28 de janeiro

ninguém é perfeito

por luíza diener

caos

sempre tem alguém pra dar opinião nas nossas vidas, especialmente quando o assunto é criação de filhos.
desde o jeito como se leva a gravidez, passando pela forma como o bebê vai nascer, como se alimentar, dormir, a maneira de educar.. nunca, absolutamente nunca estará bom pra quem vê de fora.
se você opta por agendar uma cesárea, podem dizer que está cometendo um grande erro; se diz que vai tentar o parto normal, está correndo um grande risco.
se amamenta sempre que o bebê pede, independente da hora e local, alguém talvez dirá que está acostumando ele mal. se opta por dar leite artificial, realizar o desmame ou fazer a introdução alimentar antes dos 6 meses, vai danificar a saúde do bebê pra sempre.
se estabelece horários e rotinas, está sendo cruel. se dá liberdade para que as coisas aconteçam conforme o desenrolar do dia ou as necessidades momentâneas, está criando um indivíduo sem limites, que só faz o que quer.
se volta a trabalhar, te chamarão de egoísta. se fica em casa com o bebê, vai ser uma dona de casa frustrada quando ele crescer.

não tem jeito: toda mãe será criticada em algum momento, por mais que faça exatamente aquilo que acredita ser o melhor para si e para o seu bebê.
claro que não uso isso como argumento para fazer o que me der na telha e depois me apoiar nisso como desculpa para tudo.
é direito e dever de toda mãe ir atrás de informação, ler, estudar, conversar com profissionais da área, mas também com amigas, parentes e pessoas de confiança.
mas tão importante quanto consultar médicos e pessoas que se ama, a mãe deve sempre consultar seu coração. é o maior dos clichês, eu sei, mas eu continuo batendo na tecla de que a nossa consciência é nosso melhor guia.

muitas coisas são lindas na teoria, mas parece que na prática geram caos e destruição na sua casa. e é sempre na nossa casa, nunca na dos outros, já percebeu? porque pode ser que funcione mesmo pra outras pessoas, mas elas são diferentes de você, do seu filho, da sua família. portanto, se aquele método lindo não se adapta para vocês, é bem provável que ele não seja pra vocês.
cada mãe precisa conhecer seus filhos e precisa conhecer a si mesma. livros, opiniões e conselhos podem muitas vezes ser inspiradores, mas não são eles que embalarão seu filho 3h da manhã, trocarão aquela fralda de rabo de esquilo que enche as costas e a nuca do seu bebê de cocô, que pagarão suas contas ou que terão que lidar com as birras e chiliques quando eles acontecerem.

vou além: conforme os filhos crescem, descobrimos que o que funcionava antes não necessariamente dará certo hoje. o que era uma beleza com um filho, com o outro pode ser um verdadeiro desastre.
conheça seus filhos. conheça a si mesma. analise as motivações do seu coração e procure entender o coração dos seus pequenos também.
não tenha medo de errar, mas aprenda com cada erro e celebre cada acerto com humildade.
analise tudo, retenha o que é bom, respeite as decisões alheias e faça as pazes com suas escolhas.

***

este post foi inspirado na nova campanha de Baby Dove. a marca que entende de mulheres reais – cada uma com sua própria beleza – também vê beleza no jeito como cada mãe expressa seu cuidado e carinho com seus bebês.
os novos produtos Baby Dove te dão mais cuidado pra você fazer do seu jeito. #ConfieNoSeuJeito #BabyDoveBrasil

foto: daniele guenther 

selo matrioska

categorias: erros comuns, para mães, publicidade

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27 de janeiro

o que acontece quando pais resolvem falar sobre sexo com os filhos pela primeira vez?

por hilan diener

mães e pais falam com seus filhos sobre sexo pela primeira vez.
versão legendada em português do vídeo “Parents Talk to Their Kids About The Birds and the Bees for the First Time”

 

 

categorias: um pouco de humor, vídeos

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26 de janeiro

restaurar para conquistar

por luíza diener

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as crianças estão crescendo. parece que de um dia para o outro, puf!, elas dão um estirão e uma roupa ou sapato – que até um dia desses elas usavam tranquilamente – para de caber. esse é um marco de crescimento clássico pra quem tem filhos pequenos, mas outros acontecimentos são igualmente simbólicos. exemplo disso foi o cadeirão de alimentação que demos para o benjoca quando sansa estava perto de nascer. ela tinha ganhado muita coisa e eu achei que era mais que justo ele ganhar algo novo, dele, que simbolizasse sua independência de alguma forma.
o tal cadeirão era fácil de subir e descer e ele podia sentar-se junto a nós na mesa. conforme ele cresceu eu ainda fiz alguns ajustes pra ele continuar sentando com conforto. mas agora fica espremido nela. até poderíamos dar para a sansa, mas ela ganhou outro tipo de cadeira do avô, então decidimos que era hora de dar adeus ao pequeno trono e sentá-lo na cadeira de jantar com a gente, visto que ele já é um menino grande.
verdade seja dita, o cadeirão tem sua utilidade – bem como seu valor sentimental – mas o tempo intenso de uso o deixou um pouco desgastado.
eu queria vendê-lo pra comprar umas roupinhas novas para as crianças (já que recentemente, puf!, elas passaram pelo tal estirão), mas não tinha coragem de cobrar mais que 50 reais no estado descatembado em que a cadeira se encontrava. achei melhor, então, restaurar para conquistar.
observação: eu só tinha feito isso uma vez, quando era uma jovem adolescente sonhadora que dormia tarde e acordava mais tarde ainda, sem grandes ambições na vida e muita imaginação na minha caixola fértil. de maneira alguma me lembrava do trabalho que isso dava.
comprei lixa e resolvi reaproveitar uma tinta de parede que estava encostada aqui em casa. junto com hilan, levamos três exaustivos dias entre lixadas e pinceladas, até que finalmente a cadeira estava pronta e amarela. o resultado foi satisfatório e me rendeu alguma experiência. deu uma valorizada no produto e, modéstia à parte, ficou uma gracinha!

antes-depois

passo final: botar pra vender. benjamin disse que gostou tanto da cadeira nova que ia comprar ela de mim. desapega, benjoca!
tirei umas fotos bacanas e corri pra anunciar na OLX, que foi o mais fácil de tudo, depois de tamanha trabalheira.

já falei aqui e aqui sobre as minhas experiências em anunciar (e conseguir vender) na OLX, que é super rápido, prático, além de gratuito. dá uma olhada como é fácil:

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selo matrioska




categorias: Tags:, , , , faça você mesmo, publicidade, quer uma dica?, tranqueiras de bebê

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23 de janeiro

carregamentos e conversas

por hilan diener

benjamin carregando sansa e uma conversa sobre ciência entre os irmãos

categorias: benjamin, constança, irmãos, um pouco de humor, vídeos

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22 de janeiro

estou aqui

por luíza diener

nascer do sol, aurora, cerrado

(foto: jaime junior fotografias)

 

tenho refletido muito, sobre muitas coisas. esse tempo de férias do joca – que já tem quase 2 meses – tem me feito lembrar dos tempos em que ele ficava em casa comigo, tem me feito sair da zona do conforto, tem me mostrado o reflexo da criação que eu dou pra ele desde que ele nasceu. é muito difícil separar o que define uma pessoa – ainda que seres tão pequenos e novos como benjamin ou constança – visto que alguns comportamentos são muito próprios da personalidade de cada um, mas também há fatores externos como educação dos pais, convivência com outros amigos, parentes, colegas, nossa cultura de modo geral e até o estado emocional ou de saúde em que ela se encontra.

tenho tido a oportunidade de estar com meus filhos ainda mais de perto, de vê-los estreitar seus laços de irmãos tanto na parte dos conflitos e atritos quanto na parte da cumplicidade. eles conversam, se entendem, se batem. um estapeia, a outra arranha, todos gritam e correm pra mãe, mas no fim eles estão lá se abraçando de novo, fazendo piadinhas e dando gargalhadas deliciosas.

tenho vivido intensamente essa vida materna, mais distante do blog (perceberam que estou meio que de férias também?). meu celular quebrou há mais de um mês e eu não consertei. contratei a diarista para vir 3 vezes por semana e tenho vivido um alívio dos afazeres domésticos, visto que ela é um anjo que me ajuda demais da conta.
essas atitudes me proporcionaram um alívio bem grande por um lado, mas por outro – como já disse – intensificou outras tantas coisas.

tenho notado como meus filhos são verdadeiros espelhos de nossos comportamentos e atitudes, o que pode ser ótimo ou péssimo. quantas vezes eles disparam a gritar pela casa e, vou observar, apenas estão reproduzindo algo que veem a mãe estressadinha aqui fazer constantemente. mas em outras rolam as desculpas mútuas que eles também aprenderam com a gente que, de tanto errar, tanto pede perdão também.

tenho visto meu menino e minha menina crescendo e se desenvolvendo numa velocidade assustadora, aprimorando a linguagem que cada um possui, vencendo medos e obstáculos que, meses atrás, eram quase paralisadores. adquirindo uma autonomia e independência que só fará bem para eles, mas ao mesmo tempo muito mais apegados a nós, correndo pro nosso colo em momentos de frustração e desalento.

tenho tentado rever alguns conceitos engessados, deixando pra trás aquilo que me prende e retomando o que nos faz bem.
tenho me esforçado pra viver uma maternidade com menos cobranças e mais levezas, pra aproveitar tudo aquilo de belo que essas relações tão preciosas nos trazem.

tenho muito a agradecer, todos os dias, sem nunca esquecer dessa missão difícil, maravilhosa, complicada mas deliciosa que deus me confiou.

categorias: amor, erros comuns, para mães, psicologia autodidata introspectiva

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20 de janeiro

desmame noturno

por luíza diener

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ela ainda mama bastante de dia, mas eu cansei de acordar tanto à noite.  um cansaço que não passava, o sono que perdurava o dia inteiro, a filha que não descansava direito à noite e ficava sempre mal humorada.

eu fiz o desmame noturno na louca, sem seguir nenhum método apeguista-montessoriano-hoggarciano. eu fiz o desmame noturno num impulso desesperado de quem não dormia uma noite inteira há mais de 540 dias. isso já tem um mês, graças ao nosso bom senhor.

até que, numa bela noite onde eu me sentia um pouco mais disposta que nas outras, ela – como de costume – acordou apenas uma hora depois da última mamada. por alguma razão aquilo me fez dizer CHEGA!
tirar o mamá da noite era uma ideia que já vinha me ocorrendo, mas eu fiquei esperando sansa passar a dormir sozinha, coisa que começou a parecer que jamais aconteceria.

quando chegou o dia do basta eu já estava convencida de que queria fazer aquilo e estava disposta a levar até o final.
ela acordou já pedindo mamá! mamá!, por mais que tivesse jantado bem e tivesse mamado pouco tempo atrás. então peguei ela no colo e encostei sua cabeça no meu ombro enquanto a embalava. ela voltou a dormir rapidamente mas, quando a coloquei na cama, voltou a chorar. peguei novamente, embalei por mais tempo e só a devolvi pra cama quando tive certeza absoluta de que ela tinha adormecido completamente. lá ela ficou e eu saí do quarto.
depois de mais de uma hora ela acordou novamente e confesso que demorei um pouquinho para acudi-la.
agora não lembro mais a sequência dos fatos, mas houve momentos em que ela voltou a dormir sozinha e outros que acordou de se esgoelar. quando via que ela realmente não ia voltar a dormir, retornava ao quarto pra checar se ela estava incomodada ou precisando de alguma coisa ou se estava acordando só por força do hábito. vai que ela despertava por algum outro fator como calor, frio, muriçoca incomodando, roupa apertada.. sei lá, né?
eu tinha bem claro na minha mente que, no auge de seus um ano e seis meses de idade, ela não precisava mais mamar à noite. que ela faz isso por estar acostumada, não por necessidade, diferente dos bebês pequenos que precisam do leite da mãe para se sustentar.
eu não tentaria fazer esse desmame numa época conturbada como quando os dentes estão nascendo, num momento fora de rotina como foi no natal e ano novo ou justamente numa época em que ela estivesse doente, por exemplo.
acho que juntou a fome com a vontade de comer e eu vi naquelas condições favoráveis – juntamente com minha encheção de saco – o momento propício para que aquilo acontecesse.

voltando à nossa saga, fomos adentrando a madrugada nesse vaivém dorme-acorda. em algum momento ela começou a se irritar porque, quando eu a pegava no colo, ela ia com a mão procurando peito e eu desconversava. deitá-la no meu ombro era melhor porque ela ficava longe do cheiro do leite.

lá pra umas 2h ou 3h da manhã ela começou a ficar revoltada quando viu que não ia rolar o tal mamá mesmo. aí eu não consegui mais colocá-la na cama porque, por mais que ela ficasse capotada no meu colo, na hora que eu a deitava ela já abria os zoião como se o sono tivesse ido embora completamente.
aí me ocorreu uma ideia que me fez sentir estúpida mais tarde: dar água. a bichinha tava com sede e bebeu tanta, mas tanta água, que não teve como fugir da culpa por não ter pensado nisso antes. ela podia não estar com fome, mas estava com sede, tadinha, ainda mais no calorão que tem feito aqui em brasília.
àquela altura do campeonato eu já estava exausta, mas fui ficando obstinada cada vez que ela acordava. não tenho orgulho em dizer que eu transformei aquilo em uma questão de honra, mas juntou um histórico de tanta coisa que naquela noite eu bati o martelo, dizendo a mim mesma: mamá à noite nunca mais!
quando vi que não ia ter jeito, que ela já estava sofrendo por não ter o peito e que não queria dormir longe de mim, eu deitei na cama junto com ela. pra evitar que ela se sentisse tentada a mamar comigo ali, ao lado, abracei um travesseiro pra cobrir as tetas. ela procurava o peito com a mão, encontrava o travesseiro e ficava brava. tentou me escalar, gritou e até me bater e chutar ela fez. lá pelas tantas ela dormia num canto da cama e eu no outro. ela queria distância de mim, mas não queria que eu saísse de perto. a bichinha ficou brava!

mas finalmente dormiu. dormimos!
das 3h às 6h da manhã tivemos três horas consecutivas de descanso. quando ela acordou ainda estava escuro.
mais meia horinha e o dia já vai clarear. aí ela vai mamar e tudo vai acalmar”. foi quase um poema para os meus ouvidos e minha motivação na meia hora que se seguiu.
eu decidi que ia tirar a associação da noite/escuro ao peito, então só amamentei quando o apartamento estava iluminado pelos primeiros raios de sol. ela mamou apenas o suficiente pra perceber que eu continuava ali e logo capotou. dormiu mais umas duas horas seguidas, assim como eu.

quando acordei, expliquei ao marido o que aconteceu e informei sobre a minha decisão. confesso que fui um pouco eu-decidi-e-agora-se-vira-com-minha-decisão quando apenas comuniquei: “a partir de hoje ela não mama mais à noite. por um ano e seis meses eu acordei toda santa noite, sem exceção, e agora é minha vez de descansar!”.
(preciso confessar que às vezes me irrito quando vejo hilan tão sossegado dormindo a noite inteira – levantando apenas quando benjamin inventa que quer beber água, está com calor, etc – e ainda acorda dizendo que está cansado. pra cima de mim, não!)
os dias que se sucederam foram um pouco mais tranquilos. no dia logo após ela acordou apenas uma vez, hilan foi lá e ela voltou a dormir. em outros ela chegou a dormir a noite inteira (e eu comemorei com as tetas cheias de leite).

mas houve dias (um, no máximo dois) que ela passou a noite inteira a acordar, voltar a dormir, acordar. fez com hilan praticamente o mesmo que fez comigo (até procurou peito no hilan) e ele agiu praticamente do mesmo jeito (incluindo deitar na cama dela).
agora, dormir a noite inteira é mais regra que exceção, mas quando isso acontece não tem peito, só colo, embalo e canções de ninar.
coincidência ou não, suas sonecas diurnas começaram a durar mais e ela, que sempre teve dificuldades em dormir em qualquer situação fora do comum, tem conseguido dormir em situações mais diversificadas. não é sempre, mas está melhorando.

eu não canto vitória, obviamente. aprendi a nunca fazer isso quando se trata de filhos porque parece que quando a coisa finalmente está estável vem um meteoro e bum! bagunça tudo de novo. pode ser que, quando nascerem os 4 últimos dentes, ela passe a acordar. pode ser que venha uma virosezinha qualquer e mude tudo outra vez. ou não. só sei que por mais que eu comemore, por dentro eu já me preparo pro pior.
e mais: não acho que eu desenvolvi um método perfeito para desmame noturno nem me culpo pelo que fiz, por mais que tenha sido na louca.
nem sequer acho que todas as mães devam tirar o peito da noite (muito menos de um bebê pequeno). cada uma sabe de si e da sua dinâmica familiar, assim como eu sei da minha e do tanto que isso tem sido fundamental para minha saúde mental e até física.
sempre fui contra adestramentos de bebê (principalmente aqueles que ainda não começaram a introdução alimentar ou ainda não se alimentam o suficiente durante o dia) e nunca entendi totalmente por que o desespero pra que um bebê durma a noite inteira. a minha experiência com o sono do benjamin foi bem tranquila também.

ela continua a mamar durante o dia e espero que assim permaneça por pelo menos seis meses.
se acorda, fica por conta do pai e vamos nessa, aproveitando cada noite de sono enquanto durar.

categorias: constança, marcos importantes, mês 18-24, toddler

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08 de janeiro

bom senso e justiça

por luíza diener

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tenho uma amiga que tem duas filhas gêmeas – idênticas – e um bebezinho caçula. conheci ela antes do menino nascer, quando as meninas ainda não tinham 1 ano de idade.
sempre achei curiosa a forma como essa amiga, apesar de ter duas crianças geneticamente iguais e muito parecidas fisicamente, sempre soube respeitar a individualidade e as diferenças de cada filha. foi a primeira vez que eu conheci irmãs gêmeas que não se vestiam de forma idêntica, com nomes parecidos ou que fossem tratadas pelos pais como “as gêmeas”. elas sempre foram chamadas pelo nome e tratadas individualmente, não como um par de gente. dentre essas coisas, uma que me chamou atenção foi a forma como elas têm suas coisas bem definidas e, por mais que muitas vezes se vistam parecidas, as roupas se distinguem quanto a cor ou estampa. também os sapatos e acessórios são individuais e várias vezes os brinquedos idem, pra não dar confusão.
“iguais, mas diferentes. assim como elas” – sempre pensei. se uma ganhava uma bola, a outra ganhava também. se uma ganhava uma boneca, a outra também.
eu, como mãe de um filho só – até então – tentava fazer associações a quando eu era criança, com minhas duas irmãs mais velhas. lembrei-me de quando meu pai comprou três bonecas – uma para cada filha – e escreveu nossos respectivos noves na sola do pé das bonecas com caneta de tinta permanente. essa caneta marcou minha infância, sempre identificando e distinguindo nossas coisas.

mas eu me questionava se realmente cada uma precisava sempre ter o que a outra tinha, afinal, crianças de idades diferentes têm necessidades diferentes e às vezes uma ganha algo que precisa, enquanto a outra não tem aquela necessidade.

lembro-me também de quando minha mãe comprou uma sandália pra minha irmã do meio e não comprou sapatos pra mim e pra mais velha. questionamos, contestamos e minha mãe explicou que tanto eu quanto minha irmã mais velha estávamos cheias de bons sapatos, mas que minha irmã do meio tinha crescido o pé de repente e estava sem ter o que calçar, motivo pelo qual ela ganhou a sandália nova.
em contrapartida, se no natal mamãe dava um presente mais caro pra uma das filhas, acabava compensando isso de outra maneira com as outras, de forma que nenhuma se sentisse injustiçada (ela faz isso até hoje).
foi assim que dei à minha mãe o título de daisy, a justa.

baseada nessas três pessoas tão queridas que mencionei acima, sempre tentei ter esse senso de justiça com meus filhos. especialmente agora, que sansa já está maiorzinha e tem mostrado clara e convictamente do que gosta e do que não gosta; o que quer e o que não quer (benjamin nem se fala. nessa escola ele é professor).
me esforço diariamente pra não tomar atitudes que façam com que eles sintam-se preferidos, preteridos ou injustiçados.
exemplo: as roupinhas da constança são, em sua maioria, heranças de outros primos e prima, amiguinhos e até mesmo da tia ou do irmão. bebês gastam pouca roupa mas, conforme eles ficam mais velhos, crescem numa velocidade menos assustadora, deslocam-se mais e fazem mais bagunça, então a roupa acaba ficando puída, manchada, velha mesmo. como suas roupinhas ficaram mais escassas decidi, numa ida ao supermercado junto com os pequenos, escolher umas novas pra ela, pra usar no dia a dia.
- e eu, mamãe? o que você vai comprar pra mim? – pergunta benjoca.
nessa hora tocam dois alarmes simultaneamente: um é o anti-consumismo, que diz que ele tem que aprender que supermercado não é a casa do papai noel, que a gente só gasta dinheiro com o que precisa e que não dá pra ele ter tudo o que deseja, que ele tem que entender que a irmã está mais necessitada que ele e, portanto, somente ela vai ganhar roupa nova.
o outro alarme é o da justiça, que não quer deixar o filho mais velho achando que a irmã caçula tem direito a todas as regalias enquanto ele apenas assiste eu terminando de fazer as minhas compras.
o terceiro alarme toca: o do bom senso. sansa está precisando urgentemente de roupas, sim, mas ele também deu uma crescida e algumas bermudas estão começando a apertar. nada urgente, mas por que não fazer um agrado a ele?
procuro uma bermuda na sessão de meninos sem sucesso. tento pelo menos uma camiseta e necas. aí explico pra ele que não encontrei nada e, surpreendentemente, ele se conforma sem nenhum problema ou auê, como imaginava que pudesse acontecer.

mas nem sempre é assim.
quando joca era bebê, eu dei a ele vários brinquedos que eram meus, entre eles, uma boneca que foi minha predileta. ele não deu muita bola. brincava alguns minutinhos e depois a deixava de lado. quando sansa tinha uns oito meses, ele encontrou essa boneca entre os brinquedos e disse que ia dar para a irmã. ela também não viu graça e até teve medo. mas recentemente descobriu o tal neném e brinca com ele todo dia. também ganhou da avó de natal uma bonequinha de plástico da emília.
de repente, os dois se interessaram. de repente eles brigam por essas bonecas praticamente todo dia. o que eu consigo fazer pra acalmar os ânimos é deixar uma com um e outra com outro.
o mesmo acontece com vários outros objetos, várias vezes por dia. se existe apenas uma bola, apenas um carrinho, uma bicicleta, este vai ser o objeto de disputa máximo.
ter dois objetos semelhantes acaba evitando algumas brigas e é nessas horas que eu me valho do que minha amiga e meu pai faziam: coisas semelhantes para os dois. geralmente não são coisas idênticas, mas há momentos em que eu gostaria que fossem.
eu sei que não dá pra ser sempre assim, até porque eu irei à falência se quiser continuar esse padrão (principalmente se quiser mais filhos), mas confesso que tem sido uma solução interessante para evitar conflitos.
os três alarmes frequentemente tocam em algumas situações, ainda que nem sempre simultaneamente: o alarme anti-consumismo, o da justiça e o do bom senso. às vezes eu atendo apenas um, às vezes dois, às vezes todos.

até que ponto justiça é agir da mesma maneira com os dois? em qual situação justiça é exatamente fazer diferente, de acordo com a necessidade de cada um?

Equality-Equity

essa ilustração rolou bastante nas redes sociais ano passado, mas até hoje passa muita coisa na minha cabeça quando a vejo. vou me ater ao que está sendo abordado aqui (e parar de me questionar por que diabos esses meninos estão assistindo a um jogo de beisebol): de uma forma literal, temos crianças de tamanhos diferentes, com necessidades diferentes. se, nessa situação, eu tentar trazer igualdade aos três (como na primeira imagem), o pequenininho não tem sua necessidade atendida. mas na segunda imagem ocorre o que eu chamo de justiça.
muitas vezes a sansa acaba sendo a pequenininha, porque ela tem muito mais demandas que joca. na idade dela, ele demandava muito também, só que ele não lembra. explicar isso pra ele é uma tentativa de minimizar o conflito, mas quase nunca resolve, porque ele ainda não desenvolveu a capacidade de assimilar tais fatos. o inverso, então, é ainda mais complicado. como explicar pra sansa que ela não pode beber o café da mamãe, comer o chocolate do irmão ou a ração do tov?
como mãe, eu vou sempre tentar fazer o que é justo para meus filhos, o que não significa que necessariamente eles se sentirão “justiçados“, se é que me entendem.
quantas vezes minha mãe disse que “não e ponto final”, o que me gerou raiva, revolta, me fez querer trocar de mãe, me fez pensar que ela era a pior mãe do mundo e que, quando crescesse, eu seria uma mãe completamente diferente. ops! aqui estou eu, agradecida por cada “não”, pelas vezes que ela disse “porque eu sou sua mãe” e por cada “assunto encerrado”.

em situações de baixo ou médio conflito eu continuo preferindo objetos semelhantes para crianças diferentes só pra me esquivar de confusões desnecessárias, mas entender que ser justa nem sempre vai gerar alegria no coração dos meus filhos ou reconhecimento da parte deles me traz um grande alívio. com certeza eles desejarão mudar de mãe muitas vezes e tantas outras dirão “eu nunca vou ser uma mãe/pai como você! eu sou ser super legal!”.

mas a verdade é que, mesmo tendo que lidar o tempo inteiro com esses intermináveis conflitos, também é uma delícia vê-los interagir cada vez mais, muitas vezes ajudando um ao outro, sendo cúmplices ou mesmo brigando por algo que ambos querem. é a delícia de ser e de ter um irmão, é algo com o qual eu sempre sonhei e hoje vejo realizado em sua totalidade, com todos os ônus e bônus e ânus :D

categorias: benjamin, constança, criança, irmãos, psicologia autodidata introspectiva

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01 de janeiro

feliz 2015!

por luíza diener

2014 com certeza foi o ano que eu mais cresci como mulher e me senti verdadeiramente adulta. acredito que o mesmo aconteceu pro hilan. fizemos uma mini retrospectiva desse nosso ano em família no vídeo a seguir.
mas todo esse falatório também é pra agradecer o carinho de todos nesse ano que se passou.
que venham mais e mais anos de crescimento e amadurecimento e que 2015 seja especialmente incrível para cada uma e cada um por aqui!

categorias: psicologia autodidata introspectiva, um pouco de humor, vídeos

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29 de dezembro

minha amiga blogayra é…

por luíza diener

extravasa! libera e joga tudo pro ar ar ar ar ar ar ar…

quem palpitou que minha amiga blogayra secreta era a claudinha leitte errou, mas passou perto. pois é, eu achei que a dica era uma simples viagem da minha cabeça, mas pelo visto eu praticamente contei quem era antes da hora. só quero dizer que a imaginação de vocês está precisando de óleo nas engrenagens. eu bem que poderia ter tirado, por exemplo, o homem aranha cantor:

ou mesmo nossa amada cantora rosana-como-uma-deusa:

mas na verdade eu tirei a única e exclusiva michelle amorim, do blog vida materna e eu juro que li umas 24 páginas do blog dela!
eram muitos, milhares, mas post que eu escolhi dela são conselhos para os primeiros meses como mãe, com dicas de ouro que com certeza já ajudaram e ainda ajudarão muitas mães de bebezinhos pequenos:

  • Dedique todas as suas energias a produzir leite, conhecer e se conectar com seu bebê, apenas.
  • Durma sempre que possível, mesmo que for só por cinco minutinhos. Faz diferença.
  • Confie no seu leite.
  • Confie no seu instinto materno. Sempre.
  • Aceite e tenha ajuda de todos os lados, tenha mãos sobrando para te auxiliar em tudo que você precisar e até no que achar que não precisa.
  • Entenda que está aprendendo a amamentar e que seu bebê está aprendendo a mamar.
  • Deixe a limpeza e organização da casa de lado, se importe somente com o básico.
  • Aprenda a delegar, não queira dar conta de tudo sozinha.
  • Não se sinta pressionada a receber visitas e a fazer sala. 
  • Não se preocupe tanto com sua aparência e em voltar ao peso de antes da gravidez. Não agora.
  • Ouça o que os outros dizem, filtre e selecione o que serve para você. Quanto aos pitacos alheios, pode dispensar.
  • Tome muita, muita, muita água.
  • Não se estresse com coisas pequenas.
  • Só saia de casa com o bebê quando se sentir segura, quando quiser mesmo e não por pressão.
  • Não fique sozinha, tenha sempre companhia nesse início.
  • Não se desespere com o choro do bebê. É apenas a forma dele se comunicar, por agora.
  • Saiba que tudo são fases e que elas passam. As boas e as ruins.
  • Saiba que um dia você vai voltar a dormir.
  • É normal se sentir exausta, frustrada e até mesmo deprimida. E tudo isso passa.
  • Chore se tiver que chorar, não se envergonhe disso. Não é sinal de fraqueza e sim de ser humana.
  • Se tiver outros filhos já, saiba que eles sobreviverão a esse início de caos e atenção dividida, e que todos sairão fortalecidos no final.
  • Aproveite cada minuto com seu bebê, porque sim, o tempo voa e num piscar de olhos ele já cresceu. E tudo isso vai deixar saudades. 

MelanieeLeonardo-53

* * *

foi divertido participar do amigo oculto dessas blogueiras lindas e me diverti ainda mais nos bastidores, nas conversas que trocamos nesse tempo, além de ter conhecido blogs novos.

obrigada, meninas, por me tirarem da berlinda e pela oportunidade de nos aproximarmos um pouco mais ;)

categorias: erros comuns, mês 0-3, para mães, quer uma dica?

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22 de dezembro

amigo oculto das blogueira

por luíza diener

blogayras ocultas pb

tem cinco anos e meio que eu tenho blog. esse é meu sexto natal como blogueira e só hoje eu resolvi contar um segredinho:
quando entrei pra esse mundo de blog eu via as blogayra tudo entrosada, se sorteando em amigo secreto, postando foto da cartinha e do presente que receberam. enquanto isso eu ficava ali, vendo aquilo tudo e pensando se um dia eu faria parte de algo semelhante.

os anos se passaram e a santa gabi sallit me tirou do cantinho do castigo e me convidou pro amigo oculto blogueiro. são 9 participantes (incluindo eu. yay!), sendo oito delas:

selo

o sorteio já foi realizado e dia 29, semana que vem, eu irei revelar a minha amiga oculta publicando um post dela aqui.
não posso contar quem é (afinal eu sou a super certinha do amigo secreto), mas posso dar uma dica, né?
na minha cabeça ela parece uma cantora famousa. toda vez que eu vejo foto dela, penso nessa serumana.

então tá, não falo mais nada. semana que vem eu conto quem foi.

( – se sentindo blogueira de antigamente. tem selinho e corrente?)

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categorias: mães extraterrestres

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