29 de maio

valorizar pequenos prazeres e conquistas

por luíza diener

certa vez ouvi a história de um senhor que, toda vez que ia ao banheiro fazer xixi, gritava bem alto “AHHH! OBRIGADO!”. intrigado, um conhecido da família que presenciou um desses momentos, perguntou: “por que ele sempre fala isso quando vai ao banheiro?”. no que o neto explicou que o avô havia sofrido com uma doença severa por muitos anos, o que impedia que ele conseguisse urinar por conta própria. passado um tempo, foi curado e, desde então, aquele senhor sempre agradecia quando ia sozinho ao banheiro.

quando escutei essa história, percebi que muitas vezes eu deixava atitudes simples serem banalizadas pelo ato da repetição e decidi, naquele instante, ser mais grata pelas coisas simples da vida. passei alguns meses – ou seriam semanas? – me sentindo grata por conseguir fazer xixi naturalmente, mas acabei me esquecendo disso eventualmente.

anos se passaram e tive meu primeiro filho. demorou um tempo até que eu descobrisse que ele tinha alergia à proteína do leite da vaca. o começo foi bastante difícil. a princípio não tanto pra ele, mas pra mim, pois ainda amamentava. precisei excluir todo e absolutamente qualquer traço de leite ou derivados da minha alimentação (e dele, claro). conforme ele crescia e se socializava com outras crianças e adultos, eu precisava manter constante vigilância para ver o que ele comia, bebia, se alguém oferecia algo pra ele sem me perguntar antes. qualquer deslize – por mais bobo que fosse – poderia ser um grande risco à sua saúde. aos poucos nos acostumamos: eu, ele, marido, nossa família. constança nasceu e em menos de um mês descobrimos que ela também tinha aplv. a casa já estava adaptada, ler rótulos era algo mais habitual do que ler livros. nós já estávamos acostumados a lidar com aquela alergia. ainda assim, sempre nos mantivemos vigilantes, especialmente em festinhas infantis, restaurantes ou na presença de pessoas desconhecidas munidas de qualquer tipo de doces, salgados e boas intenções.

foram 5 anos assim. não sei dizer se foi exatamente uma luta. a grande batalha era fazer os outros se conscientizarem de que não era frescura nossa e que, quando o assunto é alergia, “só um pouquinho” faz o mesmo mal que “um tantão”. isso e algumas vezes ficar de coração partido ao seu filho de 4 anos de idade debruçado sobre a mesa do parabéns, encarando todos os docinhos, sem sequer dar atenção ao aniversariante que canta, bate palmas e assopra as velinhas: “só um, mamãe!”. desculpa, filho. você não pode mesmo.

eu cheguei num ponto que simplesmente não queria mais ir a festas ou eventos que envolvessem comida, do tão desgastante que aquilo havia se tornado.

mas o tempo foi generoso com todos nós e o aniversário de 6 anos do benjamin teve um significado muito especial. a seguinte foto e texto foram publicados no meu instagram em agosto de 2016:

sempre fui entusiasta da alimentação saudável. sempre ofereço frutas e verduras com abundância pras crianças, dou preferência a alimentos integrais e evito ao máximo que eles consumam doces e alimentos industrializados.

mas essa foto… ah! essa foto não é sobre um menino se entupindo de açúcar, gordura trans e outras tranqueiras!

essa foto é sobre um menino que foi curado após seis anos com alergia à proteína do leite da vaca.

é sobre não ficar mais tensa toda vez que saímos pra comer fora, receosa de que qualquer traço de leite possa desencadear uma reação alérgica a curto prazo (e parar num hospital) ou a longo prazo, sofrendo noites e mais noites de crise respiratória.

é sobre finalmente poder atacar a mesa de doces após o parabéns, sobre compartilhar o lanche dos coleguinhas na hora do recreio ou num piquenique entre amigos.

ele não comeu nem 1/5 dessa taça, mas a alegria de pelo menos poder provar sem medo com certeza foi um dos melhores presentes da vida dele, por mais que ele nem saiba disso

 

desde então, não tem uma vez que eles comam algo com leite que eu não sinta uma gratidão profunda no meu coração.

perceber, então, que guadalupe nunca teve nenhum sinal ou sintoma de alergia, foi – e ainda é – a glória. um dia desses constança deu pra ela um pedaço pequeno de pão com manteiga e ela devorou. caso ela fosse aplv, aquele seria um momento de tensão, de brigas, de sermão gigante dizendo que não pode dar nada pra irmã, que ela poderia parar no hospital e blá blá blá. mas, em vez disso, foi a hora de suspirar aliviada (assim como no dia que ela roubou um docinho de festa e, quando tirei da boca dela, já faltava metade).

olhar pro carrinho no mercado e ver nele: manteiga, queijo, leite, requeijão me deixa mais feliz do que se estivesse repleto de barras de ouro. sem nenhum exagero.

aprendi a ser realmente grata. a agradecer pelas nossas refeições cotidianas, pelas festinhas de aniversário, pela cura dos mais velhos e saúde da pequena. e sempre relembro eles de como era antes e como é hoje em dia, para que possam valorizar isso também.

e que sigamos sempre agradecidos pelas pequenas coisas nesta vida!

***

agradeço a Piracanjuba e Tetra Pak por patrocinarem este post e fazerem parte do nosso dia a dia. Saiba mais sobre a linha Piracanjuba que, além de leite, requeijão, queijo, creme de leite e leite condensado, também tem opções Zero Lactose, bebidas lácteas e bebidas lácteas com cereais.

 

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categorias: alimentação, amor, benjamin, publicidade

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