10 de novembro

você é um pai/mãe helicóptero?

por hilan diener

quando escrevi o post 10 filmes sobre paternidade citei o filme procurando nemo.
um dia desses, revendo a animação, percebi nitidamente que estava agindo como o pai do peixinho.
para quem não viu o filme, marlin é um pai viúvo que perdeu sua esposa e seus 400 filhos no ataque de uma barracuda. seu único filho sobrevivente é nemo, um pequeno e teimoso peixe-palhaço que está frustado com seu pai neurótico e super protetor.
pois bem, assumo que sou um pai super protetor e descobri que isso não é legal nem para mim e nem para o benjamin. por exemplo, quando vou com o filhote a um parquinho ou outro lugar que não seja a nossa casa, fico como um helicóptero, pairando o tempo inteiro em cima dele, observando se ele não vai tropeçar, cair, enfiar a mão em algo que machuque, comer um cocô de cachorro, etc e etc.
parece bastante lógico e responsável não é mesmo?
até que o filme me fez perceber que no fundo, ao invés de cuidar do meu filho, eu estava privando-o de aprender e experimentar como as coisas dessa vida funcionam (principalmente a gravidade. hehehe).
pesquisando no pai google descobri que essa preocupação e fiscalização excessiva impedem que a criança se exercite adequadamente, movimentando-se conforme o recomendado para sua idade, impedindo um desenvolvimento saudável. esta conclusão não é minha e sim dos cientistas da Universidade do Estado da Carolina do Norte (EUA), que cunharam o termo “pais helicópteros” para descrever esse comportamento de pais excessivamente preocupados. os resultados do estudo mostram que as crianças monitoradas de perto pelos seus pairantes pais-helicópteros acabam não se envolvendo em níveis mais elevados de atividade física. “A preocupação é que – especialmente porque estamos vendo a obesidade na infância tornar-se uma epidemia no país – essa fiscalização excessiva impeça as crianças de correrem e brincarem com seus amigos e vizinhos e, em vez disso, fiquem sentados na frente do computador ou da televisão,” diz os cientistas.
então, como agir? acho que seria bom repensar algumas coisas. por exemplo: um dia desses o benjoca caiu de um degrau que estava tentando descer (daquele jeito maluco que bebê anda) e acabou caindo feio. foi um chororo danado! mas hoje, toda vez que ele passa por um desnível, é gratificante ver que ele aprendeu a lição: desce com um cuidado e maestria orgulhantes!
a lição que aprendi é que vale a pena eu e outros pais revermos nossos comportamentos, acreditarmos mais no potencial dos nossos filhos e aprendermos a manter uma distância confortável para não impedir suas brincadeiras espontâneas.
e você, como pai ou mãe, o que acha?
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categorias: Tags:, , erros comuns, pai feito

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18 Comments »

  1. Muito bom. Adorei a definição pais helicópteros. E essa ilustração tá muito legal.

    Comentário by Thiago Diniz — 10 de novembro de 2011 @ 8:49 am

  2. Adorei!
    Sempre procurei deixar o Dudo o mais livre possivel. No entanto, depois que ele caiu de boca no chão e quebrou um dente, fiquei mais "helicóptera", mas procuro me policiar. Afinal, eles não terão nosso cuidado sempre (ele vai para a escolinha meio periodo), então é melhor que caiam para aprenderem a levantar e evitar uma queda futura (mas sempre quando ele cai, corro para ver se os dentes estão no lugar, se estão, nem ligo para o joelho ralado…. hehehe… consertar um dente sai caaaaaarooo….)
    Beijos e parabéns pelo post!
    Fer

    Comentário by Fer — 10 de novembro de 2011 @ 11:09 am

  3. Puxa, o texto me fez repensar meu comportamento porque sou uma mãe assim… Definitivamente, os bebês precisam aprender muitas coisas por experiência própria. Já to com medo do descer das escadas rsrs…

    Comentário by Nilza — 10 de novembro de 2011 @ 11:15 am

  4. Oi Hilan, concordo com o seu texto, mas fico pensando se conseguirei desapegar assim, Alice ainda é um bebê de colo, superprotegido, e quando ela começar a andar e cair… aiaiaiai… sabe como é? Ela é tao delicada… rs. É preciso trabalhar isso, eu sei, mas que é difícil, é.
    Um beijo,

    Comentário by Paula — 10 de novembro de 2011 @ 12:52 pm

  5. Gostei do texto. Sou exemplo vivo de que a superproteção pode atrapalhar rsrs. Sou filha única, desejada por longos 10 anos,sempre fui superprotegida, principalmente pelo meu pai (amor da minha vida) e não os culpo por isso tá, eles fizeram o melhor que podiam, achando ser o mais adequado, OBRIGADA PAPI E MAMI (pausa para uma homenagem rs). Porém, como sempre fui privada de ficar sem blusinha no frio, não cair muitas vezes, não ter com o que me decepcionar, pois tudo era me oferecido antes do problema surgir …, tcham tcham tchammmmmm….. quando tive que começar a enfrentar as coisas sozinha, coisas essas em que meu pai nao poderia me ajudar eu CAI EM DEPRESSÃO (não, não é modo de falar)… aos 17 anos comecei a trabalhar e a cada grito do chefe eu chorava, para enfrentar a minha primeira transa com meu namorado, eu sofri demais… dentre outras coisas e ações que me davam a impressão de que eu não saberia me virar num mundo tão cheia de escolhas , pois meus pais não poderiam me ajudar nisso. Bom, mas a história tem final feliz… fiz terapia por 4 anos, hoje sou bem resolvida, sem neuras e ilusões (ainda meio louca, mas isso todos somos) e não digo que farei diferente com meu filho pois só vou saber quando o tiver, mas a Superproteção que eu aindo vejo ser muito valorizada pode SIM prejudicar ou ao menos atrasar a passagem pra vida adulta.

    Comentário by Thais- Marilia-SP — 10 de novembro de 2011 @ 1:21 pm

  6. Hehe, pais helicopteros, adorei!!!
    Eu sou um pouco assim, só para algumas coisas, mais isso é normal… eu comecei a ser porque meu marido é, e ele sempre fica falando… Cuidado, ela vai cair… E eu fico mais tranquila, mais com a presença do marido eu fico meu que mamãe helicoptero, sim!!!

    beijo

    Comentário by Carol Meoli — 10 de novembro de 2011 @ 2:50 pm

  7. essa mensagem de nemo é muito forte, especialmente quando ele constata que o desejo de que "nada aconteça" ao bebê, se realizado seria um horror… nada? nada mesmo? aqui misturamos uma mater/paternidade helicóptero com uma educação meio indígena, tipo: "se cair do chão não passa!"
    adorei a reflexão.

    Comentário by mari - viciados — 10 de novembro de 2011 @ 3:00 pm

  8. Eu fui uma mae helicoptero,e senti exatamente isso,um excesso de cuidados que só tornava a minha filha mais e mais depedente de mim,e eu no fundo gostava disso,dessa dependencia dela sabe? não sei nem explicar!
    Agora relaxo,e concordo com a mari ai encima,se cair do chão nao passa! encaro dessa forma,óbvio que tem dias que ela toma altos tombos se aventurando por ai e eu me sinto uma mãe de merda por nao estar la como uma sombra,mas sei que isso é importante pra ela,e assim ela esta se tornando uma menininha muito independente e livre,as vezes eu gosto dela ser assim e as vezes morro por ela estar crescendo e se aventurando sem precisar tanto de mim…
    Post incrivel,como sempre são,vcs arrasam sempre!

    Comentário by karine — 10 de novembro de 2011 @ 5:19 pm

  9. É assim que o Pai faz com a gente: ele permite que tropecemos, mas sempre nos ajuda a levantar. Quem sabe o quanto doeu na queda terá muito mais cuidados quando um perigo semelhante se aproximar. E olha que ele tem poder para ser um super-helicóptero.

    Na nossa pequenez a gente pode pensar que o Pai não está cuidando de nós mas, esse cuidado, com atenção à distância, nos ajuda a crescer com saúde em todos os sentidos.

    Comentário by Aristeu — 10 de novembro de 2011 @ 5:57 pm

  10. sou um a mãe helicoptero, e sofro bastante com isso, tô aprendendo tirar as asas da pequena mais tá dificil… :/

    Comentário by larissa xavier — 10 de novembro de 2011 @ 9:00 pm

  11. Melhor cuidar demais do que cuidar de menos…
    E acho que esses pesquisadores confundiram um pouco as coisas: posso ser bem cuidosa, mas tô sempre estimulando meu filho a brincar, nadar e tudo mais (e sempre de olho). O que faz as crianças preferirem a tv, computador e video-game é justamente a falta de atenção dos pais. Porque é muito mais fácil que eles fiquem dentro de casa, no cantinho deles. Prefiro ser mãe helicóptero do que deixar ele se machucar pra "supostamente" aprender com isso.

    Comentário by Anna Carolina — 10 de novembro de 2011 @ 10:12 pm

  12. eu sou um marido pintocóptero.

    Comentário by iulo — 11 de novembro de 2011 @ 9:31 am

  13. iulo vccê ó trollador oficial do potencial gestante, afinal todo blog grande que merece tem o seu! parabéns pelo trabalho! hahahaha

    Comentário by hilan — 11 de novembro de 2011 @ 9:33 am

  14. mas eu não trollei ninguém dessa vez, gente!
    hahahaha

    Comentário by iulo — 11 de novembro de 2011 @ 9:36 am

  15. Ai Hilan, eu já pensei muito a respeito, sou uma helicóptera(oi?)
    mas no único dia em que eu não fiquei sobrevoando o meu filho ele foi derrubado umas duas vezes e atropelado por um balanço… prefiro sobrevoar o pequeno por enquanto, até que ele possa voar sozinho, lá pelos 3 anos 🙂

    Comentário by Bia — 11 de novembro de 2011 @ 4:09 pm

  16. Verdade Hilan, às vezes me pego super protegendo a minha Nandinha, sem querer querendo. Mas acho que isso se chama instinto. É natural dos pais. Mas vou aceitar o convite e tentar rever meus conceitos, rsss.

    Comentário by bebeporacaso — 12 de novembro de 2011 @ 4:42 pm

  17. Tudo bem, mas antes de dois anos de idade é no mínimo razoável termos maior atenção e cuidado no caminho que a criança percorre. Não é preciso rachar a cabeça para aprender o que é errado!!! Isso se aprende naturalmente ou será que temos que comer cocô para saber que é ruim!!!

    Comentário by Ramon — 27 de fevereiro de 2012 @ 11:55 pm

  18. […] lê o blog sabe que sou meio neurótico com quedas e machucados do pequeno e me vi sendo um pai helicópero por muitas e muitas […]

    Pingback by potencial gestante – 5 coisas perigosas para um mundo arrendondado — 28 de fevereiro de 2012 @ 9:01 am

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