02 de setembro

benjoca na escola – parte IV – na prática

por luíza diener

desenhista

uma amiga minha recentemente mudou-se de cidade e recomeçou a saga de procurar uma escola para os filhos dela. por conta disso temos conversado sobre o assunto pelo what’s app e vejo ela viver algo que eu jurei que passaria e não passei: conhecer um milhão de escolas com propostas pedagógicas e estruturas diferentes até optar pela que melhor se adapte à dinâmica da casa, personalidade dos filhos e, claro, orçamento.
eu não pesquisei escola nenhuma, eu apenas decidi de um dia pro outro que havia chegado a hora do benjamin, adiantando meu plano em um ano (a ideia era colocá-lo apenas em 2015, quando tivesse quatro anos já completos).

{para quem não conheceu a saga ou quer reler, clique nos links abaixo:

esse quarto post demorou quase sete meses para sair pelo simples fato de que eu queria sentir a escola primeiro, longe daquela empolgação toda e já com um toque de realidade, de sentir o que funciona ou não para o meu filho e colher os frutos dessa nova fase. como sou muito crítica a analítica, decidi colocar os prós, os contras e algumas considerações gerais, apesar de saber que as coisas não são tão simples assim. então sente-se confortavelmente, pegue um lanchinho e um chá gelado e vem nessa, que a conversa vai ser longa:

os prós

o jardim de infância é encantador. pelo menos pra mim, que cresci estudando na rede pública e criei uma memória afetiva com todos esses pequenos detalhes como: sala com varandinha, copos, talhes e pratinhos azuis, aquele tanque/pia único e cheio de torneiras pras crianças lavarem a mão juntas e por aí vai. a estrutura é ótima. simples, mas impecável. as salinhas são grandes, bem ventiladas, bem iluminadas, todas têm mesinhas baixas e novinhas, banheiro, bebedouro com água natural ou gelada, ganchinhos para pendurar as mochilas - um para cada criança – com suas respectivas fotos, muitos brinquedos para brincarem. o material é de uso coletivo, ou seja,  não tem aquela bobagem de tal lápis ser de fulaninho e o giz de sicraninho.
na parte externa tem um parquinho de areia super amplo, com muitos brinquedos de madeira, cercado de cerca viva e sombreado por árvores de fora a fora.

a proposta pedagógica é demais. eu caí de pára quedas na escola, mas logo no primeiro dia letivo houve uma reunião para apresentar a proposta pedagógica, que é adotada em todo o distrito federal, é chamada de currículo em movimento (clique no link se quiser conhecer a fundo). eu não saberia explicar em poucas palavras (síntese não é meu forte), mas sei dizer na prática o que tenho visto ser trabalhado lá: a valorização do brincar, cantar, expressar-se corporalmente, verbalmente, através de músicas, danças, atividades psicomotoras, trabalhos manuais. o coletivo, o respeito ao próximo, a afetividade, sempre presente. toda vez que eu busco o benjoca na escola vejo ele e seus amiguinhos na salinha ora sentados no chão conversando, ora numa mesinha, brincando de massinha e cantando juntos, ora todo mundo pulando e dançando. o que mais me chama atenção é que eles estão sempre juntos. são 15 crianças e todas se gostam, brincam, se curtem. às vezes se batem e, infelizmente, o meu filho costuma ser um desses agitadores da pancadaria. mas o fato é que eles se gostam de verdade. e, aos poucos, os pais também têm desenvolvido conversas e a partir daí, surgido amizades.

quero contar algumas coisas que eles já fizeram este ano e que eu achei incríveis:

  • hortinha - todas as turminhas plantaram no semestre passado algumas folhosas na hortinha da escola: alface, cebolinha, rúcula e alguma coisa que não sei se é mato ou couve. elas plantaram, viram crescer dia após dia e, quando chegou o momento, colheram e fizeram uma salada. até onde sei, todas comeram e nessa teve um monte de criança que não gostava de rúcula, por exemplo, que passou a amar. foi assim que eu comecei a comer rúcula quando pequena e benjamin – que já curtia – agora sempre pede pra botar no prato dele.
  • celebrando a diversidade - esse jardim de infância é uma escola inclusiva, que atende crianças portadoras de necessidades especiais. mas o que me surpreendeu foi na semana passada, quando teve a festa da família (lá eles não comemoram dia dos pais ou das mães, mas uma festa única para pais, mães, avós, etc), onde fizeram um mural sobre a diversidade da família.  pegaram base nos livros do todd parr (autor conhecido justamente por valorizar essa diversidade) e mostraram que existem diferentes famílias: apenas com uma mãe, apenas um pai, um pai e uma mãe, dois pais, duas mães, filhos adotados, crianças criadas pelos avós e por aí vai. eu fiquei muito feliz de ver isso numa escola, até porque esse é um assunto que nunca foi tratado em nenhum lugar onde estudei. sei que os tempos são outros também, mas foi muito bom ver que trataram com naturalidade um assunto que ainda é tabu em muitos lugares.
  • projetos especiais – volta e meia aparece um projeto novo por lá: alimentação saudável (da hortinha, por exemplo), educação ambiental, desenvolvimento corporal, etc. volta e meia vem alguém de fora pra trazer esses projetos para as crianças e eles sempre a-mam de paixão.
    agora estão com um de música. semanalmente há uma aulinha de musicalização infantil e achei muito legal que a professora é deficiente visual. em paralelo a isso a professora dos meninos está trabalhando o corpo com eles, então quase todo dia o benjamin fala que a tia da música não enxerga com os olhos, mas enxerga com as mãos, com os ouvidos, com o nariz.
    também há o cuidado de elaborar alguns projetos de acordo com os interesses da turma. exemplo fictício: muitas crianças vão ganhar um irmãozinho ou já têm um pequenininho. aí a professora trabalha esse conceito de uma forma ampla na sala, como de onde vêm os bebês, o compartilhar seu espaço (e pais) com seu irmão/irmã e por aí vai.
    o legal é que, por mais que haja uma base pedagógica, existe a liberdade e flexibilidade pra trabalhar de acordo com cada turma. é totalmente diferente, por exemplo, de seguir uma cartilha pronta e padronizada ou uma grade fechada de conteúdo.
  • comunicação - além da comunicação básica com os pais através da agenda e bilhetes, uma característica que me marcou muito da professora do benjamin é como ela conversa com todos os pais e mostra-se sempre acessível a nós. no final da aula, quando vou buscá-lo, ela sempre troca uma ideia comigo (e com quem mais quiser) sobre o que foi visto na aula, como o benjoca aceitou o conteúdo, além de coisas corriqueiras. nos falamos também pelo facebook e ela é uma pessoa muito comunicativa. ou seja, não preciso passar um semestre inteiro esperando a reunião dos pais para falar sobre meu filho ou agendar um horário para conversar formalmente com ela sobre algum comportamento que ele venha a apresentar. inclusive já troquei angústias e dúvidas que me tranquilizaram só de botar isso para fora. não sei como é isso com as outras professoras, mas fico muito feliz do primeiro ano do joca já ser desse jeito.
  • todo mundo se conhece - por ser uma escola pequena, há relativamente poucos alunos e poucos funcionários. por conta disso, todo mundo se conhece e se chama pelo nome. todo mundo fala “oi, benjamin” “tchau, benjamin” “bom dia, benjamin” “bom final de semana, benjamin” e ele mesmo sabe o nome das professoras das outras salas, da tia da cantina, da portaria, da secretaria e por aí vai.

eu poderia listar várias outras coisas pequenas e grandes que me encantam por lá. conversando com outros pais eu vejo que não sou a única. inclusive, muitos deles tiraram os filhos de escolas particulares e puseram nessa, pública, e estão extremamente satisfeitos, sem a menor intenção de mudá-los para outro jardinzinho. bom ver que não é apenas um deslumbre meu como marinheira de primeira viagem.

as mudanças do benjoca

  • ele tem dormido muito mais. tem gastado mais energia, está bastante comunicativo.
  • o que mais me chama atenção é como o desenho dele evoluiu. muito. antes ele fazia só uns rabiscos e se sentia muito frustrado ao desenhar, especialmente com o pai, que desenha muito bem. depois de entrar pra escola ele se soltou e tem usado o desenho pra expressar a criatividade dele, coisa que ele não fazia antes. tem desenhado pessoas com todos os detalhes: cabelo, sobrancelha, olho, nariz, boca, covinhas, orelha, mãos e pés com dedos e usa as cores com intensidade, preenchendo o papel todinho com cor.
  • tem comido menos e está mais magrinho. não sei se é o horário e o tipo de comida que se serve na escola, mas ele chega pro almoço já de barriga cheia e à noite se recusa a jantar, só quer pão e fruta. ele já vem estado bastante seletivo pra comer, independente do colégio, mas acho que os horários da escola acabaram influenciando na alimentação dele. notei essa diferença nas férias, que ele engordou, cresceu, ganhou bochechinhas e agora está um fiapinho de novo.
  • descobri meu filho sob uma nova ótica. mãe tem essa tendência de estereotipar o comportamento do filho, mas eles se desenvolvem e até se comportam de acordo com o ambiente que estão inseridos. tem sido muito legal pra ele passar as manhãs com outras crianças da mesma idade, de convívio diário e que ele conhece pelo nome, com outros adultos que não parentes e coisa e tal. e tem me ajudado a encarar meu filho de outra maneira, o que é saudável para todos nós. ele é muito querido entre os colegas e também gosta muito de todos eles, bem como de sua professora.
  • está ainda mais expressivo e comunicativo. canta ainda mais, conta ainda mais histórias. antes chegava da escola e não contava na-da do que acontecia. agora conta os causos, as músicas, deduras os colegas e até a si mesmo.
  • está mais possessivo. acho que juntou o fato dele ter começado a frequentar o jardim com a mesma época que a irmã começou a se deslocar e ter mais acesso às brincadeiras do irmão e, consequentemente, aos brinquedos dele. ou seja, ele que reinou soberano por 3 anos e meio, de repente teve que dividir seu espaço com 15 crianças no período da manhã e 1 bebê no resto do dia (e da vida). se até então ele era um doce, super generoso e só brigava por comida, de repente passou a ser bem possessivo com tudo, até com o que não é dele. tanto que a professora veio comentar que ele tem batido em alguns coleguinhas. às vezes pra sentar numa determinada cadeira, pra ficar com algum brinquedo ou, num caso recente, bateu num colega porque tinha batido na amiguinha dele. confesso que não sei lidar direito com essa situação. sugestões?

 

os contras

tenho relutado para não escrever sobre os contras da escola. por me considerar muito crítica, às vezes acho que podem rolar uns exageros da minha parte. algumas coisas mais brandas me incomodaram muito no começo e depois eu fui baixando a guarda. outras, conforme o tempo passa, só me indignam mais ainda. essas eu vejo que não são meros problemas pessoais meus, mas que o buraco é muito mais embaixo. então vou dividir os contras em três categorias:

contras versão light

no primeiro semestre essas coisas aconteciam com mais frequência: balinhas, doces, muita televisão. cada sala tem uma televisão dentro e isso me incomoda um bocado. o benjamin toda semana me aparecia com uma novidade diferente: a casa do mickey mouse, galinha pintadinha, patati patatá, xuxa spb. aquilo me irritou, tirou do sério. menino chupando pirulito assim, durante a semana, antes da hora do almoço? cantando veeemmm dançaaar que o circo já chegou e por aí vai mexeu muito comigo. tudo que eu trabalhei nele por 3 anos sendo confrontado dessa maneira. perguntei, questionei e já comecei a criar minha fama de chata. aos poucos relaxei, aceitei algumas coisas porque sou dessas que acredita que temos que escolher nossas batalhas. não dá pra lutar contra tudo o tempo inteiro. eu tenho muita energia boa pra gastar nessa vida.
aí não sei se fui eu que relaxei ou se a coisa foi ficando mais tranquila mesmo, mas achei que as balinhas diminuíram, nunca mais veio um doce (ou palhaço) colado na agenda e, por mais que ele ainda cante umas músicas toscas, denunciando a tv ligada vez ou outra dentro de sala, ele também me veio com cantando um palavra cantada ou cocoricó que, dos males, o menor.
também acho que outras coisas muito mais bacanas começaram a acontecer em paralelo, então ele passou a dar menos atenção a isso. ok que ainda me incomodo com a história do cineminha acompanhado de pipoca de microondas toda quinta feira, mas decidi desapegar disso, de coração.

contras versão média

a merenda. o lanche é o mesmo para todas as crianças, preparado e servido na cantina da escola. alguns pais já reclamaram de servirem “almoço” na hora do lanche, como baião de dois, macarrão, risoto, mas pra mim esse não é o pior. pra mim o pior é o fato de todo santo dia o lanche ser praticamente só carboidrato, sendo que duas a três vezes por semana é carboidrato tosco e refinado como cream cracker acompanhado de leite com achocolatado (açúcar puro), macarrão ou pão com margarina e iogurte. obviamente nesses dias eu mando o lanche de casa por causa da alergia do benjamin, mas mandaria do mesmo jeito se ele não tivesse alergia. nos outros tem esses almoços aí.
uma vez por mês eles fazem o dia da fruta, onde os pais mandam de casa as frutas já higienizadas e picadas e todas as crianças compartilham em sala de aula. é o dia que o joca mais come. lamento muito que esse dia da fruta não aconteça semanalmente – no lugar do biscoito com achocolatado – e lamento mais ainda que não sejam servidas frutas, saladas e outras verduras como item indispensável do cardápio.
minha luta é que essas crianças estão na primeira infância, onde muitos hábitos são construídos, inclusive os bons (e maus) hábitos alimentares. aí agora eu tenho que dobrar a educação alimentar aqui em casa e, por outro lado, de muita coisa eu já tive que abrir mão, porque ele aprendeu que porcarias muitas vezes (ou quase sempre) podem ser deliciosas.
infelizmente me parece que lá eles cagam e andam para isso e jogam a culpa toda na secretaria da educação, que fornece o cardápio fechado e pronto e acabou. ninguém luta por isso e se acomoda nesse fato. fim.

contras versão temço nível elevado

propaganda dentro da escola. eu sempre soube que isso existia e costuma ser prática “comum” em algumas instituições de ensino. mas percebi que na do joca não é diferente, infelizmente.
a primeira coisa que me chamou atenção foi a história do álbum de figurinhas. nossa, como isso me incomodou! mas achei que tinha sido inocência por parte da direção e preferi não encrencar.

aí foi a vez da festa junina e a rifa. em outra festa já tinham distribuído rifas para vender. um bloquinho com 30 rifas a um real cada, pra ajudar na festa da páscoa. beleza. mas na festa junina foi pior. a gente tinha que assinar um termo na agenda autorizando o filho a ser príncipe/princesa da festa, comprometendo-se a vender pelo menos 90 rifas. eu não assinei porque não tinha como me comprometer a vender 90 reais em rifa. eu não gosto de rifa. não gosto que me vendam rifa e ainda por cima odeio vender rifa. alguém me sugeriu comprar todas e acabar com aquele tormento, mas eu nem tinha 90 reais pra isso.
então o benjamin veio com um papo de “mãe, deixa eu ser príncipe?” e eu, sem entender, dizia “claro, filho, você é meu príncipe”. depois de alguns dias de insistência ele disse “a professora falou que é pra você deixar eu ser príncipe na escola”. eu, que tinha esquecido da autorização da agenda, de repente senti cair a ficha. marquei a autorização e simplesmente rasurei no escrito “comprometendo-se a vender”. ou seja, ele pode ser príncipe, mas eu não assumo compromisso pra vender p*$&% nenhuma.
na reunião de pais antes da tal festa (que seria para encerrar o semestre) eu questionei essa história de rifa, perguntando como ficariam as crianças cujos pais não venderem 90 reais em rifas e se elas não se sentiriam excluídas. no que a resposta veio com a maior naturalidade:
- as crianças que não forem ser príncipes e princesas participarão da festa junina, mas não da coroação.
- sim, mas elas ficarão ali, sentadas, assistindo os amiguinhos ganharem coroa e não serão coroadas? isso é injusto! – disse, inocente, sem saber de nada.
- não, as crianças que não venderem toda as rifas ficarão dentro da sala de aula com algum funcionário da escola enquanto as outras são coroadas lá no evento, no pátio.
quis morrer, quis cair pra trás, quis botar fogo no próprio corpo e sair correndo e gritando pela escola em forma de protesto. como assim, uma escola com uma proposta pedagógica tão legal, inclusiva e coisa e tal, com uma estrutura bacaninha fazer isso com as crianças? é totalmente contraditório! é totalmente anti ético!
a professora reforçou que é contra isso, que todo ano pede pra parar com essa história de rifa, que ninguém gosta de rifa e que mesmo assim essa situação se repete ano após ano.
no dia da tal festa junina eu não quis apenas atear fogo ao próprio corpo, gritar e correr. eu queria rodopiar, voar, explodir e enterrar meus restos num buraco no meio da areia do parquinho. foi um show de horrores: toda hora falavam sobre as contribuições das rifas, sobre dinheiro, sobre o marido da diretora ser a pessoa que fotografa e filma o evento e que ele venderia as fotos e vídeos por 30 e 40 reais, respectivamente. mas gente!
minha mãe e irmã ficaram indignadas. tão indignadas que nem deram a menor bola pra festa da família, que aconteceu na semana passada (e que foi mil vezes melhor que a junina, apesar de outras atrocidades que logo contarei).
as rifas? bem, minha mãe, minha irmã e eu compramos ali no dia, pro benjamin poder ser coroado príncipe. não que eu dê importância a isso, mas porque eu não queria que ele se sentisse excluído, já que havia sido criada uma expectativa gigantesca (manipuladora) em torno disso.
uma covardia! por sorte eu tive pessoas pra me ajudar, mas essa é uma escola pública! nem todos os pais têm condições de vender/comprar noventa reais de rifa. ou melhor, de comprar a coroação do filho! isolar a criança assim, na maior? tão injusto, tão deselegante!!

por sorte as férias começaram no dia seguinte, passamos um mês longe disso, teve copa, teve 7 a 1 e teve um monte de distrações que fizeram a gente esquecer a tal mini festinha capitalista.
até a semana da festa da família.

não teve rifa na festa da família, mas contamos com o patrocínio de uma ótica conhecida na cidade. para não fazer propaganda dessa porcaria, vou chamar apenas de óticas x. quando fui ver o cronograma da semana da família, tinha umas coisas legais, como visita do corpo de bombeiros, e outras atividades. mas no dia anterior ao evento haveria um “pré exame oftalmológico com as óticas x”. depois li no mesmo informe, que veio na agenda, mais uma menção às óticas x. já foi o suficiente para me deixar com um pé atrás. foi quando vi que, do lado de fora, penduraram um banner convidando a comunidade local para a festa da família e, no canto inferior do banner, a logomarca da tal óticas x. a partir dali eu já comecei a prever o próximo capítulo.
dito e feito. quando fui buscá-lo tinha no pátio do colégio um expositor cheio de óculos escuros, duas funcionárias da ótica uniformizadas e um monte de panfleto de propaganda das óticas x. fiquei tão pau da vida, meu sangue fervia e vi que uma das mães de uma colega do joca tinha acabado de sair da diretoria, indignada com isso.
busquei ele na sala de aula e ele me entregou um bilhetinho, atado ao braço:

amanhã, durante a festa da família, ofereceremos várias atividades interessantes para toda a comunidade escolar. em uma das oficinas teremos a escritora fulaninha de tal, que estará vendendo livros de literatura a R$ 15,00 e também contaremos com uma exposição de óculos a preços promocionais, pela ótica x.
não deixem de aproveitar as promoções!!!
equipe do jardim de infância”

ao chegar da escola, encontrei grampeado na agenda mais porcaria: um papelzinho cheio de numerozinhos tipo 1,50, 1,0, + e  - e nada que eu conseguisse compreender. anexo ao papel tinha grampeado o cartão da tal ótica e escrito “indicação 60,00″.
liguei lá e descobri que, no tal pré-exame, havia aparecido alguma dificuldade dele ao enxergar “de longe” (a funcionária não soube me informar se era miopia, astigmatismo, hipermetropia. acho que ela nem conhecia esses nomes) e que essa indicação era para um oftalmologista parceiro das tais óticas x. perguntei, na simpatia, se ela ganhava comissão por indicação e se era pra dizer que ela que tinha indicado no que me vem uma resposta do tipo “sim, por favor, diga que fui eu porque eu ganho comissão”. também perguntei se eu fizesse os óculos nas óticas x e dissesse que vim a partir do exame feito na escola se conseguiria algum desconto e ela respondeu que sim, que me conseguiria “um bom desconto”.
não digo que fiquei pasma porque eu já esperava isso tudo. mas com certeza fiquei indignada. questionei se algum médico tinha feito o exame e descobri que não, ela mesmo tinha feito com um aparelho da loja. desliguei o telefone com uma voz simpática, mas tremendo.
pra cima de mois? e joca não foi o único da sala com problema “pra ver de longe” não! sem contar que ele tem uma visão de botar inveja em qualquer adulto! aquilo elevou minha indignação ao nível máximo!
a vontade foi de ir à escola, gritar com todo mundo, botar fogo nos meus cabelos, nos pelos do sovaco e nos pubianos e sair correndo pelada pela rua, mas me segurei porque eu estava muito, muito indignada, e poderia falar coisas das quais me arrependeria depois.
[falar sobre o papelzinho: pra completar..]
no dia seguinte foi a festa. não sei se eu já estava acostumada com o esquema festa junina de ser e também porque a festa em si foi muito mais legal que a anterior, mas não me choquei tanto. a diretora, claro, falou das fotos e vídeos e lá estava o marido dela fazendo se trabalho. falou de quem fez a decoração e deixou o contato no mural para quem quisesse. e também tiveram 6 oficinas após as apresentações, uma delas era do tal “pré-exame” e os óculos promocionais. outra era uma contação de história (fraquíssima por sinal) e a contadora estava vendendo seus livros.
mas eu não aproveitei as promoções. ignorei o que me incomodava e aproveitei a minha família, afinal, aquele era o propósito pra mim, pelo menos. e as outras oficinas foram bacanas: de alimentação saudável, de pintura, de escotismo, de brincadeiras de rua.
pouco antes de sairmos, um rapaz que volta e meia ajuda na manutenção da escola abordou meu marido dizendo: “vocês já foram lá ver os óculos? vai lá, tá em promoção”. ele disse que não tinha interesse, eu dei uma resposta meio evasiva e deixamos isso de lado.
benjamin saiu de lá feliz da vida e eu acho que consegui relevar com sucesso as atrocidades.
mas ainda estou tentando lidar com isso tudo.
uma escola tão legal e ao mesmo tempo com umas estratégias pra ganhar dinheiro tão toscas.
eu entendo que todos os bons recursos que a escola tem são provenientes desses dinheiros que entram por fora, porque o governo não dá um centavo furado para ajudar em nada. mas não concordo de maneira alguma com a forma como isso é feito e, ao conversar com vários outros pais, percebi que essa é a postura da escola ano após ano e, por mais que alguns pais reclamem, nada muda.
me senti impotente. ainda me sinto. ainda estou procurando a melhor forma de resolver isso. ao invés de apresentar o problema, apresentar a solução.

já bati o pé e disse que não compro mais rifa. aumentei a minha contribuição mensal da apm, que é a associação de pais e mestres, responsável por cuidar da escola além dos recursos escassos que o governo dá. mas talãozinho de rifa não entra mais na mochila do meu filho, muito menos na minha casa. não compro foto nem filme de evento. se quem faz isso é o marido da diretora, ele que trabalhe voluntariamente e forneça o material em dvd. os pais se encarregam apenas de fornecer a mídia para ele gravar e ponto final.

mas meu lado john lennon é sonhador e eu tento imaginar e acreditar na inocência de todos naquela escola. tento achar que tudo isso só acontece no mero intuito de ajudar as crianças. que eles só fazem as coisas como fazem porque não conhece um jeito diferente de administrar certas situações. que, se eu juntar com outros pais e mães, conseguiremos apresentar soluções lindas e bacanas, condizentes com o resto das coisas tão boas que a escola oferece e, assim, todos viveremos em união, com a paz, a esperança e o amor verdadeiro.

(pera aí que eu vou acender um incenso e já volto)

mas, enquanto isso não acontece, me resta ir atrás de mais informação, de conversar insistentemente com a direção e ver se consigo alguma mudança em alguma coisa. afinal, fama de chata eu já tenho mesmo.

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01 de setembro

calcanhar de aquiles

por luíza diener

Always Together

eu cresci achando que minha mãe era a melhor do mundo. não apenas quando eu era pequena mas, ainda hoje, quando penso nas minhas mais marcantes memórias de infância, minha mãe estava lá, me proporcionando momentos incríveis com sua criatividade e simplicidade. não canso de dizer que só sou a mãe que sou por causa dela. algumas coisas fluem com muita naturalidade porque isso ficou internalizado em mim.
daí nasceu a imagem da minha mãe como uma espécie de super heroína. porém, conforme eu cresci, também percebi que ela tinha defeitos, como qualquer pessoa normal. mas, ao invés de reconhecer a humanidade dela, comecei a achar que ela que tinha mudado.

até que virei mãe.

nunca me esquecerei quando, com poucos dias de nascido, resolvi dar o primeiro banho do benjamin sozinha. até então tinha sempre minha mãe ou marido por perto, mas naquele dia eu aproveitei que não havia mais ninguém comigo pra aprender a me virar. ele engoliu muita água da banheira, quase afogou de verdade e, por mais que por fora eu mostrasse calma e frieza nessa situação tensa, quando ele estava finalmente vestido, quentinho e aconchegado no meu colo, mamando, eu desabei. chorei, chorei, me senti frustrada, culpada, me senti incapaz. descobri que eu, que me considerava a mulher mais forte do planeta, acabara de encontrar meu calcanhar de aquiles: meu filho.
se até aquele momento eu me achava a mãe mais incrível do universo – a leoa empoderada que protege suas crias – esse pequeno deslize me ensinou uma preciosa lição: mães erram. e aquilo foi assustador para mim: como podem mães errar, se minha mãe era perfeita? se ela, que criou 3 meninas praticamente sozinha, parecia dar conta de tudo, como é que eu falhava a ponto de arriscar a vida do meu filho por um simples descuido (porque na época eu jurava que ele poderia ter morrido afogado)?

outras situações bem mais tensas já aconteceram nos meus últimos 4 anos como mãe, especialmente com o benjoca – que será sempre meu filho de primeira viagem – mas, por mais que errar ainda doa muito, minha forma de reagir a isso mudou. comecei a aceitar minha fragilidade e a entender que às vezes os filhos são muito mais fortes que nós. minha fraqueza também é minha razão para encontrar forças dia após dia, erro após erro, transformar frustração em motivação e não me deixar engolir pela culpa que tenta me atingir toda vez que eu descubro que não sou perfeita.

foi aí que eu consegui finalmente entender quando diziam que a gente aprende a valorizar mais a nossa mãe depois que nos tornamos uma. é justamente isso! as falhas e os erros que eu descobri nela conforme eu crescia não indicavam que ela estava falhando, pelo contrário: era ela mostrando que sempre foi humana e eu relutando em aceitar isso.
admitir minhas falhas e fraquezas foi e continua sendo fundamental na minha construção como mãe e, mais ainda, no reconhecimento de que a minha mãe  tem também suas imperfeições, mas continua sendo o maior exemplo de amor e cuidado que eu tenho.

* * *

esse post faz parte da ação #AmoComoVocêAma, um movimento de Comfort para mostrar que não importa as falhas e defeitos de nossas mães; a gente ama o jeito que elas nos amam.
também abraçam essa causa as mães Shirley (www.macetesdemae.com), Camila, Mariana e Patrícia (www.mundoovo.com.br). 

faça parte você também do nosso movimento e celebre o amor à sua mãe, que é perfeito mesmo com suas imperfeições. compartilhe uma história marcante usando #AmoComoVocêAma nas redes sociais, compartilhe esse texto ou homenageie sua mãe clicando aqui: www.amocomovoceama.com.br

 

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setembro

sorriso de sansa

por hilan diener

eu digo “sansa!” e ela, que estava super séria, me olha pra câmera com essa carinha de sapeca. é oficial: agora eu não tenho apenas uma, mas duas figurinhas carimbadas em casa

 

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26 de agosto

12 coisas que não se dizem para uma mãe em carreira solo

por hilan diener

maesolo

perguntamos no facebook coisas que não se dizem a uma mãe solteira em carreira solo,
o resultado – com as piores melhores respostas – você encontra abaixo:

1) “pra começo de conversa, não devem chamá-las de “mães solteiras”. ser mãe vai muito além de um mero estado civil”

2) “vai ser difícil você achar alguém que queira uma mulher que já tem filhos”

3) “o pai paga pensão?” (disparada a mais ouvida)

4) “mas vocês não pensaram na criança antes de se separar?”

5) “nossa, é a cara do pai!”

6) “sem um pai tem grande chance desse menino virar gay. afinal, sem um homem só vai aprender coisa de mulher!”

7) criar filhos sozinha não é fácil. ruim com ele, pior sem ele (o pai)”

8) sempre diziam que por ser criada só pela minha mãe, os homens se aproveitariam de mim, por não ter um pai pra dar medo.”

9) “o que VOCÊ fez pra ele te largar com essas crianças pequenas?”

10) “mas não dava pra arrumar uma pessoa melhor pra fazer esse filho?”

11)” cuidado! quando ele crescer com certeza vai dar mais valor ao pai do que a você, que sempre fez de tudo por ele.” 

12) “ah você vai ver, ele vai voltar. reza bastante que ele volta”

quanto mais a gente reza, mais assombração aparece. valha-me, deus!

conheça outros posts da série coisas que não se dizem:

e também:

 

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25 de agosto

as escolas de hoje bastam?

por hilan diener

O documentário “Quando sinto que já sei” registra práticas educacionais inovadoras que estão ocorrendo pelo Brasil. A obra reúne depoimentos de pais, alunos, educadores e profissionais de diversas áreas sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escola.

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22 de agosto

4 anos

por luíza diener

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eu estava sentada no chão do quarto dos pequenos enquanto eles brincavam. benjamin vestiu uma blusa por cima da outra, riu de alguma bobagem que ele mesmo disse enquanto se dirigia a mim com seus cabelos castanhos mechados de dourado, já compridos, cobrindo os olhos. fiz cosquinha, beijei-o no rosto, ele riu e disse alguma palavra com a pronúncia trocada. naquele instante me caiu a ficha: “amanhã ele faz 4 anos!”. tentei esconder a emoção quando percebi que meus olhos marejavam com lágrimas enquanto, como se lesse meus pensamentos, ele correu para a trena na parede, se mediu e disse:

- olha, mamãe, já cheguei no 100!
- é filho, você está crescendo, tá vendo? já tem quase 100 centímetros.
- quase não, mamãe, eu já tenho 100. amanhã eu vou fazer 4 anos e vou medir 100.

e aí não me caiu a ficha, caíram quatro orelhões em cima de mim. quatro não, cem: “esse tempo que estou vivendo exatamente agora vai passar e não tem mais volta”, pensei e corri para pegar a câmera e filmá-lo, na tentativa de congelar aquele instante, que logo escaparia.

não posso dizer que passaram voando esses quatro anos. a noção que tenho é que a vida inteira eu fui mãe. quando lembro da minha vida antes do benjamin parece que estou pensando em uma pessoa completamente diferente.
vejo esse menino baixinho, magrelo e cabeludo. um ano atrás ele tinha um rostinho tão redondo, ainda uma cara de neném… lembro dele com a idade da constança como se fosse ontem e cada dia mais, quando vejo ela reproduzindo algumas coisas do mesmo jeitinho que ele fazia.
vejo fotos, assisto a alguns filmes dele e percebo como certos comportamentos ou maneiras de pensar parecem ser as mesmas desde muito novo. esse menino é único e tem uma personalidade própria e muito marcante!

com ele eu sempre vou ser mãe de primeira viagem, para ele foram e ainda serão alguns dos meus momentos mais intensos na minha jornada como mãe: a primeira gravidez, o primeiro parto, as primeiras vezes que tive que lidar com papinhas, birras, desfralde, passar do berço pra cama, a primeira vez que levei um filho ao hospital.
aliás, nunca me esquecerei que três anos atrás nós “comemorávamos” seu primeiro ano de vida com ele sentado na maca do hospital, tomando soro na veia e com um balão feito com luva por alguma enfermeira da área da pediatria. hoje é tão forte, nunca mais adoeceu como antes. eu só tenho a agradecer a deus pela sua vida e sua saúde!

um dia desses imaginei ele de barba. pensei nele chegando em casa com uma barba espessa, me abraçando por cima dos ombros e me beijando na cabeça. apenas isso.
imaginar que um dia meu filho se tornará um homem é algo lindo e que, confesso, me dá um pouco de frio na barriga também.

um ano atrás escrevi isso, mas não postei aqui no blog:

difícil é não se apaixonar por você.
com esses olhos que são tão expressivos desde o dia que você nasceu. esse sorriso fácil, essa gargalhada gostosa. essa voz fininha e tão engraçada que só você tem.
dono de umas caretas que são só suas, um vocabulário tão amplo, um inglês arcaico que só você conhece.
você é tão feliz, tão forte e tão corajoso. um corajoso que sabe chorar quando tem medo, mas mesmo assim o vence e enfrenta o que for preciso.
criativo, determinado, intenso em tudo o que faz, extremamente carismático, que conquista todo mundo onde quer que vá.
te amo, meu filho, e tenho um orgulho imenso de ser sua mãe!

quatro anos são apenas o início de uma vida, o começo das suas memórias. que venham mais quatro, mais cem, mais quantos anos o bom Deus nos permitir.

niver_4anos

categorias: 4 anos, amor, benjamin, criança, marcos importantes

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21 de agosto

oração

por luíza diener

orando o pai nosso com o benjoca: 
- pai, o que é não cair em tentação?
- é uma situação complicada que temos muita dificuldade em fazer o que é certo.
- igual quando alguém fica falando pra mim “quer um guaraná!? quer um bolinho de chocolate?”

categorias: por definir

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20 de agosto

com amor

por luíza diener

se existe uma coisa que eu adoro é conversar. falar, ouvir, conhecer outros pontos de vista, outros modos de pensar e encarar as coisas. acho fantástico ver como existem pessoas que pensam tão diferente de nós e como aquela forma de viver a vida parece ser justamente a ideal para ela.
com a maternidade não seria de outra maneira. aliás, esse é atualmente meu tema predileto.
gosto de ouvir outras experiências. gosto de aprender com elas.

no começo da minha jornada como mãe eu tive dificuldade em aceitar as diferenças, em respeitar a mãe que fazia as coisas de um jeito contrário ao meu, como se eu fosse a única que soubesse como criar um bebê.
mas logo descobri que se aquele jeito funcionava para o meu filho não necessariamente daria certo para outro (coisa que pude constatar anos depois, na prática, com a chegada da sansa). percebi que não existe um único jeito de cuidar dos filhos e, mais importante, não tem jeito certo ou errado de se amar.

sou dessas que acredita que todas as mães amam seus filhos. por mais que às vezes pisem na bola, por mais que cometam alguns deslizes (quem nunca?), a gente erra tentando acertar.
é por isso que eu acredito na causa amo o jeito como você ama, um movimento de comfort para mostrar a todas as mães que mais importante que fazer tudo certinho é fazer com amor. que não existe jeito certo ou errado de ser mãe, desde que seja sempre com amor.
não somente para nós, que somos mães, mas para as nossas mães também.
em vez de esperar as datas comemorativas para lembrar das coisas gostosas que sua mãe fazia, que tal reconhecer seu amor por ela nas grandes e pequenas coisas?
se tentamos ser a melhor mãe que podemos, por que com ela seria diferente?

nos próximos meses, estaremos junto com comfort promovendo essa ideia: aqui no blog e nas redes sociais – nossa e deles.
você pode acessar a página e fazer parte desse manifesto de amor acessando:
www.amocomovoceama.com.br

são nos gestos do dia a dia que as mães mostram o carinho por seus filhos. então por que não fazer o mesmo e diariamente reconhecer na frente de todos o que sentimos por elas?
por que não marcá-la numa publicação no facebook ou numa foto do instagram mostrando que estamos atentos aos seus atos de amor, mesmo que nem sempre elas usem palavras para isso?
vamos unificar esse manifesto e transformá-lo em público por meio da hashtag #amocomovocêama.

se quiser fazer um cartão com a declaração para a sua mãe (avó, pai ou mesmo para seus filhos), você pode entrar no site, criar seu cartão virtual e compartilhar. é só entrar em www.amocomovoceama.com.br/create:

piqueniquelençol2

as declarações também ficarão publicadas na galeria da página, e comfort transformará histórias de amor em doses do amaciante que serão doadas para instituições sociais apoiadas pela Fundação Abrinq. saiba mais no regulamento.
inspire-se no filme e conte para sua mãe e para todos que você ama o jeito como ela te ama:

 

categorias: Tags:, , , publicidade, vídeos

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19 de agosto

14 meses de constança

por luíza diener

sansa 14 meses

já tem uma semana, mas não poderia passar em branco. sansa agora está com 1 ano e 2 meses e eis as peripécias do mês anterior:

  • aprendeu a ficar em pé sem apoio, ainda com algum esforço. ela vai, se apoia em algum lugar solta as mãozinhas e fica em pé apenas por poucos segundos, mas que já são suficientes para deixá-la orgulhosa de si mesma. ao ficar em pé, ela olha pra gente e diz “ó!“, com uma voz de pato. claro que a gente também morre de orgulho!
  • apesar de ainda aparentar estar longe de andar, sobe e desce escadas sem medo. então, como não temos escada dentro do apartamento, levo ela na de emergência aqui do prédio mesmo. ela volta imunda, mas é um passatempo que ela e irmão amam. vai entender.
  • tem quase um mês que só dorme se for grudada em mim, literalmente. tem quase um mês que tenho dormido praticamente a noite inteira sentada, com ela ora mamando, ora deitada no meu colo. pedindo muita paciência a deus. e coluna de ferro, porque minhas costas estão me matando.
  • tira um cochilo durante o dia, geralmente de uma hora. às vezes bem mais, mas geralmente bem menos. nas últimas semanas ela curtiu isso de dormir grudada no peito então, quando sua soneca calha com a do irmão (a do joca dura pelo menos 3 horas), eu taco ela no peito e fico assistindo série.
  • falando em série, hilan e eu cismamos que ela parece com a bebê lily, das duas primeiras temporadas do modern family. pode ser que só de longe tenha alguma coisa a ver fisicamente, mas o jeitinho é todinho o dela, quando fica séria. a gente assiste o episódio todo esperando ela aparecer e depois fica babando.
  • se ela sempre teve as tais mãos magia, agora tem usado-as com uma delicadeza impressionante:
    • segura o lápis igual gente grande e tenta desenhar como o irmão.
    • encaixa pequenos pinos em orifícios pequenos, como o carregador de bateria ao notebook ou o fone de ouvido no seu devido buraquinho.
    • separa a massinha (do irmão) em partes pequenininhas, quase fazendo bolinhas.
    • monta e desmonta lego. um dia encaixou vários legos duplos em uma base, mais uma vez nos mostrando: “ó!”
  • seria já tema pro post do mês que vem, mas nos últimos dias ela começou a fazer uma pose ótima onde ela ajoelha sobre uma perna e coloca o outro pé no chão, apoiando as mãozinhas nas coxas (vide foto ao final do post).
  • também seria tópico pro post do mês que vem, mas hoje formou sua primeira frase. ela acordou, mamou, ficou um pouco de dengo no meu colo e soltou: “dedota! tadê u dedota?” que, em português, significa “benjoca! cadê o benjoca?” e desceu da cama para procurá-lo.
  • como ela volta e meia tem feito isso de terminar de mamar e descer da cama para brincar, às vezes eu aproveito para ganhar uns minutinhos de sono.
  • de repente, do nada, ela chama bem alto: “PAPAI!”. raramente chama a mamãe, muito mais o papai. o dia inteiro chama baixinho e umas duas vezes por dia ela grita em claro e bom tom. às vezes até assusta a gente. pra não dizer que nunca me chama, ela faz isso quando está com o pai. e chama ele quando está comigo. eu diria que numa escala de chamação, ficaria mais ou menos assim:
    1. papai
    2. benjoca
    3. mamãe
    4. tov
      e não chama mais ninguém.
  • tagarela muito numa língua indecifrável, mas fala poucas palavras, que se resumiriam a: ó, papai, mamãe, dedota, bó, bá (essas duas servem pra qualquer coisa) e bão/bom, que servem para definir qualquer comida. antes animais ela chamava de hmm-hmm, mas agora ela faz um rrrrr com a garganta, que ela usa pra chamar o porco.
  • gosta de esconder atrás do notebook e surgir, pra brincar de cadê-achou.
  • inclina a cabecinha para o lado quando está curiosa ou concentrada em alguma coisa.
  • é cautelosa, não se arrisca por pouco. só faz alguma coisa quando tem segurança do que está fazendo. desconfio que será dessas que, quando começar a andar, já sairá correndo.
  • continua na vibe imitadora. pega qualquer coisa que pareça um telefone e começa a tagarelar um bate papo incompreensível para os reles adultos.
  • super interessada em partes do corpo, identifica olho, nariz, orelha, cabelo, dente e agora acha que boca é língua.
  • apesar de toda sua delicadeza, começou a fazer pequenas artes, como rabiscar portas e paredes, arremessar objetos que perderam o interesse para ela, puxar papel higiênico do rolo, fio dental da caixinha, jogar livros no chão e outras artes. quem está adorando isso é o benjamin, que volta e meia convida: “irmã, vamos fazer bagunça?” e ela aceita, na maior alegria.

tchau!

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categorias: constança, desenvolvimento do bb, mês 12-18

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14 de agosto

a evolução de um bebê prematuro

por hilan diener

vídeo emocionante regista os 80 dias que um bebé prematuro passou no hospital

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