matar todo o resto de curiosidade com esse segredo que, por enquanto, é só seu.

Related Posts with Thumbnails

categorias: Tags:, , , , , , , , , , amor, desenvolvimento da gravidez, eu gestante

assine nosso feed ou receba por email