19 de maio

um caminho sem volta

por luíza diener

92H

eram quatro da manhã quando acordei com o marido resmungando. disse que constança estava acordada desde as duas e que já tinha tentado de tudo para fazê-la voltar a dormir. juro que não ouvi; estava completamente capotada de sono.
peguei-a no colo e quase me vi também murmurando, algo como “o que foi dessa vez que a menina não quer dormir?” mas, ao invés disso, simplesmente exerci a atividade que mais tenho praticado nos últimos quase cinco anos: dei mamá.

ainda meio vesgona de sono, pensei em voltar a dormir, mas a cabeça começou a funcionar a todo o vapor. anotei as ideias no celular pra não esquecer depois e pra conseguir descansar a mente. desde então venho ruminando esses pensamentos juntos com outras coisas que ouvi na palestra da laura gutman no último sábado.

a chegada de um filho é um divisor de águas na vida de um pai ou mãe. se não é, deveria ser. eu mesma demorei um pouco a cair a ficha e, relendo este post de 2011, vi que permaneci com as ideias um pouco confusas por um bom tempo.
por muitos meses após o nascimento do benjamin eu me vi travando uma luta interna (e, às vezes, externa) de conflito de interesses. “quando é que vai voltar ao normal?”. me via limitada ao tentar realizar coisas que fiz facilmente a minha vida inteira (ou, em alguns casos, durante minha breve vida adulta/adolescente) mas que, com a chegada do meu filho, passaram a ser muito complicadas. algumas, aparentemente impossíveis.

escrevi um post quando benjoca tinha apenas 1 mês de vida chamado entre o amor e o ódio. ele descreve bem como eu me sentia na época e confesso que, ao ler ele outra vez, dou risada. recém nascido é a maior delícia e tranquilidade do mundo e, infelizmente, eu não consegui curtir nada direito por causa da minha inexperiência e insegurança. por sorte eu pude totalmente me deliciar com a chegada da sansa, quando eu aprendi a relaxar mais (nem que tenha sido só um pouco).

o mais interessante (e até engraçado) de ter registrado esses dois momentos peculiares do meu micro-início de vida como mãe (vejam bem, eu tenho dois filhos pequeninos. eu ainda estou no início!) foi que eu tinha a falsa ilusão de que minha vida não mudaria tanto assim. de que tudo seria lindo e maravilhoso. de que, mais cedo ou mais tarde, eu conseguiria retomar minha vida normal.
de fato, algumas coisas são mais intensas no começo e ter um serzinho que depende de você 24h por dia pode dar aquela sensação de que nunca mais você vai conseguir tomar nenhum banho decente na vida ou que pra sempre vai comer comida fria.
mas eu me via fazendo planos e mais planos do que faria se/quando eu tivesse alguém pra me ajudar.
já vi vários serviços para mães no pós parto como massagem, manicure, depilação, um monte de coisas que ajudam a mulher a recuperar a auto estima mas que, convenhamos, muitas vezes podem esperar. eu pirava nessas coisas, mas hoje – que tenho muito mais mobilidade e facilidade para tais coisas – fico me perguntando: é mesmo necessário? eu realmente quero isso ou só estou querendo provar algo pra alguém, ainda que pra mim mesma?
aliás, vejo que meus grandes embates com meus filhos têm muito mais a ver com um conflito de interesses meus ou de momentos em que me sinto extremamente privada que com eles em si. mas esse é um assunto extenso, que pode esperar outro post.

eu poderia dizer aqui (e com certeza eu já disse em algum desses mais de mil posts do blog) que a maternidade fez de mim uma pessoa melhor.
sim, de fato, a maternidade tem me ensinado a ser mais paciente, mais abnegada, mais tolerante, mais empática e uma lista infindável de coisas incríveis que nem mil livros de auto ajuda e anos de terapia poderiam me ensinar.
mas acontece que ser mãe ou pai não tem nada a ver com virarmos pessoas melhores, mas com CRIARMOS pessoas melhores. não diz respeito a mim ou a você, mas aos nossos filhos. não se trata de ganharmos algo em troca, mas de nos doarmos, cada vez mais.
cada vez mais horas de sono maldormidas, cada vez mais entrega, mais doação. sem esperar receber absolutamente nada de volta.

eu não me tornei mãe pra ficar num malabarismo louco de tentar conciliar um milhão de afazeres, tentar ser uma super mulher multitarefas, uma deusa indiana com um milhão de braços, um modelo a ser seguido por leitoras de blog. não virei mãe pra ser reconhecida como mulher guerreira no mês de março ou ganhar cartões, presentes, reconhecimentos e assistir homenagens na peça da escolinha no mês de maio.

eu me tornei mãe pra ser dos meus filhos.
eu não quero pegar minha agenda, meu mapa da semana, minha casa impecável e fazer meus filhos tentarem se encaixar no meio daquilo tudo, como quando tentamos colocar uma peça errada num quebra cabeças ou mesmo quando vemos nossos filhos pequenos brincando de jogos de encaixe e insistindo em fazer o bloco redondo passar pelo buraco do triângulo, sem sucesso (e muitas vezes dando chilique porque não consegue fazer o bloco passar).
eu não quero ter que ficar lutando o tempo inteiro pra me desdobrar em mil papéis e depois me sentir extremamente frustrada por não ter conseguido exercer nenhum deles direito.

“como conciliar o papel de mulher e mãe?”. rio da tua cara e te deixo sem resposta.  você é mulher AND mãe. mulher você pode até deixar de ser, caso opte por se definir como outro gênero. mas mãe.. já era.
desde aquele positivo até o dia da sua morte você será mãe. não importa o tipo de parto que você teve, se o bebê mamou ou não, se você deu palmada, deixou de castigo, não fez nada disso ou tampouco preocupou-se com qualquer tipo de disciplina. seu bebê pode ter mamado até os 5 anos de idade ou mesmo ter começado a comer com três meses. não importa: você para sempre será mãe.
você pode ter largado tudo pra cuidar dos seus filhos ou ter voltado da licença maternidade antes mesmo que seu bebê conseguisse firmar a cabeça sozinho. pode andar na rua sem que ninguém te perceba ou pode ter uma carreira incrível e ser reconhecida pelo seu trabalho onde quer que vá. também pode ser uma super ativista da causa mais nobre de todas mas, para sempre, o seu papel mais importante, relevante e perene será o de mãe (isso deveria valer para os pais também. quem quiser, fique à vontade para vestir a carapuça junto).
e ainda que a mãe venha a experimentar o maior desgosto da vida de ter que enterrar um filho ou filha, ela continuará, eternamente, sendo mãe.

ser mãe (e pai, insisto. por favor, pais, abracem isso também!) é um caminho sem volta. não importa de que maneira você veio a ganhar esse papel, agora ele é seu. ame-o, abrace-o, deixe-se envolver, submergir, afogar. deixe que a água dessa nova vida tome seus pulmões, acabe com sua antiga vida e estrutura e permita-se viver essa vida novinha em folha.

as comparações com o passado virão. o desespero também vai bater uma, duas, duzentas vezes.
muitas vezes nós nos pegaremos lutando para voltar ao que era antes. não é que você nunca mais vá se divertir ou ter uma vida “de adulto” (bem, talvez você nunca mais durma direito. isso é verdade.), mas nós aprendemos maneiras novas de fazer as coisas. o ser humano tem uma capacidade de adaptação extraordinária. será que não conseguimos nos adaptar a momentos assim também?
tente lembrar do passado com o carinho e olhe para o futuro sem ansiedade, mas não deixe que pensamentos como “quando será que eu vou conseguir fazer _________ de novo?” ou “ah, como era bom quando _________”  tomem conta da sua mente. trará tristeza e angústia na certa.

livros sobre criação de filhos, profissionais especializados, palestras com pessoas incríveis podem te ajudar (até mesmo um ou outro blog por aí), mas nada disso será suficiente se não houver a entrega, a dedicação plena, a abnegação total.
vou além: pode até existir a vontade de ser tudo isso (entregue, dedicado, abnegado), mas se você estiver com receio de mergulhar e continuar segurando na bordinha, com medo de se afogar, todas as suas teorias e tentativas serão vãs.

{photo by ryan mcguire}

* * *

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categorias: Tags:, , , , amor, erros comuns, para mães, para papais, psicologia autodidata introspectiva

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30 Comments »

  1. Ola Luisa !!! Nossa esse seu texto parece eu falando…. acompanho seu blog a algum tempo e hoje esse texto veio so pra firmar q sim estou no caminho certo ….

    Tenho 3 filhas de 12, 10 e 6, alias a minha mais velha eh sua xará, assim como vc fui mãe cedo e abri mão de TUDO pelas meninas….. vc pensa q com elas mais velhas ficará mais facil …. so que não …. so muda o foco se antes era banho ,comida…. hoje é estudo, brigas entre irmãs …

    Tem hora q da vontade de sair correndo, mas como vc disse não da pra voltar atras e dizer q nao quer ser mais mãe, vc é mãe e ponto! !!! ou mergulha de cabeça ou fica na bordinha, assim como vc disse.

    Bjsss seus filhos são lindos !!!

    Comentário by camila alves — 19 de maio de 2015 @ 9:16 am

  2. Tenho um filho de 11 anos, uma bebê de 1 ano e 10 meses e estou grávida. Depois de um tempo que a bebê nasceu eu tentei de tudo quanto é jeito retomar minha aulas de dança, que eu amo muito e sinto falta. Não deu! Gastei dinheiro, tempo, me estressei… em vão! Daí entendi… deixa pra lá… ela vai ser bebê uma vez só… meu papel de mãe é prioridade sobre a dança (por mais que ame) e, bom, uma hora vai dar certo, quem sabe até ela não se anima e vai comigo… mas daí consegui relaxar sobre esse assunto….

    Comentário by Jandira Pinheiro — 19 de maio de 2015 @ 9:47 am

  3. Poxa, Luiza, mas é tão difícil não cair nessa armadilha… Tenho gêmeos de dezoito meses. É uma fase super gostosa, cada dia curtimos mais. Mas as noites ainda são muito difíceis. E nas madrugadas insones, invariavelmente, eu entro em desespero. Marido idem. Acho que a gente tá pirando com a privação de sono. E é um conflito enorme. Pq de dia tudo é tão bacana, mas à noite é tão insuportável! Sei que isso é fase, que vai passar, mas enquanto dura…é bem cruel. Eu queria muito encarar essas noites ruins com mais leveza. Mas é difícil, muito difícil. Não tem uma noite que eu não pense “qdo isso vai melhorar?” e no dia seguinte sinta culpa e na noite seguinte pense de novo, num looping eterno.

    Queria muito encarar as dificuldades de forma mais parecida com a sua. Eu tento, juro que tento.

    Comentário by Mariana — 19 de maio de 2015 @ 10:53 am

  4. Mariana, tenho uma filha de 11 meses e sou como vc, as madrugadas para mim são terríveis, não me reconheço, como resmungo e choro as vezes e durante o dia é tão bom….Realmente, me sinto num conflito e quero que passe logo….Gostaria de ser mais leve e tranquila, mas não consigo.

    Comentário by Gabriela — 19 de maio de 2015 @ 5:14 pm

  5. Oi, Mariana, tudo bem? E quem disse que eu nunca pirei com a falta de sono? Ehehehehehe!
    Olha, surtei demais e numa dessas eu tive um ato de desespero e resolvi fazer o desmame noturno pra tentar dormir mais. Vou te dizer que funcionou, apesar de não sair por aí vendendo o método pra ninguém. Sempre defendo que cada família sabe o que é melhor para a sua dinâmica em casa, mas este post fala mais sobre estarmos em paz e em sintonia com nossos bebês.
    Muita gente disse “você escreveu esse post pra mim”. Sim, escrevi pra cada uma que me lê, mas especialmente escrevi esse post pra mim mesma. Eu passei um tempo desconectada de mim mesma e dos meus filhos e, enquanto isso, senti que me desviei da essência básica da criação dos filhos: sentir e se fazer sentida. Sentir a necessidade de cada um e fazê-los sentirem que estamos em sintonia com eles.
    Se você me permitir compartilhar uma breve história sobre mim e algumas coisas em que acredito, aí vai: já li diferentes autores falando sobre o sono dos bebês e das crianças (vou tentar compilar o que absorvi do pediatra Carlos González e da psicóloga Laura Gutman) e basicamente o que eles disseram era que é durante a noite que boa parte das crianças manifesta comportamentos incômodos aos pais (crises de choro, cólicas, ataques de pânico, crises de asma) e que elas são desencadeadas pela ausência dos pais. A criança que acorda muito à noite está reivindicando os pais (na maioria das vezes, a mãe) para si.
    No caso de bebês de 18 meses.. bom, é porque eles são bebês. Não dá pra esperar que seja muito diferente.
    Duas das minhas maiores amigas são mães de gêmeos (uma delas, as gêmeas são as primogênitas e a outra, os gêmeos são caçulas depois de duas irmãs mais velhas) e, bem, eu vejo por elas o quanto acordar a noite não por um, mas por dois filhos (ou três, ou quatro), pode ser cansativo e desgastante.
    Geralmente quando Sansa começa a acordar muito à noite, Joca também acorda e vice versa. Lá vão os pais passar às vezes a noite inteira em claro e antes das 6h da manhã lá estamos nós 4 de pé.
    Quando lembro desses últimos meses que passei bastante desconectada (fora do meu próprio planeta mesmo), vi que as coisas foram bem mais pesadas e difíceis pra todo mundo e por isso decidi voltar à essência mesmo. No último mês eu voltei a oferecer o peito caso Sansa acorde (mas marido que busca ela na cama) e ela muitas vezes dorme com a gente depois de mamar. E, adivinhe, temos todos dormido muito melhor (teve um dia que eu acordei perto de 9h da manhã!!).
    Claro que também tem a ver com o fato dela estar crescendo, mas a verdade é que precisamos estar bem pra cuidar dos nossos pequenos. Eu sempre achei que isso significava “eu preciso dormir uma noite inteira, estar de unha feita, ir à academia, fazer uma pequena viagem sozinha para estar bem comigo mesma e, enfim, cuidar dos meus filhos”. claaaro que tudo isso é uma delícia. claaaro que faz com que nos sintamos bem também, mas isso é uma felicidade momentânea, pontinha do iceberg. A gente tem que estar bem lá na base, lá na profundidade. Tem que estar em paz com nossas decisões, temos que nos reconciliar com nossas escolhas e, principalmente, temos que estar em sintonia com nossos pequenos.

    Beijinhos e força, porque não é um caminho fácil, mas vale a pena cada esforço!

    Comentário by luíza diener — 19 de maio de 2015 @ 11:39 pm

  6. Adoro seu blog Luiza! Você sempre consegue acalentar nosso coração com palavras e situações verdadeiras!! Meu filho tem 3 anos e ainda acorda de noite sempre me chamando e realmente isso nos deixa cansada, acordar sempre de noite, mas temos que nos lembrar sempre do que é mais importante, o amor que temos pelos nossos filhos !!!

    Comentário by Danielle — 20 de maio de 2015 @ 5:07 pm

  7. Obrigada pela resposta Luiza, mesmo que tenha sido p/ Mariana, rs, eu tbm acredito q pais ausentes criam filhos carentes, eu trabalho na parte da tarde e não sei se é por isso q minha filha acorda durante a noite, até os 6 meses ela dormia a noite inteira, acordava ás 06h ou 07h mamava e dormia de novo, só que de repente c/ 7 meses parece q levaram minha filha e entregaram outra, é de 1 em 1 hora de meia em meia hora, nossa uma loucura, alguns falam que são os dentes, mas meu pediatra fala q isso é coisa dos antigos, só sei q me sinto culpada, pq eu fico mto brava, soltando ar pelo nariz, não tenho coragem de deixar chorando, e ela não merece isso, meu marido trabalha muito e não dá p/ ajudar.

    Comentário by Gabriela — 20 de maio de 2015 @ 5:26 pm

  8. Cont. Me pego falando: “nossa, quando ela voltar a dormir a noite inteira eu vou ficar mais disposta”, e as vezes sinto falta da vida de antes, com noites bem dormidas. Agora se acontece dela dormir uma noite bem, sou como a Mariana, fico bem humorada, disposta, nossa pura ostentação, kkk.
    Se é minha presença que ela precisa, vou dar muito mais….
    Vc foi mta prestativa em dividir com a gente sua experiência, muito obrigada mesmo….
    Bjsss!!!!!!

    Comentário by GABRIELA — 20 de maio de 2015 @ 5:28 pm

  9. Força Mariana ! Em breve os bbs irao permitir a vcs noites mais tranquilas.
    Hj com dois rapazes, 20 e 18 anos, sinto saudades das noites mal dormidas dos tempos de bbs.
    Reconheço que é muito cansativo pois vivi isso com os dois meninos. Acho que foram 5 anos dormindo péssimo e mal !! Qdo um tava melhorzinho o caçula nasceu… rsrs

    Boa sorte !!

    Comentário by Rosania — 21 de maio de 2015 @ 8:57 pm

  10. Olha, nunca me arrependo de entrar nesse blog todo dia esperando posts novos. Mesmo que demore, sempre que você posta um texto, é algo que toca em mim e parece que vem pra responder às minhas aflições.
    Não vou mais ficar lamentando o quanto minha casa era organizada antes da minha filha nascer, na verdade vou bagunçar junto com ela, curtir esse ser que Deus me deu de presente pra cuidar.
    Obrigada Luiza, por sempre me dar apoio sem nem ao menos me conhecer.
    Mil beijos no Joca e na Sansa :***

    Comentário by Kaueli — 19 de maio de 2015 @ 2:16 pm

  11. Perfeito Luiza! Parabéns pela lucidez de sempre!

    Comentário by Daniela — 19 de maio de 2015 @ 2:27 pm

  12. Obrigada por esse texto, de verdade.

    Comentário by Tatiana — 19 de maio de 2015 @ 5:04 pm

  13. Mais do que perfeito. Tenho um filho que acabou de completar três e uma filha fazendo dois essa semana. Me vi completamente nesse texto. Só depois de mergulhar completamente é que percebemos que nada tem volta. E é um mundo maravilhoso. Bj

    Comentário by Marcia — 19 de maio de 2015 @ 6:15 pm

  14. Lindo texto Luiza!
    Vivo a maternidade intensamente como voce.. me permitindo trasformar para criar pessoas melhores!

    Comentário by Marina — 19 de maio de 2015 @ 7:15 pm

  15. Uau que texto ! Escrevi um comentário imenso mas esse maldito refresh me fez perder….buá buá.
    Venho sempre aqui. Adoro o blog. Beijos !

    Comentário by Luciene Asta — 20 de maio de 2015 @ 8:59 am

  16. Lindo texto! Verdadeiro!!

    Comentário by Ligia — 20 de maio de 2015 @ 10:22 am

  17. Oi Luiza, obrigada pela força. É isso aí, é uma fase, eu sei. Eu amo demais os meus pequenos. Amo tanto que, mesmo depois de uma noite bizarra, acordo apaixonada e cheirando cangotes.
    É durante a noite mesmo que a coisa pega, qdo mesmo fazendo tudo possível (pegando no colo, dormindo do lado, dormindo junto), o choro continua. Eu fico perdida, sem saber o que fazer, aí bate o desespero, parece que eu vou ficar maluca.
    Nunca tive coragem nem vontade de partir pro nana nenê ou coisas semelhantes. Então é esperar mesmo. E eu nem preciso de muito! Não precisa de unha, de viagem, de academia, de nada. Tudo isso é legal, mas abro mão com felicidade. Só preciso mesmo dormir. É impressionante: basta uma noite em que eles durmam bem pro meu humor se transformar completamente. Sabe noviça rebelde cantando “The hiiiiiils are alive with the sound of muuuuusic”? Sou eu depois de dormir algumas horas.
    Enfim, vai passar. É fase.
    Mais uma vez, obrigada pela atenção.
    Beijo grande!
    P.S: Gabriela, tamo junto.

    Comentário by Mariana — 20 de maio de 2015 @ 10:30 am

  18. Luiza,

    Espero pelo post em que vc vai falar mais sobre a insatisfação pessoal e como isso afeta a relação com os filhos. Tenho visto nitidamente que as privações que a vida de mãe me impõem afetam demais a minha relação com eles. Em alguns dias mais e em outros menos. Há dias em que bate um ressentimento em relação a eles, o que gera impaciência da minha parte e birras e mais birras da parte deles. Por perceber isso, estou me policiando e tentando aproveitar mais cada momento com meus filhos. Nada como um segundo filho para fazer a gente se aproximar mais da essência, da entrega, da doação, como você mencionou no texto. Como eu aproveitei a fase bebê novinho do meu segundo filho! Isso por entender que é uma fase, que passa.

    bjim

    Comentário by Liza — 20 de maio de 2015 @ 10:35 am

  19. Eu amo ser mãe, sempre quis ser e atualmente tenho uma bebê de cinco meses. Me entreguei totalmente à maternidade a ponto de esquecer de mim mesma. Já tentei cuidar de tudo e vi que era impossível, ainda mais sem ter familia morando perto. Então me dedico mais à minha filha e tento fazer o que dá, se não deu paciência, mas sou muito perfeccionista e ver o caus que me rodeia me enlouquece de vez em quando. O meu marido me disse certa vez que filho não é trabalho, quando comentei que ela dava trabalho, porque se fosse haveria férias, feriado, fim de semana. E é simplesmente assim, um caminho por onde seguiremos sempre em frente, com a graça de Deus, pois uma vez mãe, só desejo que tenha paciencia, força e amor o bastante pra criar bem esse ser com quem fui tão abençoada. Mas alguns dias são tão difíceis, especialmente quando o pai ajuda, mas não cuida. Afinal, ajudar é muito diferente de cuidar. Pelo que observo, a maioria dos pais mais observa do que participa e eu fico emputecida com ainda ter de ouvir crítica, porque fazemos o melhor que podemos, fazemos até o que não podemos e sempre haverá críticas, sempre. Hoje eu estou especialmente cansada e triste e o pior, culpada, pois não é culpa da minha filha eu estar assim e é ela quem tem que aturar uma mãe triste e irritada. Mas como, mães, podemos suportar tudo sem chorar, gritar no travesseiro e xingar horrores em pensamento de vez em quando? Como? O mal do mundo é querer que todas as mães sejam perfeitas, acho que você já falou sobre isso Lu, sobre o fato de ser sempre culpa da mãe e não do pai. Simplesmente temos a obrigação, fazemos com muito amor, sim, mas sempre teremos que estar lá por nossos filhos. O pai pode se fazer de desentendido e não dar o banho, o remédio, não trocar a fralda, porque a mãe está ali, não importa se ela passou a noite em claro ou acordando de hora em hora, se não lava o cabelo há uma semana e está há dois dias sem escovar os dentes, se não tomou banho ontem ou tomou banho às duas da manhã e lavou as roupas do bebê de madrugada. Há algo de errado nos homens, imposto socialmente, culturalmente ou biologicamente, não sei, mas há algo que o difere das mães. A maior verdade de todas é que mãe é mãe. Mas eu queria que pai fosse pai também, porque assim haveria mais equilíbrio e menos sofrimento de todas as partes. Sofri muito com uma mãe estressada e constantemente cansada e ainda na minha infância jurei nunca ser assim, nunca bater, nunca gritar, mas a realidade não chega aos pés do que imaginamos até sermos mães. Então eu só peço a Deus que me ajude a ser a mãe que eu desejo e principalmente, a mãe que a minha filha precisa. Mas não me entendam mal, meu marido é um pai maravilhoso e o sorriso que a minha filha dá quando ele chega do trabalho me deixa muito orgulhosa desse amor já tão forte entre os dois, porém eu gostaria que ele cuidasse um pouco mais. Independente de tudo isso eu sempre estarei lá por ela e ele também, e talvez no fundo, só isso importa. Se Deus nos fez mães, capazes de gerar, alimentar e carregar nos braços por horas, é porque somos capazes. Obrigada, Lu, porque você nos faz respirar fundo, tomar um fôlego e seguir adiante.

    Comentário by Julie Santos — 20 de maio de 2015 @ 9:30 pm

  20. Luiza, por favor aproveite esse espaco que v tem e fale sobre a campanha de doacao de leite materno.

    Comentário by Martha — 21 de maio de 2015 @ 8:41 am

  21. Luiza você é incrível em cada palavra,cada pontuação,cada escolha.O texto nos faz sentir como se fosse uma conversa com uma melhor amiga:você.Obrigada por acolher cada leitora de forma tão suave e carinhosa.Sua família é linda e é como as outras,por isso nós identificamos tanto com todos vocês.Sou mais que fã,vocês são quase da minha família 😁😁😁 mais uma vez obrigada,você é sempre perfeita em cada palavra.

    Comentário by Rô E Gabi Sanvido — 21 de maio de 2015 @ 12:30 pm

  22. Primeiramente, parabéns pelo blog!

    Estou grávida de 5 meses do meu primeiro filho, e ainda estou entrando nesse universo de ser mãe, apesar de achar que sempre agi como mãe das minhas irmãs, mãe dos meus pais, do meu marido, dos meus cachorros, e por ai vai, canceriana que sou.

    Tenho 25 anos e pouco mais de 8 meses de casada, mas desde pequena tinha a certeza de querer ser mãe!

    Encontrei esse blog por acaso, logo depois de saber do meu positivo, pesquisando sobre maternidade e gestação na internet, e desde então ao longo desses 5 meses venho acompanhando, ainda que em silêncio, todos os posts, sempre à espera do próximo, já sabendo que será melhor do que o anterior, e lendo todos os posts antigos, desde a gestação do Joca. Na verdade, Luíza e Hilan, o blog de vocês se diferencia de qualquer outro blog ou site por ser um espaço de relatos reais, sem “maquiagem”, sem pudores, justamente o que toda mulher-mãe precisa ler: a REALIDADE de ser mãe! Não aquele mar de doçura e felicidade que lemos e vemos as pessoas contarem por ai. Precisamos saber (principalmente pessoas que estão entrando nesse mundo agora, como eu) que angustias, medos, desespero, tudo isso faz parte de ser mãe (e pai também), mas que o amor que sentimos pelos filhos ( e ai me incluo, porque ja amo infinitamente esse serzinho que ainda nem vi o rostinho) é suficiente pra respirar fundo e seguir em frente sempre pensando no melhor para eles!

    Sei que não será fácil (já deu pra perceber lendo os posts de vocês e os comentários das outras mamães), e que é uma jornada pro resto da vida, mas sei que nasci pronta pra isso, e que vai ser uma loucura e uma delícia ao mesmo tempo!

    Mais uma vez parabéns pelo blog e obrigada por compartilhar com a gente da realidade de ser mãe e pai!

    Comentário by Kécia — 21 de maio de 2015 @ 4:46 pm

  23. Só uma palavra para seu lindo texto: SENSACIONAL!!!! 👏👏👏

    Comentário by Vania Cruz — 21 de maio de 2015 @ 9:23 pm

  24. Ler esse texto (e os comentários) e não chorar é impossível. Essa luta interna, travada todos os dias, entre ser mãe plenamente e ter uma vida normal, me deixa louca. Não que eu queira que a casa fique impecável como antes, ou que eu consiga fazer as unhas, isso é superficial atualmente; mas lavar a roupa que se acumula ou dar um cochilo enquanto a bebê dorme? Fazer a comida dela (afinal ela precisa comer) enquanto ela chora no cercadinho ou dar um pedaço de pão mas sentar com ela no chão pra brincar? Parar de amamentar pq sinto a necessidade de ter domínio do meu corpo novamente (e ela já tem mais de 1 ano e quase não tenho leite, é mais chupeta mesmo) ou continuar amamentando pq é mais fácil fazê-la se calar com o peito? Ficar irritadíssima e “de mal” com ela quando ela não quer dormir ou ficar com ela no colo a noite toda se preciso for? Essas questões me sufocam, o peito e a alma. Queria que alguém me ajudasse a respondê-las ou que ne disesse: tudo bem, acontece comigo tb! Pq o sentinento de culpa, de não estar sendo a mãe que ela merece ter, acaba comigo. Ainda assim, obrigada por me dar uma pontinha de esperança Lu! A felicidade da vida da minha filha depende da minhas escolha de querer fazê-la feliz. É como a chamada à esse texto diz: não é sobre mim ou como sou uma pessoa melhor depois que ela nasceu, mas como ela será a melhor pessoa que ela puder ser pq eu a guiarei por esse caminho. É muita responsabilidade ensinar a alguém tudo que ele será/terá na vida e nessa hora que respiro fundo e tento não surtar: pare de egoísmo, pq há alguém que precisa muito mais de vc do que a sua cama. Falei tanto que até acho que me perdi, rs mas só queria mesmo dizer obrigado por suas palavras às vezes me colocarem no chão. BJu no coração =*

    P.S. Se tiver como falar com a GABRIELA que escreveu ai em cima, não tenho a mínima ideia do que o baby dela tem, mas se ela puder procurar um gastro infantil e verificar seria uma boa, pq minha filha tem refluxo e acordava de 1:30 em 1:30, no máximo de 2h em 2h. Ao se deitar o ácido gástrico voltava e incomodava e por isso ela acordava toda hora (à tarde os cochilos eram de 20 min apenas). Depois que passou a tomar domperidona ela dorme 6h seguidas de noite (ainda acorda no meio da noite pra mamar) e tira cochilos de 2h a tarde. É alegria demais!

    Comentário by Juliana — 22 de maio de 2015 @ 12:59 am

  25. Luiza li seu texto e chorei boa parte. To no meio de um baby blues com uma bebê de 4 dias e outra de 3 anos. E realmente nossa entrega tem que ser por completo. Mas nao é fácil…nao por falta de vontade nem nada…mas fatores externos dificultam muito. Tive baby blues da primeira e nao curti com perfeição esses primeiros dias. E agora de novo…transborda amor mas tambem sobra essa melancolia…e quem entende isso?

    Comentário by Ana Bastos — 23 de maio de 2015 @ 7:14 pm

  26. Excelente! <img src="https://www.facebook.com/tr?id=1558567011026802&amp;ev=PixelInitialized&amp;.png">

    Comentário by Joanito — 24 de maio de 2015 @ 7:59 am

  27. Que lindo! Me emocionei.

    Comentário by Bruna — 29 de maio de 2015 @ 8:11 pm

  28. É difícil não lembrar do passado com uma aura de que tudo era melhor naquela época, que a gente tinha mais liberdade. no meu caso tinha mesmo, mas também tinha um vazio em mim que não conseguia preencher direito. isso se reflete numa coisa que amo fazer: escrever. se eu comparo o que escrevo hoje com o que escrevia antes, é da água pro vinho. antes eram poemas tristes, existencialistas, o nada, agora é alegre, cômico, enfim.

    Comentário by Noris — 22 de junho de 2015 @ 6:21 pm

  29. Adorei o texto.

    Meu primeiro filho morreu num acidente de carro com 1 ano e 13 anos depois do acidente tive outro bebê que esta com 8 meses. Obrigada por dizer que quando enterramos um filho seguimos mãe mesmo que o resto do mundo não perceba.

    Parabens pelo blog.

    Comentário by Roberta — 28 de julho de 2015 @ 3:30 pm

  30. Querida Luīza,

    Parabéns pelo texto. Você conseguiu de uma forma maravilhosa colocar em palavras algumas (muitas) coisas que eu não conseguia elucidar a respeito da minha experiência maternal. Uma delas foi justamente a questão dos conflitos entre a vida de antes e a vida de agora, a hesitação em se entregar, em se doar, por medo de não haver um retorno. Mas a questão é essa: dar sem esperar receber. Salvei o texto nos favoritos pois o achei tão profundo que precisarei lê-lo outras vezes. Que Deus abençoe sua linda família. Sou tb de Brasília e certa vez já te vi num aniversário na 212 norte, onde eu morava. Bjos!

    Comentário by Adriana — 22 de outubro de 2015 @ 1:10 am

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