17 de setembro

fotos de crianças vendo pela primeira vez seus irmãos recém-nascidos

por luíza diener

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um aviso importante: a última é a nossa foto favorita. <3

 

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12 de setembro

como vender rápido coisas usadas

por luíza diener

preciso confessar: sou dessas que tem perfil acumulador. de guardar objetos pensando que posso utilizá-los num futuro para alguma finalidade que ainda não sei bem qual é, mas que futuramente descobrirei. assim, quando descobrir, terá valido a pena. será?

pra completar, em casa onde se tem filho parece que as coisas se multiplicam de forma exponencial.
por isso temos uma regra aqui em casa: para cada coisa que entra, pelo menos uma sai. melhor ainda se forem duas sou três. pra mim o mais importante é botar as coisas sempre para circular. desapegar já virou um hábito constante na minha vida e posso dizer que isso traz uma leveza muito grande tanto pro meu lar quanto para mim mesma.

quando anunciei a poltrona de amamentação na OLX fiquei meio ansiosa, visto que já tinha tentado vender ela para pessoas mais próximas. mas aconteceu que rapidamente a poltrona arrumou um novo lar, eu peguei o jeito pra coisa e decidi aproveitar pra compartilhar algumas dicas para vender melhor na OLX:

  1. coloque-se no lugar de comprador. o que você gostaria de saber sobre o produto à venda? quanto mais informações puser, maior a chance de vender.
  2. dê uma olhada na concorrência antes de formular seu anúncio. pesquise: outras pessoas já estão vendendo algo semelhante? por qual preço? aproveite para ver se elas te convencem de que aquele é um bom produto e inspire-se. caso contrário, coloque no seu anúncio aquilo que você gostaria de ter visto.
  3. um bom título: faça uma breve descrição do produto, insira palavras chaves e crie um título coerente, pois é a partir disso que seu produto será encontrado e ele precisa se destacar. conte seu estado de conservação, se é novo ou usado, alguma informação que o caracterize como: cor, tamanho, etc. evite o uso de caixa alta em exagero, pois parece que você está GRITANDO, assim como excesso de exclamações!!!!
  4. descreva bem seu produto: existe alguém interessado no seu produto, mas ele não está vendo-o ao vivo, então sua tarefa é contar todos os detalhes possíveis. fale sobre as medidas, o peso, tempo de uso, estado de conservação e – se achar necessário – conte por que você está vendendo. uma história breve ajuda a criar uma relação com o potencial comprador, mostrando que você é uma pessoa real.
    também especifique como deseja fazer a venda e como quer ser contatado. mas cuidado na hora de fornecer informações pessoais e não saia passando seu endereço para qualquer um.
  5. a foto: quer vender alguma coisa rápido mas não tem foto? as pessoas sempre preferem comprar um produto que tenha foto, de preferência mais de uma. o potencial comprador não te conhece, nunca te viu na vida e precisa se certificar de que vai comprar algo que vale a pena. a foto conta para ele como é o produto e boas fotos te ajudam a vender mais rápido.
    não precisa ter uma câmera profissional, apenas um pouco de cuidado e paciência e elas ficarão ótimas.
  6. o preço: essa é a hora da verdade. seja sincero ao colocar um preço no que você quer vender. avalie o real estado de conservação e veja a que preço outros anunciantes estão vendendo um produto semelhante. tente deixar de lado o valor emocional que aquilo pode ter para você ou o preço que aquilo custa na loja originalmente. vejo muitas pessoas que pensam: “na loja custou 400. eu estou vendendo por 300”, sendo que na loja aquele produto é novo e existem tantos impostos e custos embutidos no valor final que é capaz do lojista ter menos lucro que você. eu costumo ver o preço médio de mercado e botar o meu igual ou um pouco abaixo. sou daquelas que prefere ganhar um pouco menos de dinheiro, mas vender, a ficar com algo tão “valioso” parado dentro de casa, ocupando espaço e deixando meu bolso vazio.
  7. de olho na segurança: atualmente mais e mais pessoas têm usado a internet para comprar e vender produtos e serviços. tem sido cada vez mais seguro fazer negócios virtualmente. na OLX o anúncio é virtual, mas muitas pessoas optam por fazer o pagamento e entrega pessoalmente. se esse for seu caso, dê preferência para fazer isso em um local público. quando vendi aquela poltrona enorme, o marido que levou ela para debaixo do bloco e recebeu o dinheiro por mim.

anúncio OLX cômoda

essa cômoda foi minha venda mais recente. em pouco mais de uma hora eu recebi o contato de 7 interessados diferentes e vendi ela em menos de 2 dias.

OLX comoda

ou seja, funciona mesmo.

publicar um anúncio na OLX é rápido e fácil. e é de graça. você pode anunciar quantas coisas quiser, que é o que eu tenho feito. além de ganhar espaço na casa ainda dá pra juntar um dinheirinho extra, seja para poupar ou para comprar outra coisa que você esteja precisando.
você pode fazer isso pelo site, mas também tem o aplicativo pra smartphones e tablets, pra facilitar a vida: é só tirar a foto do celular e publicar direto pelo app. assim não sobram desculpas pra continuar acumulando coisa.

desapegar é só começar. quer desapegar também? anuncie grátis na OLX:

www.olx.com.br

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11 de setembro

15 meses de constança

por luíza diener

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1 ano e 3 meses parecem uma vida. e são.
tento não fazer comparações, mas me lembro claramente do benjoca nessa idade e do quanto que, na minha cabeça, ele já era criança de tudo.
hoje eu vejo sansa e ainda acho ela tão bebê… mesmo assim nesse último mês ela cresceu tanto que às vezes me assusto. estou en-can-ta-da com a fofura dela e sua percepção de mundo e deliciada em vê-la crescer tão esperta.

  • jogar objetos longe (especialmente os que não quer mais) virou uma de suas brincadeiras prediletas.
  • essas duas eu postei no mês passado, mas ela só começou a fazer de verdade depois de ter completado 14 meses, então vou deixar aqui pra registro:
    • aprendeu a fazer uma pose ótima onde ela ajoelha sobre uma perna e coloca o outro pé no chão, apoiando as mãozinhas nas coxas.
    • formou sua primeira frase. ela acordou, mamou, ficou um pouco de dengo no meu colo e soltou:  “dedota! tadê u dedota?” que, em português, significa “benjoca! cadê o benjoca?” e desceu da cama para procurá-lo.
  • deu seus primeiros passinhos: 3 em direção ao papai. ele me chamou para ver, eu fui lá e ela deu de novo. aí me abraçou e começou a chorar. na verdade ela ficou assustada quando percebeu que fez isso sem querer e passou mais de uma semana só engatinhando, sem querer ficar em pé. aí comecei a exercitar sua confiança (e equilíbrio), dando objetos pra ela segurar em pé. ela ficou mais tranquila, jogava os objetos e se divertia com a brincadeira. desde então passou a andar apoiada com mais frequência. de chegar onde quer em pé, segurando nos móveis e objetos que vê pela frente. não tenho 100% de certeza de que ela vá andar agora, com 1 ano e 3 meses, mas acho que de 1 e 4 não passa não.
  • birras: gente, tá uma coisa impressionante! a gente tem que pisar em ovos porque qualquer movimento brusco ela surta. exemplo: nunca, jamais, tire um objeto da mão dela de supetão. é choro, gritaria e estresse na certa. se ela estiver em pé vai se jogar no chão, de barriga pra baixo e enfiar a cara no chão, em pose de drama. é capaz até de engatinhar de ré em forma de protesto. isso acontece várias vezes ao dia. eu, que já me considero uma mãe zen budista em relação aos chiliques dos bebês (que não são nada perto dos de um menino de 4 anos), não dou a mínima. sei que ela não faz de propósito. sei que não faz pra testar os limites ou pra me afrontar. e sinceramente fico feliz que ela expresse as coisas que gosta e não gosta. porque, vamos combinar, é uma lindeza a reação dela quando gosta das coisas.
  • quando gosta das coisas: dá gritinhos de alegria, faz caras e bocas, se agita toda. faz isso quando estamos no corredor do prédio (que faz eco ao som de sua voz), faz isso quando papai ou mamãe chegam em casa, faz isso quando encontra o irmão após uma soneca.
  • parece que conversa. parece muito que conversa. fala, fala, acena com a cabeça, gesticula. eu percebo que ela realmente acredita que está se comunicando. e, se você prestar muita atenção, vai perceber que existe um sentido enorme nas coisas que ela fala e faz. hoje mesmo estava no colo do hilan com uma caixa de fio dental. ela tinha acabado de abrir a caixa e tirar um pedaço grande de fio. hilan arrancou, deu pra ela e falou pra não arrancar de novo. ela pegava a caixa, mostrava pra ele e perguntava: pó? enquanto acenava que sim com a cabeça. hilan dizia “não pode” e ela tentava de novo: “pó?” fazendo que sim. ficamos impressionados como ela entendeu que não podia, pedia pra fazer e respeitava no não. acharia que era coincidência, mas ela tem feito coisas semelhantes repetidas vezes, em diversas situações.
  • chapéu de pano: é a louca do chapéu. adora botar coisas na cabeça, mas agora descobriu que muito mais legais que chapéus são as roupas, especialmente as cuecas e sungas do irmão. fica deveras feliz com uma cueca na cabeça.
  • faz pose pra foto. não pode ver a gente apontando a câmera pra ela que sorri e faz pose sem nenhuma vergonha. fica rindo como se aquilo fosse realmente engraçado (e deve ser mesmo).
  • ciúme: tem ciúme quando alguém está no meu colo ou no do pai. pode ser o irmão, o tov, outra criança ou bebê. ela não gosta e faz questão que saibamos disso, geralmente chorando quando é alguém menos íntimo ou agredindo quando é alguém com quem ela se sente à vontade.
  • bate, morde, empurra: pois é, ela aprendeu a agredir a gente. empurra o irmão quando está no meu colo, me morde e me bate quando não dou atenção para ela. bate um pouco no pai, mas é menos. sobra mais pra mim e pro joca. no mais, quando não é contrariada, é um poço de carinho e ternura sem fim.
  • musiqueira: que ela passa o dia a cantarolar suas musiquinhas não é novidade. mas agora tá aprendendo a cantar as nossas músicas. um dia eu fui botar ela pra dormir, cantei “nana nenéeeeemmm” e dei mamá pra ela. agora, quando quer mamar, aponta pro meu quarto (que é onde ela ainda dorme), canta nana nenéeem afinadinha, aponta pro meu peito, fala má, tenta levantar minha blusa. não necessariamente ela quer dormir, mas acha que essa música é pra mamar.
  • pede mamá pra chamar atenção: nem sempre ela está com fome. às vezes, depois de bater, morder e até mesmo comer, quando sente que está deixada de lado começa a pedir pra mamar. ela sabe que esse método é infalível e muito mais fofo que a agressão.
  • como fica a alimentação: ela não comia nada, aí passou a comer. aí parou de comer de novo. voltou. parou. como pode uma menina que se chama constança ser tão inconstante quando o assunto é alimentação? aí percebi que, para as comidas salgadas, ela come mal quando todo mundo está comendo junto. isso porque ela quer o que está no nosso prato. por mais que coloquemos a mesma coisa pra ela, ela quer o nosso e quer pegar sozinha. passa a maior parte da refeição lutando por um pedaço de carne e, quando consegue, não quer saber de nenhuma outra comida. a solução é dar a comida separada pra ela, antes de comermos, e depois – quando nos reunimos – dar uns pedacinhos do nosso prato. isso é impossível de ser feito na hora do almoço, que é uma correria sem fim. mas à noite ela come muito melhor uma papinha amassadinha, misturada (que é pra garantir todas as vitaminas), com poucos pedaços.
    já com frutas ela não tem muito problema não. come praticamente de tudo, pedaços inteiros, sozinha ou com todos juntos.
    do pão ela era fã incondicional. agora ela gosta mais de pedir que de comer.
  • descascando bananinhas: banana era uma das poucas frutas que ela não curtia. mas, provavelmente porque é a fruta que mais se come aqui em casa (por causa da praticidade), ela passou a gostar. um dia eu me toquei da autonomia dela: estávamos fazendo piquenique na varanda e eu conversava com o joca, quando vi ela segurando uma banana descascada e comendo. ué? onde ela arrumou isso? depois pegou outra, descascou direitinho, tirou o bumbunzinho da banana e comeu sem a menor cerimônia (isso já tem mais de um mês, mas só lembrei de registrar agora). agora, quando vê uma banana dando sopa – seja na fruteira ou quando chego da feira – ela vai lá e cata o que é dela por direito. *orgulho*
  • falar com a língua enrolada: aprendeu na semana passada que dá pra enrolar a língua. aí ela dobra a língua dentro da boca até encostar quase na goela e fica fazendo uns sons meio guturais. isso é tão divertido pra ela quanto pra gente, que vê.
  • sapatos: ama sapatos. os seus e os do irmão (pros nossos nem dá tanta bola). quando o armário dela está aberto, vai direto na parte onde guardamos os sapatos, ataca todos, tenta botar no pé. se até uns dois meses atrás ela não deixava a gente calçar nada, hoje pede pra botarmos e fica irritada se não consegue se calçar sozinha. claro que ela ainda tira alguns do pé, mas é fato que ela adora essa brincadeira.
  • entende certas fotos, imagens, gravuras: exemplo mais recente foi um livrinho que tinha uma foto de uma mãe beijando um neném. ela olhou pra mim e mandou beijo. depois olhou pra foto e “mencionou” beijar o bebê também.
  • aliás, adora livrinhos. gosta de passar as páginas, de olhar as figuras, de livros com texturas. ela olha e finge que lê.
  • adora escova de dentes: não necessariamente deixa a gente escovar os dentes dela com maestria, mas pede pra que escovemos com frequência. e adora ficar segurando uma escova de dente ou fio dental.
  • folgada: senta num sofá e vai toda se recostando, até parecer uma verdadeira rainha (preguiçosa) em seu trono.
  • o vocabulário tá crescendo aos poucos! confira:
    • pá – sapato
    • bó- bola
    • neném – qualquer neném
    • tau – tchau
    • náná/ ná-nnn – nariz
    • má/ mã – mãe (porque ela vê benjoca me chamar só de mãe e me chama assim tb). ela sempre me chama de uma coisa diferente.
    • papai – vocês sabem
    • dedota – também não é novidade, benjoca
    • caé – jacaré

e eu percebo que ela realmente está na fase da fofura quando vejo o tanto de foto e vídeos que fazemos dela e quando vejo que foi justamente nessa mesma fase que eu floodava nosso youtube com vídeos deliciosos do benjoca.

categorias: constança, desenvolvimento do bb, marcos importantes, mês 12-18

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10 de setembro

amor que não se mede

por luíza diener

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eu nunca havia visto aquele olhar no rosto da minha mãe. ela, que sempre soube lidar tão bem com as situações da vida, sempre tão otimista mesmo em momentos tão difíceis, dessa vez trazia um semblante triste e preocupado.
na época eu não sabia do que se tratava e acabei me esquecendo. mas, 3 anos depois, ela me contou que o médico havia me diagnosticado com agenesia uterina, ou seja, ausência de útero fértil.
essa história é longa e eu já narrei aqui e aqui no blog. ela só me contou do que se tratava quando – por algo que eu chamo de milagre divino – o médico mostrou em ecografia que meu útero estava perfeitamente normal. dessa vez a cara dela foi de alívio e nossos corações se alegraram juntos.
ela me confessou que, caso eu não pudesse ter filhos de fato, ela gostaria de emprestar seu ventre para gerar o neto/neta, por mais difícil que isso pudesse ser.
mesmo assim, só vim a entender seu sentimento mais de dez anos depois, quando finalmente engravidei pela primeira vez e experimentei o incrível amor de mãe.

então benjamin nasceu e o tempo passou.
ele ainda era um bebê e estava prontinho para ir à consulta de rotina com a pediatra, no dia que completou nove meses de vida. estava com febre, mas aparentava boa saúde, apenas um pouco dengoso e, por isso, só queria meu colo. o jeito foi terminar de me arrumar com ele a tiracolo mas, antes que conseguisse terminar de me arrumar ele gritou bem alto, deu um espasmo de braços abertos, se jogou para trás e começou a revirar os olhos. seu corpo travou, ele começou a tremer. era convulsão. depois de mais ou menos um minuto, a convulsão passou. ele ficou desmaiado no meu colo, pálido, depois roxo, completamente mole e aparentemente sem ar. naquele momento eu tinha certeza de que ele iria morrer em meus braços. a única coisa que fiz foi orar, orar, pedir ajuda a Deus. aos poucos ele recobrou o fôlego e a cor, apesar de parecer estar ainda inconsciente. falei com o marido, corri para o hospital e nos encontramos lá.
depois de examinado e medicado, benjoca convulsionou outra vez. dessa vez durou mais – por volta de cinco minutos – e os médicos precisaram intervir com medicação e oxigênio. quando voltou, ele respirava com dificuldades e chorava baixinho. foi o dia mais tenso da minha vida. até aí eu estava firme como uma rocha.
quando a tempestade pareceu acalmar eu saí da ala pediátrica e liguei para a minha irmã para contar o ocorrido. a voz não saiu, a garganta enodou e de repente eu desabei. chorei um choro dolorido. eu me senti fracassada como mãe, pois não tinha controle algum sobre aquela situação. me senti totalmente impotente. depois que o furacão passou eu tentei me recompor. engoli o resto do choro e voltei para perto do meu filho, afinal, ele precisava de mim. e aí senti que meu rosto fazia aquela mesma expressão da minha mãe, enquanto eu tentava disfarçar e me revestir de força para continuar.
expressão essa que ela passou a fazer com mais frequência na época que me tornei adolescente, fosse quando eu ia a uma festa a contragosto dela ou quando dormi pela primeira vez na casa do meu namorado (hoje marido). as preocupações se tornaram outras, mas hoje – mais que nunca – eu entendo aquele olhar da minha mãe, de quem se preocupa por querer o bem de seus filhos, mas tenta mostrar que “vai ficar tudo bem”, por mais que naquele momento tudo pareça escuro e nebuloso.

assim como minha mãe, que se dispôs de coração para ter um filho por mim, tudo que eu queria naquele momento das convulsões era estar no lugar do meu filho, para que ele não sofresse. eu enfrentaria tudo – dores, medicações e até a morte, se necessário – para evitar que ele passasse por aquilo.
meu coração finalmente entendeu a grandeza e plenitude de um amor totalmente abnegado e incondicional.
muitas vezes as mães nos olham com aquela cara que pode parecer exagerada e até repressora em certas ocasiões, quando por trás daquilo tudo existe um desejo legítimo de nos ver sempre seguros e felizes.

sou extremamente grata por ser mãe e, finalmente, conseguir compreender todo esse amor que parece não caber na gente.

* * *

esse post faz parte da ação #AmoComoVocêAma, um movimento de Comfort para mostrar que não importa as falhas e defeitos de nossas mães; a gente ama o jeito que elas nos amam.
também apoiam essa causa as mães Shirley (www.macetesdemae.com), Camila, Mariana e Patrícia (www.mundoovo.com.br). 

faça parte você também do nosso movimento e celebre o amor à sua mãe, que é perfeito mesmo com suas imperfeições. conte uma história marcante usando #AmoComoVocêAma nas redes sociais, compartilhe esse texto ou homenageie sua mãe clicando aqui: www.amocomovoceama.com.br

categorias: publicidade

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09 de setembro

aula de história

por luíza diener

rolou o 7 de setembro e você ainda tem dúvida do que se trata essa tal independência do brasil?
benjamin explica não só para você, mas para todas as crianças que a gente conhece e até as que a gente não conhece.
de quebra, ainda ensina o hino da independência.

categorias: benjamin, vídeos

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08 de setembro

filho, não seja homem, seja você mesmo!

por hilan diener

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quando eu escrevi o post pai e pró-feminista, ele tinha outro nome, era “pai e feminista?” com interrogação e tudo. gosto de títulos que geram curiosidade ou um certo incômodo. tanto que também fiz outro post que chamava “empoderamento paterno”, usando uma palavra muito associada às mulheres e ao parto. gosto destes paradoxos. aí você me pergunta: por que, então, você mudou o título do post? acho que vale a pena explicar.

assim que eu postei, uma leitora no facebook me alertou que não existiam homens feministas e sim homens pró-feminismo. esse argumento não é totalmente consenso entre feministas e teóricos no assunto (veja aqui e aqui). respondi a ela que entendia e respeitava sua posição, mas que não mudaria o título por causa do apelo (paradoxo) que citei acima. mais tarde, quando postamos novamente, voltaram os comentários sobre o título do post e também vi que uma fanpage feminista estava criticando o título (não o texto). depois de tudo que eu li e conversei com as leitoras, percebi que eu estava errado. e errado duas vezes se não as ouvisse e se não mudasse o título. afinal, que tipo de homem pró-feminista é esse que não quer ouvir a opinião das mulheres que ficaram incomodadas? e também quero deixar bem claro que longe de mim querer protagonizar um movimento que é das mulheres e não meu. como homem  eu nunca entenderei completamente o que é ser uma mulher. nunca estarei na pele de uma para saber exatamente  o que passam todos os dias.

depois que eu mudei, uma leitora comentou no post “ué…homem não pode ser classificado como feminista, mas mulher pode ser chamada de machista?“ expliquei a ela que uma mulher não pode ser machista por que não é homem. quando uma mulher é chamada de machista na verdade é uma simplificação para alguém que está reproduzindo comportamentos machistas. neste cenário a mulher se torna duplamente vítima. é como se um rato que além de transmitir leptospirose pudesse também morrer por isso.

o machismo faz vítimas de todos os lados.

obviamente o machismo é infinitamente mais danoso para as meninas/mulheres direta e indiretamente, mas não só isso, para os meninos/homens também. por isso, além de toda a minha preocupação com a sansa relatada no último post, também não pude deixar de pensar no quanto o machismo pode afetar o benjoca. e não é preciso ir muito longe para constatar o machismo nosso de cada dia. a memória mais antiga que tenho foi ouvir meu avô paterno falar para o meu pai: “vocês mimam demais este menino. vai virar viado desse jeito…” na época do meu avô – e acontece até hoje, infelizmente – o pai levava o filho para um puteiro para ter a sua primeira relação. graças a deus isso não aconteceu comigo, mas que merda de obrigação é essa? pense em quantos meninos foram coagidos a transarem com uma prostituta simplesmente para cumprir um requisito machista e abusivo desses. por que um pai faria um ato assim? subjugar uma mulher para provar para ele e para sociedade que o seu filho é macho de verdade?

quantas vezes me senti inadequado por que eu gostava de ficar em casa, brincando com os meus bonecos, inventando histórias ou desenhando e não tinha muito interesse em futebol e nem sabia andar de bicicleta. por anos fui chamado de viadinho, gay, qualira, xibungo por que tinha um cabelo grande e era emotivo/sensível e quase sempre chorava quando algo me emocionava.

na pré-adolescência sofri por que a minha namoradinha não gostava mais de mim porque fui muito bonzinho com ela. tive que ouvir de sua boca que mulher gostava de sofrer e por isso preferia ficar com o fulano, que era um exemplo de macho. um pouco mais velho lembro da vez que na casa de um amigo meu vi forçadamente “pela amizade” uma fita inteira de filme pornô. eram horas e mais horas daquela porcaria. foi tanta informação despejada de uma vez que eu nem sabia o que fazer com aquilo tudo. me senti sujo.

quando eu entrei na faculdade, ainda era virgem, mas quantas histórias eu já tinha ouvido de fulano e sicrano que fizeram sexo por pressão dos amigos. afinal, pegava muito mal ter mais de 18 anos e não ter transado. lembro que quando conheci a luíza era ela que dirigia pra tudo quanto era canto. eu me sentia péssimo por não saber nem onde ficava a embreagem do carro. hoje tenho orgulho de dizer que foi a luíza que me ensinou a dirigir e me ensina até hoje, mas isso não deveria ser vergonha pra nenhum homem. são inúmeros exemplos de como é cruel a forma que os meninos desde a infância são treinados para verem as mulheres como objeto e serem machões insensíveis. para muita gente isso é ser homem. se isso é ser homem, eu não queria e nem quero ser. eu quero ser eu mesmo e se depender de mim vou fazer de tudo para livrar o benjamin dessas situações. sei que não é possível controlar tudo, mas posso desde cedo ensiná-lo a respeitar o seu tempo, seu corpo e a integridade dos outros.

para você ver como são as coisas: outro dia benjoca estava na cozinha brincando de lavar louça junto com um amiguinho e uma amiguinha quando um conhecido nosso enxotou somente os meninos do trabalho dizendo que isso não era coisa de homem. me segurei e quase perguntei pra ele qual era o problema. afinal, é preciso o que para lavar uma louça: uma bucha ou uma vagina? eu, ein?

eu espero sinceramente que ele nunca seja exposto a pornografia precocemente  (ou nunca) e que se tiver a oferta ou pressão dos amigos, que tenha confiança e autoestima suficiente para dizer não e nem se sinta obrigado a fazer sexo apenas para não ser excluído ou menos homem. que possa chorar quando se sentir emocionado. se não souber jogar bola e for melhor na dança ou no teatro, que ele possa fazer isso livremente e que aprenda que a cozinha e as tarefas domésticas não são coisas só das mulheres. e se um dia ele precisar ficar em casa com os filhos enquanto a mulher trabalha, que não se sinta menor por isso e nem menos importante (aliás, se ele optar por não se casar e/ou não ter filhos, que também seja respeitado por isso), assim como irei amá-lo e respeitá-lo da mesma maneira caso ele prefira meninos ao invés de meninas. que seja gentil e educado com todas as pessoas, independente de serem homem ou mulher. sei que todo discurso é bem mais fácil que a prática e que ainda não me livrei totalmente de atitudes e pensamentos machistas: é um processo longo de releitura e reconstrução, mas meu esforço não é para que o benjoca e sansa sejam felizes e, sim, que eles tenham todo direito de serem eles mesmos.

 

categorias: erros comuns, pai feito, para mães, para papais, por definir, sexualidade

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05 de setembro

chegou!

por luíza diener

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bom final de semana para vocês! aproveitem!

 

 

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04 de setembro

entre mães

por luíza diener

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quando o blog surgiu, eu não tinha a intenção de nada, só de escrever aleatoriamente sobre minha intensa vontade de engravidar e de me tornar mãe. quando engravidei e especialmente depois que joca nasceu, comecei a usar o espaço como um local para desabafar e me vi diante de pessoas que passavam exatamente pelas mesmas coisas que eu. usar meu blog para buscar e gerar identificação foi ótimo, mas logo me deparei com uma leitora usando a expressão “formadora de opinião” e, por mais que eu não tenha curtido muito aquilo e não concordasse com o fato de que o que digo forma a opinião de outra pessoa, notei que o que dizemos publicamente pode ajudar os outros. foi justamente a palavra ajudar que me motivou a escrever textos que eu não tinha coragem de compartilhar. percebi, então, que no momento que o tornasse público, outras mães que já viveram ou vivem aquele momento poderiam ser ajudadas de alguma maneira.

mas acontece que, querendo ou não, em um blog permanece a opinião de quem o escreve, sendo que nem sempre a minha ideia sobre alguma coisa está certa. e foram justamente os comentários e e-mails das leitoras (alguns extremamente fofos que me levaram às lágrimas e outros desaforados que quase me tiraram do sério) que muitas vezes me fizeram reavaliar meus conceitos e repensar minha postura diante de alguns temas.

não existe opinião absoluta sobre nada e o que mais tenho aprendido é que uma mãe não se faz sozinha. é preciso, primeiramente de um filho. mas depois vêm os amigos, a família, o médico, a vizinha, uma estranha que solta um conselho no meio da rua, um livro, um blog. cada pequena coisa constitui a mãe que somos, mas ouso dizer que ninguém entende melhor uma mãe que outra mãe. pode ser a mãe que acabou de ter seu primeiro filho ou aquela que já tem quatro. a sua mãe ou a mãe da sua mãe. aquela super liberal ou a rígida. uma mãe nasce junto com um filho, mas é entre mães que elas se fortalecem. entre mães ouvi outras histórias, muitas dúvidas, medos pequenos ou grandes. entre mães eu rio, choro, me emociono. entre mães eu me sinto uma mãe de verdade, sem o peso de formar a opinião de ninguém. entre mães posso conversar coisas que talvez teria vergonha de falar na frente do meu marido, ou mediria as palavras pra não assustar quem ainda não tem filhos.

eu nutro um sentimento gigantesco de gratidão por todas as pessoas que passaram e passam pela minha vida todos os dias, quer elas fiquem, quer se vão. e nesse momento onde a maternidade é praticamente o ar que eu respiro, é entre mães que eu encontro forças para seguir essa caminhada tão difícil e tão gostosa.

 

 

* * *

este post é um oferecimento da Dermodex, que acaba de lançar o aplicativo Entre Mães. um espaço criado exclusivamente para as mães trocarem dúvidas, dicas e informações sobre a gestação, os filhos e o que mais surgir.

conheça mais em http://goo.gl/1K1DRc

categorias: para mães, psicologia autodidata introspectiva, publicidade

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03 de setembro

eu não sou o pacote completo

por luíza diener

pacotao

fralda de pano, parto em casa, colar de âmbar, homeopatia, cama compartilhada, quarto sem berço, fortes tendências feministas… luíza, com certeza você é uma riponga de alta categoria!

sim e não. antes do benjamin nascer eu entrei em contato com esse mundo alternativo e fiquei encantada ao perceber que existia uma maternidade diferente das pintadas em novelas e em até um ou outro blog por aí. vi que dava pra criar os filhos sem precisar de rios de dinheiro, de uma forma mais natural e intuitiva e aquilo me deixou extremamente empolgada. e justamente por ter essa tendência aos extremos mergulhei de cabeça em todo tipo de informação referente a isso.

mas já que estamos falando do início, vamos rever uns pontos que saíram diferentes logo no começo: o parto do benjoca foi normal, mas não natural como eu queria (houve intervenção desnecessária), ele só começou a usar fralda de pano depois dos 6 meses, com menos de um ano já tinha tomado 3 antibióticos diferentes, não dormia na nossa cama – e sim no berço – e foi direto para um colchão no chão apenas com 1 ano e meio. eu me frustrei na época porque não dei conta de ser a mãe que idealizei.

esse post está praticamente idêntico a outro que eu escrevi meses atrás, onde afirmo que nenhum método é perfeito e ainda assim volta e meia sinto uma cobrança da parte de outras pessoas para que eu siga tudo à risca.

então deixa eu esclarecer:

  1. fraldas de pano: não é porque eu uso fralda de pano na constança que ela use somente fraldas de pano. ela usa, sim, as descartáveis. por quê? porque eu não tenho fraldas laváveis suficientes, porque eu tenho um milhão de outras coisas para fazer e, sim, porque às vezes dá preguiça de lavar. faço parte de grupos no facebook onde as mães dizem que fralda de pano não dá trabalho nenhum. ok, se você acha que filhos não dão trabalho, amamentar não dá trabalho, lavar e estender roupa não dá trabalho, com certeza não vai achar que fralda de pano dá. mas eu acho. não muito, mas dá sim.
  2. quarto montessoriano: tudo depende de qual é a sua visão sobre quarto montessoriano. se você acha que se resume a um colchão no chão, esqueça. no quarto dos meninos tem um beliche tamanho padrão. eu nunca me auto entitulei uma mãe montessori, apenas gosto de algumas coisas da pedagogia.
  3. colar de âmbar: sansa usa, mas sinceramente eu não vi diferença nenhuma. então não posso te dar nenhuma resposta do tipo “é mágico, curou ela de uma diverticulite aguda” ou “seus dentes nasceram sem que ela apresentasse sintoma algum. quando vi, já estavam lá: quatro dentes novinhos em folha”. eu ainda tenho a esperança de que funcione mas, pelo sim, pelo não, serve como um colar bonitinho. tá na moda a menina.
  4. personagens: eu não gosto deles. eu peguei abuso do batman sim, mas não controlo a vida do meu filho, muito menos o mundo ao redor dele. ainda que ele não fosse à escola, eu não permitisse que ele brincasse com crianças mais velhas e nunca deixasse ele ver nada de televisão, ele tomaria conhecimento deles e se encantaria por eles da mesma maneira. a primeira sua blusa de personagem foi de homem aranha e ele ganhou da tia com poucos meses de vida (usou até quase 3 anos de idade). os primeiros bonecos de herói ganhou do tio (mas antes brincava com um hulk lutando com o coisa, que era do pai). e por aí vai. ele ama os heróis. se fantasia de heróis. sonha com os heróis. esse é o benjoca.
  5. televisão: eu fui bem radical com o benjamin ao não deixar que ele assistisse filmes dentro e fora da tv (computador, tablet, etc). mas na casa dos avós ele sempre viu bem mais do que eu permitiria e, depois que entrou pra escola, acabou criando o hábito de ver desenhos. não que ele assista todos os dias aqui em casa, mas uns meses atrás ele teve uma fase dora aventureira, seguida por go, diego, go (tentei fazer ele gostar de outros, como pingu ou caillou, mas nenhum emplacou dessa maneira) e o pai liberou bastante. confesso que foi um alívio pra mim deixar ele assistindo um dieguito às vezes, enquanto eu botava a sansa para dormir, por exemplo. por enquanto não me rendi à programação de televisão e pretendo que isso não aconteça. vamos levando a vida felizes acompanhados de youtube e, especialmente, netflix. sansa às vezes assiste a um episódio de pocoyo ou vê uns trechos de diego ou dora com o irmão. ou seja, não faz parte das nossas rotinas, mas com certeza está no meio das nossas vidas.
    aliás, acabamos de ganhar uma televisão, dessas grandonas, e mesmo que não tenha antena, ligamos ela sempre no pc pra assistirmos nossos seriados favoritos.
  6. alimentação saudável: talvez eu tenha pegado um pouco pesado no post dos sucos. é verdade que raramente se toma suco aqui em casa, mas eu nunca encarei ele como um vilão. quer coisa mais porcaria que embutidos? pois é, a gente come aqui em casa todo santo dia o tal do peito de peru. com pão branco, porque eu enjoo de pão integral com facilidade. não quer dizer que eu não busque uma alimentação saudável, não quer dizer que a gente coma bacon, ovos fritos, linguiça e panqueca todo dia no café da manhã. eu escolho uma alimentação com um mínimo de industrializados mas não abro mão de certos prazeres da vida. ah, eu tomo cerveja, tá? às vezes até uma caipirinha.

não é porque eu abro concessões dentro dos meus ideais que eu tenha aberto mão de certos princípios. quase toda vez que eu posto e aparece algo diferente do que costumo fazer (como benjamin assistindo desenho ou comendo alguma porcaria, sansa de fralda descartável, etc) vem alguém me perguntar se eu “desisti”. nem eu sou tão radical assim! eu tento ser coerente nos meus ideais, mas longe de mim viver numa bolha!

eu sei que esse post pode ter um tom um pouco defensivo, mas a verdade é que tem mesmo. eu sou uma pessoa normal, gente. posso ser um pouco exagerada às vezes, posso muitas vezes criar umas expectativas meio altas, mas vou dizer: eu sei que eu não dou conta. ninguém dá conta. então não se sinta cobrada por si mesma, muito menos por mim. sinta-se normal e ponto final.
eu uso o blog pra compartilhar experiências (positivas e negativas), não pra doutrinar ninguém ou criar um manual de novos costumes puerperais e familiares.
nossas experiências nunca serão iguais porque ninguém é igual a ninguém: nem a mãe, nem os filhos, muito menos os pais ou avós então nunca, jamais, haverá um método perfeito pra uma família. e mesmo assim as cobranças continuam.

não é porque eu seja a favor de um parto com respeito, bem como uma educação/vida respeitosa para nossos filhos que eu seja extremamente radical. eu sempre falo alto, me exalto. uma coisa que pra mim parece uma conversa normal, pra quem não convive comigo pode achar que eu estou brigando. meu sangue é quente, eu bato porta no meio da discussão, grito para caramba. eu atraso vacina e pulo consulta de pediatra. eu levo meu filho atrasada pra escola e muitas vezes esqueço de lavar o uniforme dele (e já me senti extremamente culpada por isso também). eu deixo a casa bagunçada pra arrumar só quando der. eu reutilizo prato sujo se ele estiver só com um farelinho de pão. e o copo dágua é usado várias vezes ao dia antes de ser lavado (se eu tiver bebido suco passo só uma água). o mesmo pra talher. olha só!

apesar de simpatizar com muitas coisas lindas e maravilhosas, eu não dou conta de viver esse pacotão completo mamífero de ser. acho que ninguém dá. e mesmo se desse, eu não quero. eu quero ser normal.

categorias: erros comuns, mães extraterrestres, para mães

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02 de setembro

benjoca na escola – parte IV – na prática

por luíza diener

desenhista

uma amiga minha recentemente mudou-se de cidade e recomeçou a saga de procurar uma escola para os filhos dela. por conta disso temos conversado sobre o assunto pelo what’s app e vejo ela viver algo que eu jurei que passaria e não passei: conhecer um milhão de escolas com propostas pedagógicas e estruturas diferentes até optar pela que melhor se adapte à dinâmica da casa, personalidade dos filhos e, claro, orçamento.
eu não pesquisei escola nenhuma, eu apenas decidi de um dia pro outro que havia chegado a hora do benjamin, adiantando meu plano em um ano (a ideia era colocá-lo apenas em 2015, quando tivesse quatro anos já completos).

{para quem não conheceu a saga ou quer reler, clique nos links abaixo:

esse quarto post demorou quase sete meses para sair pelo simples fato de que eu queria sentir a escola primeiro, longe daquela empolgação toda e já com um toque de realidade, de sentir o que funciona ou não para o meu filho e colher os frutos dessa nova fase. como sou muito crítica a analítica, decidi colocar os prós, os contras e algumas considerações gerais, apesar de saber que as coisas não são tão simples assim. então sente-se confortavelmente, pegue um lanchinho e um chá gelado e vem nessa, que a conversa vai ser longa:

os prós

o jardim de infância é encantador. pelo menos pra mim, que cresci estudando na rede pública e criei uma memória afetiva com todos esses pequenos detalhes como: sala com varandinha, copos, talhes e pratinhos azuis, aquele tanque/pia único e cheio de torneiras pras crianças lavarem a mão juntas e por aí vai. a estrutura é ótima. simples, mas impecável. as salinhas são grandes, bem ventiladas, bem iluminadas, todas têm mesinhas baixas e novinhas, banheiro, bebedouro com água natural ou gelada, ganchinhos para pendurar as mochilas - um para cada criança – com suas respectivas fotos, muitos brinquedos para brincarem. o material é de uso coletivo, ou seja,  não tem aquela bobagem de tal lápis ser de fulaninho e o giz de sicraninho.
na parte externa tem um parquinho de areia super amplo, com muitos brinquedos de madeira, cercado de cerca viva e sombreado por árvores de fora a fora.

a proposta pedagógica é demais. eu caí de pára quedas na escola, mas logo no primeiro dia letivo houve uma reunião para apresentar a proposta pedagógica, que é adotada em todo o distrito federal, é chamada de currículo em movimento (clique no link se quiser conhecer a fundo). eu não saberia explicar em poucas palavras (síntese não é meu forte), mas sei dizer na prática o que tenho visto ser trabalhado lá: a valorização do brincar, cantar, expressar-se corporalmente, verbalmente, através de músicas, danças, atividades psicomotoras, trabalhos manuais. o coletivo, o respeito ao próximo, a afetividade, sempre presente. toda vez que eu busco o benjoca na escola vejo ele e seus amiguinhos na salinha ora sentados no chão conversando, ora numa mesinha, brincando de massinha e cantando juntos, ora todo mundo pulando e dançando. o que mais me chama atenção é que eles estão sempre juntos. são 15 crianças e todas se gostam, brincam, se curtem. às vezes se batem e, infelizmente, o meu filho costuma ser um desses agitadores da pancadaria. mas o fato é que eles se gostam de verdade. e, aos poucos, os pais também têm desenvolvido conversas e a partir daí, surgido amizades.

quero contar algumas coisas que eles já fizeram este ano e que eu achei incríveis:

  • hortinha - todas as turminhas plantaram no semestre passado algumas folhosas na hortinha da escola: alface, cebolinha, rúcula e alguma coisa que não sei se é mato ou couve. elas plantaram, viram crescer dia após dia e, quando chegou o momento, colheram e fizeram uma salada. até onde sei, todas comeram e nessa teve um monte de criança que não gostava de rúcula, por exemplo, que passou a amar. foi assim que eu comecei a comer rúcula quando pequena e benjamin – que já curtia – agora sempre pede pra botar no prato dele.
  • celebrando a diversidade - esse jardim de infância é uma escola inclusiva, que atende crianças portadoras de necessidades especiais. mas o que me surpreendeu foi na semana passada, quando teve a festa da família (lá eles não comemoram dia dos pais ou das mães, mas uma festa única para pais, mães, avós, etc), onde fizeram um mural sobre a diversidade da família.  pegaram base nos livros do todd parr (autor conhecido justamente por valorizar essa diversidade) e mostraram que existem diferentes famílias: apenas com uma mãe, apenas um pai, um pai e uma mãe, dois pais, duas mães, filhos adotados, crianças criadas pelos avós e por aí vai. eu fiquei muito feliz de ver isso numa escola, até porque esse é um assunto que nunca foi tratado em nenhum lugar onde estudei. sei que os tempos são outros também, mas foi muito bom ver que trataram com naturalidade um assunto que ainda é tabu em muitos lugares.
  • projetos especiais – volta e meia aparece um projeto novo por lá: alimentação saudável (da hortinha, por exemplo), educação ambiental, desenvolvimento corporal, etc. volta e meia vem alguém de fora pra trazer esses projetos para as crianças e eles sempre a-mam de paixão.
    agora estão com um de música. semanalmente há uma aulinha de musicalização infantil e achei muito legal que a professora é deficiente visual. em paralelo a isso a professora dos meninos está trabalhando o corpo com eles, então quase todo dia o benjamin fala que a tia da música não enxerga com os olhos, mas enxerga com as mãos, com os ouvidos, com o nariz.
    também há o cuidado de elaborar alguns projetos de acordo com os interesses da turma. exemplo fictício: muitas crianças vão ganhar um irmãozinho ou já têm um pequenininho. aí a professora trabalha esse conceito de uma forma ampla na sala, como de onde vêm os bebês, o compartilhar seu espaço (e pais) com seu irmão/irmã e por aí vai.
    o legal é que, por mais que haja uma base pedagógica, existe a liberdade e flexibilidade pra trabalhar de acordo com cada turma. é totalmente diferente, por exemplo, de seguir uma cartilha pronta e padronizada ou uma grade fechada de conteúdo.
  • comunicação - além da comunicação básica com os pais através da agenda e bilhetes, uma característica que me marcou muito da professora do benjamin é como ela conversa com todos os pais e mostra-se sempre acessível a nós. no final da aula, quando vou buscá-lo, ela sempre troca uma ideia comigo (e com quem mais quiser) sobre o que foi visto na aula, como o benjoca aceitou o conteúdo, além de coisas corriqueiras. nos falamos também pelo facebook e ela é uma pessoa muito comunicativa. ou seja, não preciso passar um semestre inteiro esperando a reunião dos pais para falar sobre meu filho ou agendar um horário para conversar formalmente com ela sobre algum comportamento que ele venha a apresentar. inclusive já troquei angústias e dúvidas que me tranquilizaram só de botar isso para fora. não sei como é isso com as outras professoras, mas fico muito feliz do primeiro ano do joca já ser desse jeito.
  • todo mundo se conhece - por ser uma escola pequena, há relativamente poucos alunos e poucos funcionários. por conta disso, todo mundo se conhece e se chama pelo nome. todo mundo fala “oi, benjamin” “tchau, benjamin” “bom dia, benjamin” “bom final de semana, benjamin” e ele mesmo sabe o nome das professoras das outras salas, da tia da cantina, da portaria, da secretaria e por aí vai.

eu poderia listar várias outras coisas pequenas e grandes que me encantam por lá. conversando com outros pais eu vejo que não sou a única. inclusive, muitos deles tiraram os filhos de escolas particulares e puseram nessa, pública, e estão extremamente satisfeitos, sem a menor intenção de mudá-los para outro jardinzinho. bom ver que não é apenas um deslumbre meu como marinheira de primeira viagem.

as mudanças do benjoca

  • ele tem dormido muito mais. tem gastado mais energia, está bastante comunicativo.
  • o que mais me chama atenção é como o desenho dele evoluiu. muito. antes ele fazia só uns rabiscos e se sentia muito frustrado ao desenhar, especialmente com o pai, que desenha muito bem. depois de entrar pra escola ele se soltou e tem usado o desenho pra expressar a criatividade dele, coisa que ele não fazia antes. tem desenhado pessoas com todos os detalhes: cabelo, sobrancelha, olho, nariz, boca, covinhas, orelha, mãos e pés com dedos e usa as cores com intensidade, preenchendo o papel todinho com cor.
  • tem comido menos e está mais magrinho. não sei se é o horário e o tipo de comida que se serve na escola, mas ele chega pro almoço já de barriga cheia e à noite se recusa a jantar, só quer pão e fruta. ele já vem estado bastante seletivo pra comer, independente do colégio, mas acho que os horários da escola acabaram influenciando na alimentação dele. notei essa diferença nas férias, que ele engordou, cresceu, ganhou bochechinhas e agora está um fiapinho de novo.
  • descobri meu filho sob uma nova ótica. mãe tem essa tendência de estereotipar o comportamento do filho, mas eles se desenvolvem e até se comportam de acordo com o ambiente que estão inseridos. tem sido muito legal pra ele passar as manhãs com outras crianças da mesma idade, de convívio diário e que ele conhece pelo nome, com outros adultos que não parentes e coisa e tal. e tem me ajudado a encarar meu filho de outra maneira, o que é saudável para todos nós. ele é muito querido entre os colegas e também gosta muito de todos eles, bem como de sua professora.
  • está ainda mais expressivo e comunicativo. canta ainda mais, conta ainda mais histórias. antes chegava da escola e não contava na-da do que acontecia. agora conta os causos, as músicas, deduras os colegas e até a si mesmo.
  • está mais possessivo. acho que juntou o fato dele ter começado a frequentar o jardim com a mesma época que a irmã começou a se deslocar e ter mais acesso às brincadeiras do irmão e, consequentemente, aos brinquedos dele. ou seja, ele que reinou soberano por 3 anos e meio, de repente teve que dividir seu espaço com 15 crianças no período da manhã e 1 bebê no resto do dia (e da vida). se até então ele era um doce, super generoso e só brigava por comida, de repente passou a ser bem possessivo com tudo, até com o que não é dele. tanto que a professora veio comentar que ele tem batido em alguns coleguinhas. às vezes pra sentar numa determinada cadeira, pra ficar com algum brinquedo ou, num caso recente, bateu num colega porque tinha batido na amiguinha dele. confesso que não sei lidar direito com essa situação. sugestões?

 

os contras

tenho relutado para não escrever sobre os contras da escola. por me considerar muito crítica, às vezes acho que podem rolar uns exageros da minha parte. algumas coisas mais brandas me incomodaram muito no começo e depois eu fui baixando a guarda. outras, conforme o tempo passa, só me indignam mais ainda. essas eu vejo que não são meros problemas pessoais meus, mas que o buraco é muito mais embaixo. então vou dividir os contras em três categorias:

contras versão light

no primeiro semestre essas coisas aconteciam com mais frequência: balinhas, doces, muita televisão. cada sala tem uma televisão dentro e isso me incomoda um bocado. o benjamin toda semana me aparecia com uma novidade diferente: a casa do mickey mouse, galinha pintadinha, patati patatá, xuxa spb. aquilo me irritou, tirou do sério. menino chupando pirulito assim, durante a semana, antes da hora do almoço? cantando veeemmm dançaaar que o circo já chegou e por aí vai mexeu muito comigo. tudo que eu trabalhei nele por 3 anos sendo confrontado dessa maneira. perguntei, questionei e já comecei a criar minha fama de chata. aos poucos relaxei, aceitei algumas coisas porque sou dessas que acredita que temos que escolher nossas batalhas. não dá pra lutar contra tudo o tempo inteiro. eu tenho muita energia boa pra gastar nessa vida.
aí não sei se fui eu que relaxei ou se a coisa foi ficando mais tranquila mesmo, mas achei que as balinhas diminuíram, nunca mais veio um doce (ou palhaço) colado na agenda e, por mais que ele ainda cante umas músicas toscas, denunciando a tv ligada vez ou outra dentro de sala, ele também me veio com cantando um palavra cantada ou cocoricó que, dos males, o menor.
também acho que outras coisas muito mais bacanas começaram a acontecer em paralelo, então ele passou a dar menos atenção a isso. ok que ainda me incomodo com a história do cineminha acompanhado de pipoca de microondas toda quinta feira, mas decidi desapegar disso, de coração.

contras versão média

a merenda. o lanche é o mesmo para todas as crianças, preparado e servido na cantina da escola. alguns pais já reclamaram de servirem “almoço” na hora do lanche, como baião de dois, macarrão, risoto, mas pra mim esse não é o pior. pra mim o pior é o fato de todo santo dia o lanche ser praticamente só carboidrato, sendo que duas a três vezes por semana é carboidrato tosco e refinado como cream cracker acompanhado de leite com achocolatado (açúcar puro), macarrão ou pão com margarina e iogurte. obviamente nesses dias eu mando o lanche de casa por causa da alergia do benjamin, mas mandaria do mesmo jeito se ele não tivesse alergia. nos outros tem esses almoços aí.
uma vez por mês eles fazem o dia da fruta, onde os pais mandam de casa as frutas já higienizadas e picadas e todas as crianças compartilham em sala de aula. é o dia que o joca mais come. lamento muito que esse dia da fruta não aconteça semanalmente – no lugar do biscoito com achocolatado – e lamento mais ainda que não sejam servidas frutas, saladas e outras verduras como item indispensável do cardápio.
minha luta é que essas crianças estão na primeira infância, onde muitos hábitos são construídos, inclusive os bons (e maus) hábitos alimentares. aí agora eu tenho que dobrar a educação alimentar aqui em casa e, por outro lado, de muita coisa eu já tive que abrir mão, porque ele aprendeu que porcarias muitas vezes (ou quase sempre) podem ser deliciosas.
infelizmente me parece que lá eles cagam e andam para isso e jogam a culpa toda na secretaria da educação, que fornece o cardápio fechado e pronto e acabou. ninguém luta por isso e se acomoda nesse fato. fim.

contras versão temço nível elevado

propaganda dentro da escola. eu sempre soube que isso existia e costuma ser prática “comum” em algumas instituições de ensino. mas percebi que na do joca não é diferente, infelizmente.
a primeira coisa que me chamou atenção foi a história do álbum de figurinhas. nossa, como isso me incomodou! mas achei que tinha sido inocência por parte da direção e preferi não encrencar.

aí foi a vez da festa junina e a rifa. em outra festa já tinham distribuído rifas para vender. um bloquinho com 30 rifas a um real cada, pra ajudar na festa da páscoa. beleza. mas na festa junina foi pior. a gente tinha que assinar um termo na agenda autorizando o filho a ser príncipe/princesa da festa, comprometendo-se a vender pelo menos 90 rifas. eu não assinei porque não tinha como me comprometer a vender 90 reais em rifa. eu não gosto de rifa. não gosto que me vendam rifa e ainda por cima odeio vender rifa. alguém me sugeriu comprar todas e acabar com aquele tormento, mas eu nem tinha 90 reais pra isso.
então o benjamin veio com um papo de “mãe, deixa eu ser príncipe?” e eu, sem entender, dizia “claro, filho, você é meu príncipe”. depois de alguns dias de insistência ele disse “a professora falou que é pra você deixar eu ser príncipe na escola”. eu, que tinha esquecido da autorização da agenda, de repente senti cair a ficha. marquei a autorização e simplesmente rasurei no escrito “comprometendo-se a vender”. ou seja, ele pode ser príncipe, mas eu não assumo compromisso pra vender p*$&% nenhuma.
na reunião de pais antes da tal festa (que seria para encerrar o semestre) eu questionei essa história de rifa, perguntando como ficariam as crianças cujos pais não venderem 90 reais em rifas e se elas não se sentiriam excluídas. no que a resposta veio com a maior naturalidade:
- as crianças que não forem ser príncipes e princesas participarão da festa junina, mas não da coroação.
- sim, mas elas ficarão ali, sentadas, assistindo os amiguinhos ganharem coroa e não serão coroadas? isso é injusto! – disse, inocente, sem saber de nada.
- não, as crianças que não venderem toda as rifas ficarão dentro da sala de aula com algum funcionário da escola enquanto as outras são coroadas lá no evento, no pátio.
quis morrer, quis cair pra trás, quis botar fogo no próprio corpo e sair correndo e gritando pela escola em forma de protesto. como assim, uma escola com uma proposta pedagógica tão legal, inclusiva e coisa e tal, com uma estrutura bacaninha fazer isso com as crianças? é totalmente contraditório! é totalmente anti ético!
a professora reforçou que é contra isso, que todo ano pede pra parar com essa história de rifa, que ninguém gosta de rifa e que mesmo assim essa situação se repete ano após ano.
no dia da tal festa junina eu não quis apenas atear fogo ao próprio corpo, gritar e correr. eu queria rodopiar, voar, explodir e enterrar meus restos num buraco no meio da areia do parquinho. foi um show de horrores: toda hora falavam sobre as contribuições das rifas, sobre dinheiro, sobre o marido da diretora ser a pessoa que fotografa e filma o evento e que ele venderia as fotos e vídeos por 30 e 40 reais, respectivamente. mas gente!
minha mãe e irmã ficaram indignadas. tão indignadas que nem deram a menor bola pra festa da família, que aconteceu na semana passada (e que foi mil vezes melhor que a junina, apesar de outras atrocidades que logo contarei).
as rifas? bem, minha mãe, minha irmã e eu compramos ali no dia, pro benjamin poder ser coroado príncipe. não que eu dê importância a isso, mas porque eu não queria que ele se sentisse excluído, já que havia sido criada uma expectativa gigantesca (manipuladora) em torno disso.
uma covardia! por sorte eu tive pessoas pra me ajudar, mas essa é uma escola pública! nem todos os pais têm condições de vender/comprar noventa reais de rifa. ou melhor, de comprar a coroação do filho! isolar a criança assim, na maior? tão injusto, tão deselegante!!

por sorte as férias começaram no dia seguinte, passamos um mês longe disso, teve copa, teve 7 a 1 e teve um monte de distrações que fizeram a gente esquecer a tal mini festinha capitalista.
até a semana da festa da família.

não teve rifa na festa da família, mas contamos com o patrocínio de uma ótica conhecida na cidade. para não fazer propaganda dessa porcaria, vou chamar apenas de óticas x. quando fui ver o cronograma da semana da família, tinha umas coisas legais, como visita do corpo de bombeiros, e outras atividades. mas no dia anterior ao evento haveria um “pré exame oftalmológico com as óticas x”. depois li no mesmo informe, que veio na agenda, mais uma menção às óticas x. já foi o suficiente para me deixar com um pé atrás. foi quando vi que, do lado de fora, penduraram um banner convidando a comunidade local para a festa da família e, no canto inferior do banner, a logomarca da tal óticas x. a partir dali eu já comecei a prever o próximo capítulo.
dito e feito. quando fui buscá-lo tinha no pátio do colégio um expositor cheio de óculos escuros, duas funcionárias da ótica uniformizadas e um monte de panfleto de propaganda das óticas x. fiquei tão pau da vida, meu sangue fervia e vi que uma das mães de uma colega do joca tinha acabado de sair da diretoria, indignada com isso.
busquei ele na sala de aula e ele me entregou um bilhetinho, atado ao braço:

amanhã, durante a festa da família, ofereceremos várias atividades interessantes para toda a comunidade escolar. em uma das oficinas teremos a escritora fulaninha de tal, que estará vendendo livros de literatura a R$ 15,00 e também contaremos com uma exposição de óculos a preços promocionais, pela ótica x.
não deixem de aproveitar as promoções!!!
equipe do jardim de infância”

ao chegar da escola, encontrei grampeado na agenda mais porcaria: um papelzinho cheio de numerozinhos tipo 1,50, 1,0, + e  - e nada que eu conseguisse compreender. anexo ao papel tinha grampeado o cartão da tal ótica e escrito “indicação 60,00″.
liguei lá e descobri que, no tal pré-exame, havia aparecido alguma dificuldade dele ao enxergar “de longe” (a funcionária não soube me informar se era miopia, astigmatismo, hipermetropia. acho que ela nem conhecia esses nomes) e que essa indicação era para um oftalmologista parceiro das tais óticas x. perguntei, na simpatia, se ela ganhava comissão por indicação e se era pra dizer que ela que tinha indicado no que me vem uma resposta do tipo “sim, por favor, diga que fui eu porque eu ganho comissão”. também perguntei se eu fizesse os óculos nas óticas x e dissesse que vim a partir do exame feito na escola se conseguiria algum desconto e ela respondeu que sim, que me conseguiria “um bom desconto”.
não digo que fiquei pasma porque eu já esperava isso tudo. mas com certeza fiquei indignada. questionei se algum médico tinha feito o exame e descobri que não, ela mesmo tinha feito com um aparelho da loja. desliguei o telefone com uma voz simpática, mas tremendo.
pra cima de mois? e joca não foi o único da sala com problema “pra ver de longe” não! sem contar que ele tem uma visão de botar inveja em qualquer adulto! aquilo elevou minha indignação ao nível máximo!
a vontade foi de ir à escola, gritar com todo mundo, botar fogo nos meus cabelos, nos pelos do sovaco e nos pubianos e sair correndo pelada pela rua, mas me segurei porque eu estava muito, muito indignada, e poderia falar coisas das quais me arrependeria depois.
[falar sobre o papelzinho: pra completar..]
no dia seguinte foi a festa. não sei se eu já estava acostumada com o esquema festa junina de ser e também porque a festa em si foi muito mais legal que a anterior, mas não me choquei tanto. a diretora, claro, falou das fotos e vídeos e lá estava o marido dela fazendo se trabalho. falou de quem fez a decoração e deixou o contato no mural para quem quisesse. e também tiveram 6 oficinas após as apresentações, uma delas era do tal “pré-exame” e os óculos promocionais. outra era uma contação de história (fraquíssima por sinal) e a contadora estava vendendo seus livros.
mas eu não aproveitei as promoções. ignorei o que me incomodava e aproveitei a minha família, afinal, aquele era o propósito pra mim, pelo menos. e as outras oficinas foram bacanas: de alimentação saudável, de pintura, de escotismo, de brincadeiras de rua.
pouco antes de sairmos, um rapaz que volta e meia ajuda na manutenção da escola abordou meu marido dizendo: “vocês já foram lá ver os óculos? vai lá, tá em promoção”. ele disse que não tinha interesse, eu dei uma resposta meio evasiva e deixamos isso de lado.
benjamin saiu de lá feliz da vida e eu acho que consegui relevar com sucesso as atrocidades.
mas ainda estou tentando lidar com isso tudo.
uma escola tão legal e ao mesmo tempo com umas estratégias pra ganhar dinheiro tão toscas.
eu entendo que todos os bons recursos que a escola tem são provenientes desses dinheiros que entram por fora, porque o governo não dá um centavo furado para ajudar em nada. mas não concordo de maneira alguma com a forma como isso é feito e, ao conversar com vários outros pais, percebi que essa é a postura da escola ano após ano e, por mais que alguns pais reclamem, nada muda.
me senti impotente. ainda me sinto. ainda estou procurando a melhor forma de resolver isso. ao invés de apresentar o problema, apresentar a solução.

já bati o pé e disse que não compro mais rifa. aumentei a minha contribuição mensal da apm, que é a associação de pais e mestres, responsável por cuidar da escola além dos recursos escassos que o governo dá. mas talãozinho de rifa não entra mais na mochila do meu filho, muito menos na minha casa. não compro foto nem filme de evento. se quem faz isso é o marido da diretora, ele que trabalhe voluntariamente e forneça o material em dvd. os pais se encarregam apenas de fornecer a mídia para ele gravar e ponto final.

mas meu lado john lennon é sonhador e eu tento imaginar e acreditar na inocência de todos naquela escola. tento achar que tudo isso só acontece no mero intuito de ajudar as crianças. que eles só fazem as coisas como fazem porque não conhece um jeito diferente de administrar certas situações. que, se eu juntar com outros pais e mães, conseguiremos apresentar soluções lindas e bacanas, condizentes com o resto das coisas tão boas que a escola oferece e, assim, todos viveremos em união, com a paz, a esperança e o amor verdadeiro.

(pera aí que eu vou acender um incenso e já volto)

mas, enquanto isso não acontece, me resta ir atrás de mais informação, de conversar insistentemente com a direção e ver se consigo alguma mudança em alguma coisa. afinal, fama de chata eu já tenho mesmo.

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