13 de outubro

competição velada

por luíza diener

não está escrito nos manuais para mamães, nunca vi médicos falando sobre isso e ninguém nunca menciona isso abertamente. mas o fato é que quando você vira mãe, entra pra uma das maiores competições da história.

claro que tem aquele papo de que você é um campeão porque o seu espermatozóide foi o vencedor dentre milhões e blá blá blá, mas eu to falando é daquela disputa acirrada que só quem entra (ou pretende entrar) pra maternidade sabe.

começa na gravidez: “você levou quanto tempo pra engravidar? ah, eu engravidei na primeira tentativa!” ou “você engordou 12kg? pois eu engordei só 5kg e ainda fiquei mais magra, logo na primeira semana após o parto”. aí o bebê nasce: “3,215kg e 47 cm? o meu nasceu com 4,5kg e 53cm!”. bom pra você que conseguiu se arregaçar tanto. parabéns.

e não apenas as disputas numéricas de tempos, pesos e tamanhos, mas também de quem sabe cuidar melhor: “meu filho nunca chorou de fome assim. mas também, eu sempre dei o peito na hora que ele pedia”, “o seu reclama pra trocar fralda? pois o meu adora! chega dá gargalhadas!”.
e também o bebê do vizinho quer sempre ser mais verde que o nosso: “cólicas? meu filho nunca teve. um anjinho!” “o meu sempre dormiu super bem. com menos de um mês já dormia 8 horas seguidas durante a noite. eu nunca soube o que é passar a noite em claro”.

quando a coisa começa a ficar feia, sobra até pro marido: “nunca precisei botar pra arrotar. meu marido sempre faz isso pra mim!” e “banho? que isso! meu marido sempre faz ques-tão de dar. enquanto isso eu tiro um tempo só meu pra ler um livro ou simplesmente relaxar”.

mas o que mais me incomoda mesmo é que eu sei que sou mãe de primeira viagem e sei que ainda tenho muito o que aprender, principalmente com os mais experientes. mas o fato é que tem sempre uma parente, vizinha, faxineira, porteira, amiga da amiga da amiga pra te ensinar a cuidar.
de todos, o que me irrita de fato é: “seu filho tá chorando”. JURA??? eu não tinha ouvido! achei que fosse seu celular tocando! afinal bebê nunca chora por manha, porque quer mamar outra vez, porque tá com sono, porque quer colo. os bebês só choram quando já tentaram se virar sozinhos no máximo e deixam pra chamar a mãe só quando é necessário, pra não incomodar.

e eu tentando colocar meu filho na rotina (de um jeito bem mais flexível, mas tentando), às vezes tenho que deixar o menino chorar um pouquinho mesmo. não é crueldade nem nada, mas qual bebê acha mais confortável o berço ao colo da mãe? ou acha legal ter que esperar mais um pouquinho pra mamar sendo que só tem meia hora que ele se alimentou?
ok. talvez você não concorde com isso, mas tenho certeza que se você é mãe ou pai e decide cuidar seu filho de uma maneira x não vai querer que venha qualquer um querendo te ensinar o jeito y de educá-lo. estou certa?
até porque isso mexe com o ego da gente.

talvez você seja bem resolvido(a) ao ponto de achar lindo ter que ouvir todo santo dia um pitaco ou comparação de terceiros e ainda aceitar tudo com alegria. mas confesso: sou orgulhosa, tenho meu ego quase intocável e por isso não gosto de palpites abestados e muito menos de disputinhas descabidas.

se você é meu amigo ou amiga, sei que quando disser alguma coisa vai dizer de coração, ou assim espero. e eu aqui do meu ladinho também tenho que fazer a maior força pra não entrar nesse jogo bobo.
porque mãe é mãe e sempre vai achar seu filho a coisa mais linda e perfeita do universo.

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09 de março

Documentário: Criança a Alma do Negócio

por hilan diener

Por que seu filho sempre pede um brinquedo novo? Por que sua filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que seu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que você comprou a maquiagem para sua filha se ela só tem cinco anos? Por que seu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que você não consegue dizer não? Ele pede, você compra e mesmo assim.  Seu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

“Criança a Alma do Negócio” é um documentário que reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade.

A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Para os que já são papais: É esse exagero todo mesmo como mostra os videos? Conte sua experiência nos comentários!

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