26 de agosto

12 coisas que não se dizem para uma mãe em carreira solo

por hilan diener

maesolo

perguntamos no facebook coisas que não se dizem a uma mãe solteira em carreira solo,
o resultado – com as piores melhores respostas – você encontra abaixo:

1) “pra começo de conversa, não devem chamá-las de “mães solteiras”. ser mãe vai muito além de um mero estado civil”

2) “vai ser difícil você achar alguém que queira uma mulher que já tem filhos”

3) “o pai paga pensão?” (disparada a mais ouvida)

4) “mas vocês não pensaram na criança antes de se separar?”

5) “nossa, é a cara do pai!”

6) “sem um pai tem grande chance desse menino virar gay. afinal, sem um homem só vai aprender coisa de mulher!”

7) criar filhos sozinha não é fácil. ruim com ele, pior sem ele (o pai)”

8) sempre diziam que por ser criada só pela minha mãe, os homens se aproveitariam de mim, por não ter um pai pra dar medo.”

9) “o que VOCÊ fez pra ele te largar com essas crianças pequenas?”

10) “mas não dava pra arrumar uma pessoa melhor pra fazer esse filho?”

11)” cuidado! quando ele crescer com certeza vai dar mais valor ao pai do que a você, que sempre fez de tudo por ele.” 

12) “ah você vai ver, ele vai voltar. reza bastante que ele volta”

quanto mais a gente reza, mais assombração aparece. valha-me, deus!

conheça outros posts da série coisas que não se dizem:

e também:

 

categorias: coisas que não se dizem

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25 de agosto

as escolas de hoje bastam?

por hilan diener

O documentário “Quando sinto que já sei” registra práticas educacionais inovadoras que estão ocorrendo pelo Brasil. A obra reúne depoimentos de pais, alunos, educadores e profissionais de diversas áreas sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escola.

categorias: vídeos

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22 de agosto

4 anos

por luíza diener

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eu estava sentada no chão do quarto dos pequenos enquanto eles brincavam. benjamin vestiu uma blusa por cima da outra, riu de alguma bobagem que ele mesmo disse enquanto se dirigia a mim com seus cabelos castanhos mechados de dourado, já compridos, cobrindo os olhos. fiz cosquinha, beijei-o no rosto, ele riu e disse alguma palavra com a pronúncia trocada. naquele instante me caiu a ficha: “amanhã ele faz 4 anos!”. tentei esconder a emoção quando percebi que meus olhos marejavam com lágrimas enquanto, como se lesse meus pensamentos, ele correu para a trena na parede, se mediu e disse:

- olha, mamãe, já cheguei no 100!
- é filho, você está crescendo, tá vendo? já tem quase 100 centímetros.
- quase não, mamãe, eu já tenho 100. amanhã eu vou fazer 4 anos e vou medir 100.

e aí não me caiu a ficha, caíram quatro orelhões em cima de mim. quatro não, cem: “esse tempo que estou vivendo exatamente agora vai passar e não tem mais volta”, pensei e corri para pegar a câmera e filmá-lo, na tentativa de congelar aquele instante, que logo escaparia.

não posso dizer que passaram voando esses quatro anos. a noção que tenho é que a vida inteira eu fui mãe. quando lembro da minha vida antes do benjamin parece que estou pensando em uma pessoa completamente diferente.
vejo esse menino baixinho, magrelo e cabeludo. um ano atrás ele tinha um rostinho tão redondo, ainda uma cara de neném… lembro dele com a idade da constança como se fosse ontem e cada dia mais, quando vejo ela reproduzindo algumas coisas do mesmo jeitinho que ele fazia.
vejo fotos, assisto a alguns filmes dele e percebo como certos comportamentos ou maneiras de pensar parecem ser as mesmas desde muito novo. esse menino é único e tem uma personalidade própria e muito marcante!

com ele eu sempre vou ser mãe de primeira viagem, para ele foram e ainda serão alguns dos meus momentos mais intensos na minha jornada como mãe: a primeira gravidez, o primeiro parto, as primeiras vezes que tive que lidar com papinhas, birras, desfralde, passar do berço pra cama, a primeira vez que levei um filho ao hospital.
aliás, nunca me esquecerei que três anos atrás nós “comemorávamos” seu primeiro ano de vida com ele sentado na maca do hospital, tomando soro na veia e com um balão feito com luva por alguma enfermeira da área da pediatria. hoje é tão forte, nunca mais adoeceu como antes. eu só tenho a agradecer a deus pela sua vida e sua saúde!

um dia desses imaginei ele de barba. pensei nele chegando em casa com uma barba espessa, me abraçando por cima dos ombros e me beijando na cabeça. apenas isso.
imaginar que um dia meu filho se tornará um homem é algo lindo e que, confesso, me dá um pouco de frio na barriga também.

um ano atrás escrevi isso, mas não postei aqui no blog:

difícil é não se apaixonar por você.
com esses olhos que são tão expressivos desde o dia que você nasceu. esse sorriso fácil, essa gargalhada gostosa. essa voz fininha e tão engraçada que só você tem.
dono de umas caretas que são só suas, um vocabulário tão amplo, um inglês arcaico que só você conhece.
você é tão feliz, tão forte e tão corajoso. um corajoso que sabe chorar quando tem medo, mas mesmo assim o vence e enfrenta o que for preciso.
criativo, determinado, intenso em tudo o que faz, extremamente carismático, que conquista todo mundo onde quer que vá.
te amo, meu filho, e tenho um orgulho imenso de ser sua mãe!

quatro anos são apenas o início de uma vida, o começo das suas memórias. que venham mais quatro, mais cem, mais quantos anos o bom Deus nos permitir.

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categorias: 4 anos, amor, benjamin, criança, marcos importantes

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21 de agosto

oração

por luíza diener

orando o pai nosso com o benjoca: 
- pai, o que é não cair em tentação?
- é uma situação complicada que temos muita dificuldade em fazer o que é certo.
- igual quando alguém fica falando pra mim “quer um guaraná!? quer um bolinho de chocolate?”

categorias: por definir

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20 de agosto

com amor

por luíza diener

se existe uma coisa que eu adoro é conversar. falar, ouvir, conhecer outros pontos de vista, outros modos de pensar e encarar as coisas. acho fantástico ver como existem pessoas que pensam tão diferente de nós e como aquela forma de viver a vida parece ser justamente a ideal para ela.
com a maternidade não seria de outra maneira. aliás, esse é atualmente meu tema predileto.
gosto de ouvir outras experiências. gosto de aprender com elas.

no começo da minha jornada como mãe eu tive dificuldade em aceitar as diferenças, em respeitar a mãe que fazia as coisas de um jeito contrário ao meu, como se eu fosse a única que soubesse como criar um bebê.
mas logo descobri que se aquele jeito funcionava para o meu filho não necessariamente daria certo para outro (coisa que pude constatar anos depois, na prática, com a chegada da sansa). percebi que não existe um único jeito de cuidar dos filhos e, mais importante, não tem jeito certo ou errado de se amar.

sou dessas que acredita que todas as mães amam seus filhos. por mais que às vezes pisem na bola, por mais que cometam alguns deslizes (quem nunca?), a gente erra tentando acertar.
é por isso que eu acredito na causa amo o jeito como você ama, um movimento de comfort para mostrar a todas as mães que mais importante que fazer tudo certinho é fazer com amor. que não existe jeito certo ou errado de ser mãe, desde que seja sempre com amor.
não somente para nós, que somos mães, mas para as nossas mães também.
em vez de esperar as datas comemorativas para lembrar das coisas gostosas que sua mãe fazia, que tal reconhecer seu amor por ela nas grandes e pequenas coisas?
se tentamos ser a melhor mãe que podemos, por que com ela seria diferente?

nos próximos meses, estaremos junto com comfort promovendo essa ideia: aqui no blog e nas redes sociais – nossa e deles.
você pode acessar a página e fazer parte desse manifesto de amor acessando:
www.amocomovoceama.com.br

são nos gestos do dia a dia que as mães mostram o carinho por seus filhos. então por que não fazer o mesmo e diariamente reconhecer na frente de todos o que sentimos por elas?
por que não marcá-la numa publicação no facebook ou numa foto do instagram mostrando que estamos atentos aos seus atos de amor, mesmo que nem sempre elas usem palavras para isso?
vamos unificar esse manifesto e transformá-lo em público por meio da hashtag #amocomovocêama.

se quiser fazer um cartão com a declaração para a sua mãe (avó, pai ou mesmo para seus filhos), você pode entrar no site, criar seu cartão virtual e compartilhar. é só entrar em www.amocomovoceama.com.br/create:

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as declarações também ficarão publicadas na galeria da página, e comfort transformará histórias de amor em doses do amaciante que serão doadas para instituições sociais apoiadas pela Fundação Abrinq. saiba mais no regulamento.
inspire-se no filme e conte para sua mãe e para todos que você ama o jeito como ela te ama:

 

categorias: Tags:, , , publicidade, vídeos

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19 de agosto

14 meses de constança

por luíza diener

sansa 14 meses

já tem uma semana, mas não poderia passar em branco. sansa agora está com 1 ano e 2 meses e eis as peripécias do mês anterior:

  • aprendeu a ficar em pé sem apoio, ainda com algum esforço. ela vai, se apoia em algum lugar solta as mãozinhas e fica em pé apenas por poucos segundos, mas que já são suficientes para deixá-la orgulhosa de si mesma. ao ficar em pé, ela olha pra gente e diz “ó!“, com uma voz de pato. claro que a gente também morre de orgulho!
  • apesar de ainda aparentar estar longe de andar, sobe e desce escadas sem medo. então, como não temos escada dentro do apartamento, levo ela na de emergência aqui do prédio mesmo. ela volta imunda, mas é um passatempo que ela e irmão amam. vai entender.
  • tem quase um mês que só dorme se for grudada em mim, literalmente. tem quase um mês que tenho dormido praticamente a noite inteira sentada, com ela ora mamando, ora deitada no meu colo. pedindo muita paciência a deus. e coluna de ferro, porque minhas costas estão me matando.
  • tira um cochilo durante o dia, geralmente de uma hora. às vezes bem mais, mas geralmente bem menos. nas últimas semanas ela curtiu isso de dormir grudada no peito então, quando sua soneca calha com a do irmão (a do joca dura pelo menos 3 horas), eu taco ela no peito e fico assistindo série.
  • falando em série, hilan e eu cismamos que ela parece com a bebê lily, das duas primeiras temporadas do modern family. pode ser que só de longe tenha alguma coisa a ver fisicamente, mas o jeitinho é todinho o dela, quando fica séria. a gente assiste o episódio todo esperando ela aparecer e depois fica babando.
  • se ela sempre teve as tais mãos magia, agora tem usado-as com uma delicadeza impressionante:
    • segura o lápis igual gente grande e tenta desenhar como o irmão.
    • encaixa pequenos pinos em orifícios pequenos, como o carregador de bateria ao notebook ou o fone de ouvido no seu devido buraquinho.
    • separa a massinha (do irmão) em partes pequenininhas, quase fazendo bolinhas.
    • monta e desmonta lego. um dia encaixou vários legos duplos em uma base, mais uma vez nos mostrando: “ó!”
  • seria já tema pro post do mês que vem, mas nos últimos dias ela começou a fazer uma pose ótima onde ela ajoelha sobre uma perna e coloca o outro pé no chão, apoiando as mãozinhas nas coxas (vide foto ao final do post).
  • também seria tópico pro post do mês que vem, mas hoje formou sua primeira frase. ela acordou, mamou, ficou um pouco de dengo no meu colo e soltou: “dedota! tadê u dedota?” que, em português, significa “benjoca! cadê o benjoca?” e desceu da cama para procurá-lo.
  • como ela volta e meia tem feito isso de terminar de mamar e descer da cama para brincar, às vezes eu aproveito para ganhar uns minutinhos de sono.
  • de repente, do nada, ela chama bem alto: “PAPAI!”. raramente chama a mamãe, muito mais o papai. o dia inteiro chama baixinho e umas duas vezes por dia ela grita em claro e bom tom. às vezes até assusta a gente. pra não dizer que nunca me chama, ela faz isso quando está com o pai. e chama ele quando está comigo. eu diria que numa escala de chamação, ficaria mais ou menos assim:
    1. papai
    2. benjoca
    3. mamãe
    4. tov
      e não chama mais ninguém.
  • tagarela muito numa língua indecifrável, mas fala poucas palavras, que se resumiriam a: ó, papai, mamãe, dedota, bó, bá (essas duas servem pra qualquer coisa) e bão/bom, que servem para definir qualquer comida. antes animais ela chamava de hmm-hmm, mas agora ela faz um rrrrr com a garganta, que ela usa pra chamar o porco.
  • gosta de esconder atrás do notebook e surgir, pra brincar de cadê-achou.
  • inclina a cabecinha para o lado quando está curiosa ou concentrada em alguma coisa.
  • é cautelosa, não se arrisca por pouco. só faz alguma coisa quando tem segurança do que está fazendo. desconfio que será dessas que, quando começar a andar, já sairá correndo.
  • continua na vibe imitadora. pega qualquer coisa que pareça um telefone e começa a tagarelar um bate papo incompreensível para os reles adultos.
  • super interessada em partes do corpo, identifica olho, nariz, orelha, cabelo, dente e agora acha que boca é língua.
  • apesar de toda sua delicadeza, começou a fazer pequenas artes, como rabiscar portas e paredes, arremessar objetos que perderam o interesse para ela, puxar papel higiênico do rolo, fio dental da caixinha, jogar livros no chão e outras artes. quem está adorando isso é o benjamin, que volta e meia convida: “irmã, vamos fazer bagunça?” e ela aceita, na maior alegria.

tchau!

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categorias: constança, desenvolvimento do bb, mês 12-18

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14 de agosto

a evolução de um bebê prematuro

por hilan diener

vídeo emocionante regista os 80 dias que um bebé prematuro passou no hospital

categorias: vídeos

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12 de agosto

pai e pró-feminismo

por hilan diener

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sou homem, branco, heterossexual e pra mim o mundo estava ótimo do jeito que estava. preconceito, violência e misoginia nunca chegaram perto de mim. apesar de eu ver isso acontecendo aqui e ali, egoisticamente nunca dei muita importância para essas coisas. a vida corria do jeito que deveria correr, casei, comprei um cachorro, tive meu primeiro filho (homem) e várias mudanças aconteceram dentro de mim. costumo dizer que quando uma pessoa vira pai ou mãe ela se torna um pouco a polícia do mundo. você começa a perceber que há muita injustiça, má educação e desonestidade no planetinha que você vive. então você quer reparar as injustiças ou gostaria que o mundo fosse melhor para os seus filhos. você pensa no futuro e em que tipo de pessoas vamos formar, na expectativa de que algo seja diferente.

o tempo passou, a vida correu mais um pouco e nasceu meu segundo filho, dessa vez uma menina e… BUM! mais uma vez tudo mudou. comecei a pensar em como o mundo receberia minha filha e confesso que não foi nada animador. não teve como não perceber a problemática que é nascer mulher neste mundão de deus.

é sutil o jeito que as coisas funcionam. meninos e meninas geralmente são criados com estímulos diferentes: meninos são incentivados a jogar bola, brincar com carros e construir coisas enquanto as meninas são estimuladas a viver numa espécie de concurso de beleza misturado com mini donas de casa. por várias vezes vi que as pessoas e eu também elogiávamos a inteligência e a capacidade motora do benjamin e em contrapartida metralhavam a pequena constança de elogios como “sua linda”, “que lindeza”, “bonita”, “bonitinha” e por aí vai… e ainda nos questionamos por que existem tão poucas mulheres engenheiras, cientistas, astronautas ou pilotos de fórmula um, sem perceber que nossa cultura é especialista em limitar as narrativas de nossas garotas deixando-as restringidas a um número pequeno de escolhas para sua vida no futuro.

acha que estou exagerando? você sabia que segundo a organização internacional do trabalho a diferença entre a remuneração das mulheres e dos homens no Brasil é de quase 30%? ou seja, para o mesmo cargo o homem ainda ganha 30% a mais do que a mulher — e a mulher ganha menos pelo simples fato de ser o que é.

por muito tempo acreditei que “o feminismo foi um tiro no pé para as mulheres”. pensava eu que no fim das contas, infelizmente, elas continuaram tendo a “obrigação” de cuidar da casa e tomaram pra si mais uma: de serem bem-sucedidas numa carreira profissional. porém, olhando mais a fundo, entendi que o pessoal da fogueira dos sutiãs lutou e luta até hoje pela liberdade de escolha. se a mulher quer focar na carreira e não se casar e nem ter filhos, ok. ela pode e tem todo direito. se ela não quer mais trabalhar para cuidar dos filhos e do marido, ok também. ela pode! se ela não quer nada disso e viver a deus dará, ok. se ela quer sair com uma roupa assim ou assado ninguém tem nada com isso. é direito dela. parece simples, né? então por que cargas d’água é tão difícil entender isso? o feminismo não é o machismo de saia. o machismo mata, exclui, agride e violenta mulheres todos os dias e o feminismo (mesmo os mais radicais) não.

mas e agora? como mudar isso tudo? parece quase impossível, afinal a nossa cultura nos leva a acreditar que essas situações são naturais e vão continuar assim pra sempre. eu mesmo disse algumas vezes que quando a constança fizesse 12 anos iríamos morar numa ilha deserta, repetindo um discurso machista que nem sei bem onde ouvi. é preciso fazer um esforço contra cultural para quebrar de vez com estes modelos equivocados, informar-se, estar aberto a mudanças no pensamento e no agir. se eu quero uma sociedade mais justa e menos machista, isso precisa começar por mim, na forma como eu vejo minha esposa e minha filha. posso estar engatinhando ainda nesta missão. mas já posso dizer que, sim, sou pai, homem, branco, hetero e pró-feminismo, com muito orgulho!

<bônus> por favor, vejam este vídeo:  

categorias: erros comuns, para papais

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11 de agosto

existe sexo depois dos filhos?

por luíza diener

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depois que meu primeiro filho, benjamin, nasceu, muitas leitoras me procuraram para perguntar como ficava o sexo depois do parto. na verdade aquilo tudo já estava esquisito para mim desde a gravidez. alguma coisa mudou e não foi apenas o meu corpo ou os meus hormônios, mas a minha percepção sobre mim. quando ele nasceu, um turbilhão de emoções, pensamentos, hormônios e mais percepções me tomaram de uma forma que eu não conseguia nem dar nome aos bois. mas a verdade é que: ficou estranho. bem estranho. era como se eu não me reconhecesse mais. era como se eu estivesse fazendo algo proibido. pior: era como se eu estivesse traindo o meu bebê. meu corpo tinha mudado e sido moldado para gerar ele. meus seios eram seu único alimento. Como dividir aquilo com outra pessoa?
coincidência ou não, nos meses que sucederam o parto, toda vez que meu marido me procurava, o bebê chorava (e eu suspirava aliviada). Demorou um bocado para esse estranhamento passar. era como se eu precisasse me recompor pra conseguir voltar a fazer sexo como antes. eu tentava lembrar como era nos primeiros anos de casamento, tentava lembrar da época em que éramos apenas namorados, dois lindos jovenzinhos magrelos, curiosos e sempre fogosos. será que aquela era a mesma luíza? onde ela foi parar?

aos poucos fomos nos reencontrando, não no mesmo lugar onde paramos, mas num caminho diferente, mais tranquilo, porém muito mais gostoso, tão gostoso que.. puf! engravidei outra vez. constança foi tão planejada quanto o irmão mas, como ela teve ele por desbravador, muitos caminhos se tornaram mais fáceis tanto pra miúda quanto para nós. então era de se esperar que tanto o sexo durante a gravidez quanto após o período de resguardo fosse menos “amarrado” e mais desinibido. acontece que eu não contava com outro fator: o cansaço. cuidar de um recém nascido é cansativo, mas você dorme nas horas vagas. cuidar de um recém nascido quando se tem outro(s) filho(s) é pedir pra viver e agir constantemente como um zumbi!

se antes eu olhava para a minha cama toda arrumadinha à noite e pensava: “hummmm! ninho do amor!” (ahahahah! essa expressão soa meio ridícula quando dita assim, publicamente, mas é uma piada que já fez muito parte do nosso vocabulário cotidiano), hoje em dia eu olho pra ela e penso: “oba! não acredito que finalmente vou descansar”, por mais que eu não saiba há mais de um ano o que é dormir quatro horas seguidas.

“mas Luíza, se você não transar todos os dias com o seu marido ele vai te botar um belo par de chifres na testa!”

me perdoa se eu ofendo alguma leitora aqui, mas esse é um dos conceitos mais ridículos que eu já ouvi não apenas uma, mas inúmeras vezes de homens e mulheres. não sempre ligados diretamente a mim, mas como se um casamento sempre dependesse unicamente do sexo para ter sucesso.

vamos lá, não estou dizendo que filhos vieram para arruinar a vida sexual de um casal, desestruturar o relacionamento de seus pais e fazer todo mundo infeliz. credo! longe de mim! mas é assim que muita gente que ainda não teve o privilégio de ser pai ou mãe encara a chegada de um filho.

muito menos afirmo que dá pra manter o casamento de um jeito lindo se antes vocês faziam sexo com uma boa frequência e de repente passaram a se encontrar uma vez na vida e outra na morte.
li um dia desses na internet que uma mulher se lançou o desafio de fazer sexo todos os dias com o marido dela, durante um mês, da mesma maneira que uma pessoa ingressa para a academia e precisa se manter constante ou faz uma dieta e precisa mantê-la para ver resultados. ela disse que aquilo aproximou o casal e enquanto eu lia o texto tudo pareceu um emaranhado de blá blá blás onde eu finalmente pude constatar o óbvio: esse casal não tinha filhos.

conversei com outras mães de filhos pequenos e todas riram da ingenuidade daquele casal. “nem se eu tivesse vontade” – seria a frase que eu usaria para resumir todos os comentários que surgiram quase que instantaneamente após o compartilhamento da notícia.

meu ponto é: a vida sexual muda depois da chegada dos filhos. ouço algumas mulheres dizerem que o bebê aproximou o casal, fez ela se reapaixonar pelo marido e ver um lado sensível dele, antes desconhecido. ouço outras dizerem que a frequência diminuiu, mas a qualidade aumentou consideravelmente e, infelizmente, ouço algumas dizerem que o relacionamento esfriou completamente.

o que determina como essa mudança acontecerá eu não tenho conhecimento suficiente para dizer, mas posso dizer que duas coisas influenciam: o relacionamento que a mulher tinha com seu parceiro antes de engravidar e a nova relação que é construída com esse pequeno serzinho que acabou de chegar e que depende totalmente de sua mãe. se o homem é uma pessoa segura e confiante em si e em sua parceira, se eles mantém um diálogo franco e aberto, metade do caminho está andado. mas acontece que involuntariamente e instintivamente a mulher submerge naquele momento de puerpério e todas as suas atenções e energias estão voltadas para o bebê. a missão é simplesmente uma: mantê-lo vivo. nada mais importa. acontece que o mundo lá fora não para um instante e cobra que a mulher volte a trabalhar, retome rapidamente a forma física de antes, socialize… enfim! as mulheres são cobradas a agir como se nada tivesse acontecido, como se só tivessem ido ali tomar um café e voltassem logo. no meio desse turbilhão de coisas ainda tem uma pessoa: o marido, o companheiro, o pai da criança. nesse momento muitos homens sentem ciúmes, ainda que de forma inconsciente.

o homem pode adotar basicamente duas posturas: deixar-se abraçar pelo ciúme - o que provavelmente desencadeará num processo de rejeição e solidão – ou deixar-se abraçar pela paternidade, apoiar sua parceira e dar o suporte necessário para propiciar um ambiente saudável para que aquela pequena criança se desenvolva física e emocionalmente bem.

se o casal permanecer lado a lado, andando com o mesmo foco (e não em direções opostas, como às vezes é a tendência a se acontecer), conseguirão atravessar juntos esse momento e, no tempo certo, desfrutar da delícia de um sexo mais maduro, livre de medos e amarras e cheio de cumplicidade.

agora, se não estiver nos planos, cuidado pra não engravidar de novo que é assim que acontece um terceirinho, ein?

categorias: casamento, filosofia de boteco, mães extraterrestres, para mães, para papais, psicologia autodidata introspectiva, sexualidade

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04 de agosto

pai, filho e filha #invasaopaterna

por hilan diener

 

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