01 de novembro

vida comunitária

por luíza diener

já perceberam como a cada dia que passa as pessoas estão mais individualistas?
sempre olhando seu próprio bem estar, preocupadas em sempre ter e viver o melhor, mesmo que isso custe a felicidade ou liberdade do outro.

prova disso são as filas, estacionamentos, assentos preferenciais.
elas não precisariam existir se pensássemos um pouco mais nos outros.
não deveria ser lei você ceder seu lugar a um senhor idoso ou a uma gestante. é meio lógico que os cadeirantes mereçam vagas especiais, devido ao deslocamento e às rampas de acesso. uma mulher com um bebê de colo – que não tem a mesma noção de tempo que a gente e, por isso, perde a paciência mais rapidamente – ou alguém com qualquer tipo de necessidade especial deveriam ter livre acesso às filas por razões óbvias.

mas como isso está muito longe de acontecer, criaram uma lei para fingir que temos bons modos. e mesmo essa lei existindo ainda tem gente que faz vista grossa pra não ver a senhorinha e perder seu lugar privilegiado pra ela, aquela idosa.

muitos outros exemplos podem ser citados, como o estresse e a falta de cordialidade no trânsito, gente que trata mal (ou simplesmente ignora, como se não existissem) funcionários que de alguma forma servem aos outros, como garçons, copeiras, faxineiras, garis e (esse eu já me peguei fazendo demais) uma intolerância absurda para com os outros que de alguma forma invadem o nosso espaço: “se conselho fosse bom não se dava, vendia”.

em momentos como esse eu fico extremamente chateada, quase a ponto de perder a esperança na humanidade e até na minha própria pessoa (exagero é meu sobrenome, tá?).

mas aí eu levanto as mãos pro céu e agradeço pelas pessoas que existem na minha vida. começa, claro, pela minha família – que me suporta nos momentos que nem eu me aguento – e se estende às pessoas do meu convívio mais próximo, como por exemplo as pessoas da minha igreja.

igreja, ah, a igreja!
uma palavra que gera calafrios em muitos, a começar por mim (agora melhorou um pouco). tive uma fase que só de ouvir falar já me arrepiava a espinha até o último fio de cabelo.
mas hoje eu vejo com outros olhos, fora do olhar da revolta e da rebeldia.
eu vejo com os olhos do amor.

é lá que eu tenho a oportunidade de conviver com gente dos mais variados gostos, estilos, idades.
o benjamin mesmo tem vários vovôs, vovós, titios, amigos, irmãos.
foi nesse mesmo ambiente que eu cresci e aprendi a compartilhar meu espaço, minha casa, meus medos e alegrias.
um lugar onde você pode alimentar-se da sabedoria dos mais velhos e aprender com a humildade dos pequenos.
um espaço pra confiar seu filho a outras pessoas e saber que ele está em boas mãos, de gente que cuida porque ama, não porque tem medo de ser demitido ou está pensando em dele tirar o sustento pra pagar as contas do fim do mês.

domingo para mim é um oásis no meio de uma semana agitada.
um momento de reflexão, onde eu repenso minhas atitudes e tento consertar meus erros, não apenas por causa da palavra de um pregador (que, diga-se de passagem, nem sempre dá pra ouvir do começo ao fim, por causa do pequeno), mas por enxergar o amor na prática ao conviver com quem passa por lá.

algumas vezes – quando as agendas permitem – rola um encontrinho ou outro durante a semana também.
tenho amigas hoje que passamos anos só nos falando superficialmente, mas foi só nascerem os filhos que isso nos aproximou. e a partir daí eu aprendi muito sobre ser mãe.
outros amigos são apenas casados e com eles aprendi a ser esposa.
pessoas mais velhas, com filhos criados e até com netos e com eles eu aprendi a ser filha (e alguns eu realmente adotei como pai e mãe).
crianças de diferentes idades, com as quais tantas vezes já treinei ser mamãe, que me ajudam a compreender melhor meu filho.

vida comunitária não é perfeita e lamento dizer nunca vai ser.
porque conviver constantemente com pessoas diferentes implica em ideias diferentes e, acima de tudo, cheias de defeitos, como eu também sou.
e isso é o bacana da história, porque ferro com ferro se afia.
quantas vezes já me peguei indignada com a atitude de alguém e, quando fui ver, era um comportamento igualzinho ao meu? que, aliás, convenhamos: as pessoas que mais costumam nos irritar são aquelas que têm alguma semelhança com nossos podres mais podrinhos.
a diferença é que se fosse em uma escola, faculdade, ambiente de trabalho, você saberia que mais cedo ou mais tarde este ser sumiria de sua vida. mas dependendo da igreja, você pode passar o resto de sua vida ali (tipo família). e aí, ao inves de fugir do problema, o jeito é resolver a questão.
tipo irmão, sabe? que um dia você odeia, briga, se desentende, mas sabe que ama.

isso não quer dizer que eu seja amiga de todo mundo, pera lá que eu também não quero ser hipócrita.
mas amar vai muito além de trocar confidências ou fazer tricô juntinho, cheio de frufrus, abraços e beijinhos (e carinhos sem ter fim). é tolerar e ter paciência.

a ideia central é como se todos fossem um só corpo. um é a mão, outro a perna e por aí vai. um complementa o outro e depende do outro. se alguém sai, faz falta.

e o que faz com que todos permaneçam juntos?
o amor.
o amor de deus por nós, que transborda e nos faz amar ao próximo. que transborda tanto que nos deu seu filho jesus, que dá vida ao corpo e o faz mover, viver, pensar. ele é a cabeça do corpo (porque sem cabeça nem zumbi vive).

não digo que é fácil, não se engane.
mas quando você conhece, sente e vive o amor de deus, a impressão que dá é que você trocou de televisão.
antes tinha uma de tubo de imagem e de repente está com uma de alta definição. a programação pode até ser a mesma, mas as cores ficam mais vibrantes, o som é mais nítido e tudo parece que é mais bonito.
e aí fica muito mais fácil de amar os outros.

é um amor que não se explica, que nem amor de mãe, sabe?
mas maior ainda.
aquele amor imenso que parece que não cabe dentro da gente.
mas é diferente porque às vezes o amor de mãe nos torna muito protecionistas. defendemos nossos pequenos com unhas e dentes, se for preciso.
o amor de deus não exclui, mas inclui. te dá vontade de sair abraçando todo mundo, de chorar e rir ao mesmo tempo, de gritar aos quatro cantos do mundo que você está apaixonada.

é o amor que eu desejo a todos vocês que hoje me lêem.

um beijo

[este post foi pago pelo sangue de jesus por você e por mim]

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23 Comments »

  1. Texto maravilhoso, Luíza!
    Que me fez parar um pouquinho em um dia corrido e agradecer a Deus pelo amor imenso que permitiu nossa salvação em Cristo Jesus.
    Muito obrigada por me provocar a ser um pouco mais grata.
    Beijo
    Tenha uma semana abençoada!
    Ahn, e domingos também são como oásis pra mim…

    Comentário by Jemima — 1 de novembro de 2011 @ 3:08 pm

  2. Lindo! Amo vcs 😉

    Comentário by nana — 1 de novembro de 2011 @ 3:39 pm

  3. Que lindo!

    Apaixonante.

    Obrigada pelas boas energias! =)

    Beijos,

    Dani
    http://viagensdeprimeiraviagem.blogspot.com

    Comentário by Daniela — 1 de novembro de 2011 @ 3:43 pm

  4. Lindo Luiza…. ando meio distante da igreja, mas lendo teu post me deu ainda mais força para recomeçar!
    Parabéns pelo texto… e pela percepção com relação ao amor, à Deus, e a comunidade!
    Beijinhos,
    Fer

    Comentário by Fer — 1 de novembro de 2011 @ 3:54 pm

  5. Ai, Fer, vai firme!
    Ele ajuda sempre e coloca pessoas no nosso caminho pra nos ajudarem a continuar andando.

    Se precisar, estou por aqui!

    Beijos

    Comentário by luíza diener — 7 de novembro de 2011 @ 10:18 am

  6. Arrasou Lu!!!

    Comentário by Anis — 1 de novembro de 2011 @ 4:12 pm

  7. Luiza..

    Acompanho seu blog a algum tempo..
    Amo ler os seus pensamentos..me ajudam muito a constituir a mãe que serei( é…ainda sou tentante)
    Antes de me decidir tentar ser mãe. ficava imaginando como meus filhos e netos viveriam em uma sociedade tão egoísta.
    Mais me lembrei que …eles podem fazer a diferença…Marcar a Geração.
    Sem o amor de Deus…não chegaremos a lugar nenhum…
    Se nos conscientizarmos que, além de mim, existem outras pessoas, com suas necessidades variadas..com gostos variados, com pensamentos variados…o mundo seria diferente.
    Porque Jesus morreu por mim..por você, pelo Benjamim..por nossas diferenças
    Parabéns pelo post
    Beijos
    Evelyn

    Comentário by Evelyn — 1 de novembro de 2011 @ 4:24 pm

  8. Lindo, Luísa. É só que tenho a dizer.

    Comentário by Dani — 1 de novembro de 2011 @ 5:38 pm

  9. Disse tudo… Parabens pelo post. Deus abençoe vc e sua família.

    Comentário by Juliana — 1 de novembro de 2011 @ 5:39 pm

  10. nossa Luíza, lindo!

    Comentário by Mamãe do Otávio — 1 de novembro de 2011 @ 5:47 pm

  11. Lindo demais!!! Muito amor pra você, pra toda família!!!

    Um final de semana iluminado!!!

    Comentário by TANI - MÃE AO CUBO — 1 de novembro de 2011 @ 9:14 pm

  12. Amei Lu!

    Comentário by Clara Viegas Miranda — 2 de novembro de 2011 @ 10:33 am

  13. Simplesmente formidável o modo em que você disse algo tão lindo em tão poucas linhas. O amor saltou da tela e invadiu minha quarto. Não é só o maior de todos os amores, é o mais poderoso também.

    Comentário by Cris — 2 de novembro de 2011 @ 7:20 pm

  14. que lindo!
    é mesmo o mais poderoso de todos

    Comentário by luíza diener — 7 de novembro de 2011 @ 10:17 am

  15. emocionada.

    Comentário by Lúcia — 2 de novembro de 2011 @ 7:28 pm

  16. Oi Luíza!
    Leio seu blog desde quando vc estava grávida, mas ainda não havia comentado.
    Com o seu post de hoje me animei.
    Tenho a te dizer que as palavras são lindas, mas o mais lindo é que foi o Senhor que te capacitou e conduziu a essas palavras, pq Ele queria ver a manifestação do seu amor e sabe que muitas vidas podem ser alcançadas e tocadas. Aproveite essa oportunidade que tens nas tuas mãos que é esse blog, que a manifestação da graça do Senhor esteja presente no teu lar juntamente com seu filhote e seu marido, que juntos possam estar crescendo em Deus e que possam testemunhar os feitos dele na casa de vcs.
    Ainda sou uma tentante já tá indo para dois anos, é um tempo difícil de espera, mas o meu refúgio é saber que pela misericórdia de Cristo ainda serei mãe, já me emocionei muito com seus posts, tenho aprendido contigo, e tenho notado com vc é uma mãe corajosa e dedicada, isso me anima.
    Uma hora dessas se puderes falar sobre as "quase mães" que estão a espera, sobre esse lado de quem ainda não teve essa realização, creio que tem uma galerinha que como eu ainda não é mãe, mas que lê o seu blog.
    Bênção sobre teu lar!

    Comentário by Vanessa - RS — 2 de novembro de 2011 @ 10:37 pm

  17. Minha amiga querida, queria te dizer que com certeza falar de Deus publicamente muitas vezes não é fácil pelo medo de ser julgado pelas pessoas, e você mesmo assim não teve medo, você acaba de honrar com palavras nosso Pai querido, que Jesus esteja sempre presente em sua vida e de sua família, te dando graça e sabedoria para seguirem firmes e confiantes! de que igreja vcs são? bjinhus

    Comentário by Joyce Kamo — 3 de novembro de 2011 @ 12:36 pm

  18. é, joyce, ninguém disse que seria fácil.
    se falar eu não me importo. estou muito mais preocupada com o que Ele vai pensar ao meu respeito. ehehehehhe!

    somos da presbiteriana. e vc?

    bjs

    Comentário by luíza diener — 7 de novembro de 2011 @ 10:16 am

  19. onde eu assino?

    acrescentaria que ao suportarmos uns aos outros, nao estamos simplesmente nos "aturrando", mas estamos "sendo suporte" uns dos outros.

    beijos, querida!

    Comentário by tchella — 3 de novembro de 2011 @ 10:28 pm

  20. é, mas suportar é dificil, né? só o amor mesmo pra ajudar!
    bjs

    Comentário by luíza diener — 7 de novembro de 2011 @ 10:16 am

  21. Lindo.

    Comentário by Jane — 6 de novembro de 2011 @ 9:28 am

  22. Dintina, você me emocionou profundamente com as suas palavras!!!! Conseguiu traduzir o que estava no meu coração quando conversamos no domingo! Te amo e te admiro demais princess! Beijinhos da sua irmã de sangue, de alma, de vida, de coração!

    Comentário by Laura — 3 de dezembro de 2013 @ 1:09 pm

  23. Lindooooo… só o amor de Deus para sermos um pouquinho melhores a cada dia… adorei!!!

    Comentário by Costurando Nuvens — 3 de dezembro de 2013 @ 10:12 pm

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