20 de agosto

com amor

por luíza diener

se existe uma coisa que eu adoro é conversar. falar, ouvir, conhecer outros pontos de vista, outros modos de pensar e encarar as coisas. acho fantástico ver como existem pessoas que pensam tão diferente de nós e como aquela forma de viver a vida parece ser justamente a ideal para ela.
com a maternidade não seria de outra maneira. aliás, esse é atualmente meu tema predileto.
gosto de ouvir outras experiências. gosto de aprender com elas.

no começo da minha jornada como mãe eu tive dificuldade em aceitar as diferenças, em respeitar a mãe que fazia as coisas de um jeito contrário ao meu, como se eu fosse a única que soubesse como criar um bebê.
mas logo descobri que se aquele jeito funcionava para o meu filho não necessariamente daria certo para outro (coisa que pude constatar anos depois, na prática, com a chegada da sansa). percebi que não existe um único jeito de cuidar dos filhos e, mais importante, não tem jeito certo ou errado de se amar.

sou dessas que acredita que todas as mães amam seus filhos. por mais que às vezes pisem na bola, por mais que cometam alguns deslizes (quem nunca?), a gente erra tentando acertar.
é por isso que eu acredito na causa amo o jeito como você ama, um movimento de comfort para mostrar a todas as mães que mais importante que fazer tudo certinho é fazer com amor. que não existe jeito certo ou errado de ser mãe, desde que seja sempre com amor.
não somente para nós, que somos mães, mas para as nossas mães também.
em vez de esperar as datas comemorativas para lembrar das coisas gostosas que sua mãe fazia, que tal reconhecer seu amor por ela nas grandes e pequenas coisas?
se tentamos ser a melhor mãe que podemos, por que com ela seria diferente?

nos próximos meses, estaremos junto com comfort promovendo essa ideia: aqui no blog e nas redes sociais – nossa e deles.
você pode acessar a página e fazer parte desse manifesto de amor acessando:
www.amocomovoceama.com.br

são nos gestos do dia a dia que as mães mostram o carinho por seus filhos. então por que não fazer o mesmo e diariamente reconhecer na frente de todos o que sentimos por elas?
por que não marcá-la numa publicação no facebook ou numa foto do instagram mostrando que estamos atentos aos seus atos de amor, mesmo que nem sempre elas usem palavras para isso?
vamos unificar esse manifesto e transformá-lo em público por meio da hashtag #amocomovocêama.

se quiser fazer um cartão com a declaração para a sua mãe (avó, pai ou mesmo para seus filhos), você pode entrar no site, criar seu cartão virtual e compartilhar. é só entrar em www.amocomovoceama.com.br/create:

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as declarações também ficarão publicadas na galeria da página, e comfort transformará histórias de amor em doses do amaciante que serão doadas para instituições sociais apoiadas pela Fundação Abrinq. saiba mais no regulamento.
inspire-se no filme e conte para sua mãe e para todos que você ama o jeito como ela te ama:

 

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19 de agosto

14 meses de constança

por luíza diener

sansa 14 meses

já tem uma semana, mas não poderia passar em branco. sansa agora está com 1 ano e 2 meses e eis as peripécias do mês anterior:

  • aprendeu a ficar em pé sem apoio, ainda com algum esforço. ela vai, se apoia em algum lugar solta as mãozinhas e fica em pé apenas por poucos segundos, mas que já são suficientes para deixá-la orgulhosa de si mesma. ao ficar em pé, ela olha pra gente e diz “ó!“, com uma voz de pato. claro que a gente também morre de orgulho!
  • apesar de ainda aparentar estar longe de andar, sobe e desce escadas sem medo. então, como não temos escada dentro do apartamento, levo ela na de emergência aqui do prédio mesmo. ela volta imunda, mas é um passatempo que ela e irmão amam. vai entender.
  • tem quase um mês que só dorme se for grudada em mim, literalmente. tem quase um mês que tenho dormido praticamente a noite inteira sentada, com ela ora mamando, ora deitada no meu colo. pedindo muita paciência a deus. e coluna de ferro, porque minhas costas estão me matando.
  • tira um cochilo durante o dia, geralmente de uma hora. às vezes bem mais, mas geralmente bem menos. nas últimas semanas ela curtiu isso de dormir grudada no peito então, quando sua soneca calha com a do irmão (a do joca dura pelo menos 3 horas), eu taco ela no peito e fico assistindo série.
  • falando em série, hilan e eu cismamos que ela parece com a bebê lily, das duas primeiras temporadas do modern family. pode ser que só de longe tenha alguma coisa a ver fisicamente, mas o jeitinho é todinho o dela, quando fica séria. a gente assiste o episódio todo esperando ela aparecer e depois fica babando.
  • se ela sempre teve as tais mãos magia, agora tem usado-as com uma delicadeza impressionante:
    • segura o lápis igual gente grande e tenta desenhar como o irmão.
    • encaixa pequenos pinos em orifícios pequenos, como o carregador de bateria ao notebook ou o fone de ouvido no seu devido buraquinho.
    • separa a massinha (do irmão) em partes pequenininhas, quase fazendo bolinhas.
    • monta e desmonta lego. um dia encaixou vários legos duplos em uma base, mais uma vez nos mostrando: “ó!”
  • seria já tema pro post do mês que vem, mas nos últimos dias ela começou a fazer uma pose ótima onde ela ajoelha sobre uma perna e coloca o outro pé no chão, apoiando as mãozinhas nas coxas (vide foto ao final do post).
  • também seria tópico pro post do mês que vem, mas hoje formou sua primeira frase. ela acordou, mamou, ficou um pouco de dengo no meu colo e soltou: “dedota! tadê u dedota?” que, em português, significa “benjoca! cadê o benjoca?” e desceu da cama para procurá-lo.
  • como ela volta e meia tem feito isso de terminar de mamar e descer da cama para brincar, às vezes eu aproveito para ganhar uns minutinhos de sono.
  • de repente, do nada, ela chama bem alto: “PAPAI!”. raramente chama a mamãe, muito mais o papai. o dia inteiro chama baixinho e umas duas vezes por dia ela grita em claro e bom tom. às vezes até assusta a gente. pra não dizer que nunca me chama, ela faz isso quando está com o pai. e chama ele quando está comigo. eu diria que numa escala de chamação, ficaria mais ou menos assim:
    1. papai
    2. benjoca
    3. mamãe
    4. tov
      e não chama mais ninguém.
  • tagarela muito numa língua indecifrável, mas fala poucas palavras, que se resumiriam a: ó, papai, mamãe, dedota, bó, bá (essas duas servem pra qualquer coisa) e bão/bom, que servem para definir qualquer comida. antes animais ela chamava de hmm-hmm, mas agora ela faz um rrrrr com a garganta, que ela usa pra chamar o porco.
  • gosta de esconder atrás do notebook e surgir, pra brincar de cadê-achou.
  • inclina a cabecinha para o lado quando está curiosa ou concentrada em alguma coisa.
  • é cautelosa, não se arrisca por pouco. só faz alguma coisa quando tem segurança do que está fazendo. desconfio que será dessas que, quando começar a andar, já sairá correndo.
  • continua na vibe imitadora. pega qualquer coisa que pareça um telefone e começa a tagarelar um bate papo incompreensível para os reles adultos.
  • super interessada em partes do corpo, identifica olho, nariz, orelha, cabelo, dente e agora acha que boca é língua.
  • apesar de toda sua delicadeza, começou a fazer pequenas artes, como rabiscar portas e paredes, arremessar objetos que perderam o interesse para ela, puxar papel higiênico do rolo, fio dental da caixinha, jogar livros no chão e outras artes. quem está adorando isso é o benjamin, que volta e meia convida: “irmã, vamos fazer bagunça?” e ela aceita, na maior alegria.

tchau!

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categorias: constança, desenvolvimento do bb, mês 12-18

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14 de agosto

a evolução de um bebê prematuro

por hilan diener

vídeo emocionante regista os 80 dias que um bebé prematuro passou no hospital

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12 de agosto

pai e pró-feminismo

por hilan diener

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sou homem, branco, heterossexual e pra mim o mundo estava ótimo do jeito que estava. preconceito, violência e misoginia nunca chegaram perto de mim. apesar de eu ver isso acontecendo aqui e ali, egoisticamente nunca dei muita importância para essas coisas. a vida corria do jeito que deveria correr, casei, comprei um cachorro, tive meu primeiro filho (homem) e várias mudanças aconteceram dentro de mim. costumo dizer que quando uma pessoa vira pai ou mãe ela se torna um pouco a polícia do mundo. você começa a perceber que há muita injustiça, má educação e desonestidade no planetinha que você vive. então você quer reparar as injustiças ou gostaria que o mundo fosse melhor para os seus filhos. você pensa no futuro e em que tipo de pessoas vamos formar, na expectativa de que algo seja diferente.

o tempo passou, a vida correu mais um pouco e nasceu meu segundo filho, dessa vez uma menina e… BUM! mais uma vez tudo mudou. comecei a pensar em como o mundo receberia minha filha e confesso que não foi nada animador. não teve como não perceber a problemática que é nascer mulher neste mundão de deus.

é sutil o jeito que as coisas funcionam. meninos e meninas geralmente são criados com estímulos diferentes: meninos são incentivados a jogar bola, brincar com carros e construir coisas enquanto as meninas são estimuladas a viver numa espécie de concurso de beleza misturado com mini donas de casa. por várias vezes vi que as pessoas e eu também elogiávamos a inteligência e a capacidade motora do benjamin e em contrapartida metralhavam a pequena constança de elogios como “sua linda”, “que lindeza”, “bonita”, “bonitinha” e por aí vai… e ainda nos questionamos por que existem tão poucas mulheres engenheiras, cientistas, astronautas ou pilotos de fórmula um, sem perceber que nossa cultura é especialista em limitar as narrativas de nossas garotas deixando-as restringidas a um número pequeno de escolhas para sua vida no futuro.

acha que estou exagerando? você sabia que segundo a organização internacional do trabalho a diferença entre a remuneração das mulheres e dos homens no Brasil é de quase 30%? ou seja, para o mesmo cargo o homem ainda ganha 30% a mais do que a mulher — e a mulher ganha menos pelo simples fato de ser o que é.

por muito tempo acreditei que “o feminismo foi um tiro no pé para as mulheres”. pensava eu que no fim das contas, infelizmente, elas continuaram tendo a “obrigação” de cuidar da casa e tomaram pra si mais uma: de serem bem-sucedidas numa carreira profissional. porém, olhando mais a fundo, entendi que o pessoal da fogueira dos sutiãs lutou e luta até hoje pela liberdade de escolha. se a mulher quer focar na carreira e não se casar e nem ter filhos, ok. ela pode e tem todo direito. se ela não quer mais trabalhar para cuidar dos filhos e do marido, ok também. ela pode! se ela não quer nada disso e viver a deus dará, ok. se ela quer sair com uma roupa assim ou assado ninguém tem nada com isso. é direito dela. parece simples, né? então por que cargas d’água é tão difícil entender isso? o feminismo não é o machismo de saia. o machismo mata, exclui, agride e violenta mulheres todos os dias e o feminismo (mesmo os mais radicais) não.

mas e agora? como mudar isso tudo? parece quase impossível, afinal a nossa cultura nos leva a acreditar que essas situações são naturais e vão continuar assim pra sempre. eu mesmo disse algumas vezes que quando a constança fizesse 12 anos iríamos morar numa ilha deserta, repetindo um discurso machista que nem sei bem onde ouvi. é preciso fazer um esforço contra cultural para quebrar de vez com estes modelos equivocados, informar-se, estar aberto a mudanças no pensamento e no agir. se eu quero uma sociedade mais justa e menos machista, isso precisa começar por mim, na forma como eu vejo minha esposa e minha filha. posso estar engatinhando ainda nesta missão. mas já posso dizer que, sim, sou pai, homem, branco, hetero e pró-feminismo, com muito orgulho!

<bônus> por favor, vejam este vídeo:  

categorias: erros comuns, para papais

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11 de agosto

existe sexo depois dos filhos?

por luíza diener

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depois que meu primeiro filho, benjamin, nasceu, muitas leitoras me procuraram para perguntar como ficava o sexo depois do parto. na verdade aquilo tudo já estava esquisito para mim desde a gravidez. alguma coisa mudou e não foi apenas o meu corpo ou os meus hormônios, mas a minha percepção sobre mim. quando ele nasceu, um turbilhão de emoções, pensamentos, hormônios e mais percepções me tomaram de uma forma que eu não conseguia nem dar nome aos bois. mas a verdade é que: ficou estranho. bem estranho. era como se eu não me reconhecesse mais. era como se eu estivesse fazendo algo proibido. pior: era como se eu estivesse traindo o meu bebê. meu corpo tinha mudado e sido moldado para gerar ele. meus seios eram seu único alimento. Como dividir aquilo com outra pessoa?
coincidência ou não, nos meses que sucederam o parto, toda vez que meu marido me procurava, o bebê chorava (e eu suspirava aliviada). Demorou um bocado para esse estranhamento passar. era como se eu precisasse me recompor pra conseguir voltar a fazer sexo como antes. eu tentava lembrar como era nos primeiros anos de casamento, tentava lembrar da época em que éramos apenas namorados, dois lindos jovenzinhos magrelos, curiosos e sempre fogosos. será que aquela era a mesma luíza? onde ela foi parar?

aos poucos fomos nos reencontrando, não no mesmo lugar onde paramos, mas num caminho diferente, mais tranquilo, porém muito mais gostoso, tão gostoso que.. puf! engravidei outra vez. constança foi tão planejada quanto o irmão mas, como ela teve ele por desbravador, muitos caminhos se tornaram mais fáceis tanto pra miúda quanto para nós. então era de se esperar que tanto o sexo durante a gravidez quanto após o período de resguardo fosse menos “amarrado” e mais desinibido. acontece que eu não contava com outro fator: o cansaço. cuidar de um recém nascido é cansativo, mas você dorme nas horas vagas. cuidar de um recém nascido quando se tem outro(s) filho(s) é pedir pra viver e agir constantemente como um zumbi!

se antes eu olhava para a minha cama toda arrumadinha à noite e pensava: “hummmm! ninho do amor!” (ahahahah! essa expressão soa meio ridícula quando dita assim, publicamente, mas é uma piada que já fez muito parte do nosso vocabulário cotidiano), hoje em dia eu olho pra ela e penso: “oba! não acredito que finalmente vou descansar”, por mais que eu não saiba há mais de um ano o que é dormir quatro horas seguidas.

“mas Luíza, se você não transar todos os dias com o seu marido ele vai te botar um belo par de chifres na testa!”

me perdoa se eu ofendo alguma leitora aqui, mas esse é um dos conceitos mais ridículos que eu já ouvi não apenas uma, mas inúmeras vezes de homens e mulheres. não sempre ligados diretamente a mim, mas como se um casamento sempre dependesse unicamente do sexo para ter sucesso.

vamos lá, não estou dizendo que filhos vieram para arruinar a vida sexual de um casal, desestruturar o relacionamento de seus pais e fazer todo mundo infeliz. credo! longe de mim! mas é assim que muita gente que ainda não teve o privilégio de ser pai ou mãe encara a chegada de um filho.

muito menos afirmo que dá pra manter o casamento de um jeito lindo se antes vocês faziam sexo com uma boa frequência e de repente passaram a se encontrar uma vez na vida e outra na morte.
li um dia desses na internet que uma mulher se lançou o desafio de fazer sexo todos os dias com o marido dela, durante um mês, da mesma maneira que uma pessoa ingressa para a academia e precisa se manter constante ou faz uma dieta e precisa mantê-la para ver resultados. ela disse que aquilo aproximou o casal e enquanto eu lia o texto tudo pareceu um emaranhado de blá blá blás onde eu finalmente pude constatar o óbvio: esse casal não tinha filhos.

conversei com outras mães de filhos pequenos e todas riram da ingenuidade daquele casal. “nem se eu tivesse vontade” – seria a frase que eu usaria para resumir todos os comentários que surgiram quase que instantaneamente após o compartilhamento da notícia.

meu ponto é: a vida sexual muda depois da chegada dos filhos. ouço algumas mulheres dizerem que o bebê aproximou o casal, fez ela se reapaixonar pelo marido e ver um lado sensível dele, antes desconhecido. ouço outras dizerem que a frequência diminuiu, mas a qualidade aumentou consideravelmente e, infelizmente, ouço algumas dizerem que o relacionamento esfriou completamente.

o que determina como essa mudança acontecerá eu não tenho conhecimento suficiente para dizer, mas posso dizer que duas coisas influenciam: o relacionamento que a mulher tinha com seu parceiro antes de engravidar e a nova relação que é construída com esse pequeno serzinho que acabou de chegar e que depende totalmente de sua mãe. se o homem é uma pessoa segura e confiante em si e em sua parceira, se eles mantém um diálogo franco e aberto, metade do caminho está andado. mas acontece que involuntariamente e instintivamente a mulher submerge naquele momento de puerpério e todas as suas atenções e energias estão voltadas para o bebê. a missão é simplesmente uma: mantê-lo vivo. nada mais importa. acontece que o mundo lá fora não para um instante e cobra que a mulher volte a trabalhar, retome rapidamente a forma física de antes, socialize… enfim! as mulheres são cobradas a agir como se nada tivesse acontecido, como se só tivessem ido ali tomar um café e voltassem logo. no meio desse turbilhão de coisas ainda tem uma pessoa: o marido, o companheiro, o pai da criança. nesse momento muitos homens sentem ciúmes, ainda que de forma inconsciente.

o homem pode adotar basicamente duas posturas: deixar-se abraçar pelo ciúme - o que provavelmente desencadeará num processo de rejeição e solidão – ou deixar-se abraçar pela paternidade, apoiar sua parceira e dar o suporte necessário para propiciar um ambiente saudável para que aquela pequena criança se desenvolva física e emocionalmente bem.

se o casal permanecer lado a lado, andando com o mesmo foco (e não em direções opostas, como às vezes é a tendência a se acontecer), conseguirão atravessar juntos esse momento e, no tempo certo, desfrutar da delícia de um sexo mais maduro, livre de medos e amarras e cheio de cumplicidade.

agora, se não estiver nos planos, cuidado pra não engravidar de novo que é assim que acontece um terceirinho, ein?

categorias: casamento, filosofia de boteco, mães extraterrestres, para mães, para papais, psicologia autodidata introspectiva, sexualidade

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04 de agosto

pai, filho e filha #invasaopaterna

por hilan diener

 

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31 de julho

evite rótulos

por hilan diener

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desde que meu primeiro filho nasceu, tento evitar os rótulos, mas confesso que a vontade de rotulá-lo já me ocorreu várias vezes quando algum comportamento não desejado aparece. mas por que não rotular? é simples! esse tipo de comportamento limita as narrativas das crianças e muitas vezes as fazem assumir pra si atitudes e comportamentos passageiros em algo perene. ou seja, acabam acreditando que são aquilo que as rotulamos.  

como tenho formação em publicidade quando a palavra rótulo aparece, na mesma hora eu associo com marcas famosas de produtos do nosso dia a dia. então tive a ideia de fazer uma releitura destes rótulos a fim de levar os pais, educadores e sociedade a repensar a nossa linguagem e narrativas errôneas que repetimos sem nos questionar.

maizenaburroteimosomimadomagricelachoraotontobirrentocapetinhasuamocaquatroolhos

 

categorias: erros comuns, erros comuns, para mães, para papais

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24 de julho

às mães que agora começam

por luíza diener

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você sonhou com esse bebê. planejou, aguardou e quase não se continha de ansiedade quando, ainda na barriga, ele te fazia pensar em seu rostinho, seu cheirinho, suas mãos e pés tão pequenos. você pensou no enxoval, no quarto e mínimos detalhes para a sua chegada.
talvez, porém, essa criança não tenha sido planejada, mas foi igualmente amada e querida por você.

algumas pessoas quiseram te ajudar, afinal, antes de termos nosso primeiro filho, esse mundo é totalmente desconhecido para nós e ajuda é sempre bem vinda, especialmente daqueles que nos amam. não faltam livros, pediatras e conselhos para te auxiliar especialmente nesse primeiro momento que, dizem, é tão difícil.
chega o grande dia: nasce o bebê! você se alegra, se emociona, tira foto e mostra para todo mundo. no hospital te ajudam a dar banho, trocar fralda. você está imersa em felicidade.
aí vocês vão para casa. tudo parece um sonho. aquele quartinho finalmente terá um neném para ocupá-lo e o berço – que talvez antes estivesse cheio de roupas, pacotes de fraldas e outras tralhas – agora está prontinho para receber seu pequeno rei ou rainha.
mas algumas coisas começam a acontecer diferente do esperado. aquela doce criatura que antes só dormia começou a acordar, a resmungar, a chorar. e como chora! você se questiona se está tudo bem com ele, tenta de diversas maneiras acalmá-lo. será fome, frio, calor, fralda suja? será que ele sente dor?
dá o peito“, diz uma mãe mais experiente.  “bota um agasalho“, fala sua avó
“dá chá” “dá água” “dá chupeta” “dá remédio”. nada adianta. “deixa chorar. isso daí é manha”, alguém conclui.

cada um diz uma coisa, mas ninguém está ali na hora do vamos ver para te ajudar.
então chega a noite e, quando você finalmente pensa que vai descansar, a bagaceira começa. 
acorda, troca a fralda, mama, faz cocô, quer mamar de novo, dorme, acorda novamente e o ciclo parece não ter fim.
um, dois, dez dias se passam e a privação de sono começa a te afetar. você bota pomada antiassaduras na escova de dentes achando que é creme dental, confunde desodorante com bom ar, corre pra acudir o bebê que está chorando e de repente se toca que era somente o cachorro do vizinho latindo.
sua relação com seu companheiro já não é mais a mesma desde a gravidez, mas agora parece estar ainda mais afetada: o sono, o resguardo, a irritação e no fundo no fundo parece até que ele está com ciúmes desse bebê.
um furacão passou e tirou tudo do lugar e agora sua vida está completamente revirada. nem você se reconhece mais. vontade de chorar, de dormir três dias seguidos, de sumir do mapa. sentimento de culpa te invade por estar se sentindo tão estranha na época que era pra ser a mais linda da sua vida.
é uma montanha russa de emoções porque, se por um lado você se sente a mulher mais feliz do mundo por ter seu bebezinho tão perfeito ali, por outro parece que você não consegue curtir nada direito.

será que um dia as coisas vão voltar ao normal?
será que um dia eu vou dormir outra vez?
e como vai ser quando eu voltar a trabalhar?

no meio de tudo seu peito racha, o leite parece não dar conta, o bebê não para de chorar, não cresce direito, não ganha peso. o pediatra aconselha entrar com o complemento, mas você não concorda. “é pelo bem dele”, o médico completa.
sua mãe te faz lembrar do maravilhoso jeito que ela criou você e seus irmãos e te enche de conselhos.
sua amiga, mais experiente, te recomenda um livro que promete fazer o bebê dormir a noite inteira e recuperar sua vida antiga.
você lê numa reportagem, num grupo de mães, num blog dicas incríveis que fazem seu bebê virar um anjinho em pouco tempo.
então tenta ouvir as “vozes da sabedoria” e colocar em prática alguns desses conselhos.
é duro, é cansativo, seu bebê parece estar extremamente desconfortável com aquilo tudo: “você tem que insistir! no começo é difícil, mas vai ser recompensador” - essas palavras ecoam na sua mente quase como um mantra enquanto você seu bebê chora sozinho no berço.

seu corpo diz uma coisa, seus amigos e parentes dizem outra, seu bebê clama por outra, completamente diferente.
seu coração também diz outra coisa.

para!
respira profundamente. respira de novo. e de novo. e de novo. respira quantas vezes você achar que precisa, mas respira.
traz à memória seus sonhos durante a gravidez, pensa naquela expectativa. agora lembra do dia que seu bebê nasceu e da emoção que foi vê-lo pela primeira vez. pensa nos momentos bons que vocês têm tido desde então: dos barulhinhos que ele faz enquanto dorme, das suas caretinhas engraçadas, da sua delicadeza, do calor que aquele corpinho emite, dele descansando profundamente nos seus braços.
e respira.
tira seu pensamento da noite passada, tente não imaginar como será a próxima noite, muito menos o amanhã e o depois.

viva o agora.

apaga da sua memória tudo o que você leu ou ouviu. escute apenas o choro do seu bebê, não como uma coisa irritante, mas como uma música doce e suave. escute o que aquele bebê quer te dizer. ouça também seu coração. eles estão em sintonia: você e o bebê são um só. deixe-se envolver, embalar, ninar. pegue-o no colo, cante para ele, converse com ele. não precisa sentir vergonha, não há nada de ridículo nisso. entregue seu corpo, sua razão, sua alma a esse momento. e viva, flua, ame. amor é entrega, é doação, é renúncia.
não se sinta incapaz. tudo que você precisa para cuidar desse bebê está em você: seu cheiro, seu calor, seu leite. é disso que ele precisa. é disso que você precisa.
não deixe sua mente te enganar com as obrigações do dia a dia, não se preocupe em acostumar seu bebê bem ou mal, deixe somente que ele se acostume a você. você foi o primeiro contato dele, em você ele foi gerado e ele anseia por você com todas as suas forças.
relaxe.

assim como a gravidez passou e levou consigo todos os incômodos, essa fase também vai passar. ela é apenas o começo de uma vida completamente nova e incrível. não tente compará-la a nada do que você já viveu, muito menos ao que outros viveram.
mantenha a humildade para escutar os outros, mas nunca – jamais – se esqueça de ouvir primeiramente o que você e seu bebê querem dizer.

e sejam felizes.

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22 de julho

o presente, a correnteza e meus 50 anos

por luíza diener

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domingo fiquei sozinha em casa enquanto hilan ia com os dois à igreja. o objetivo não foi eu ter um tempo para mim, mas arrumar o apartamento que, pra variar, estava um caos completo.
temos contado com uma faxineira uma vez por semana e vou te contar: ajuda, mas não é suficiente. se a gente não se organiza diariamente e guarda tudo – especialmente os brinquedos – a bagunça acaba ganhando vida própria e engolindo a gente (que é o que acontece por aqui praticamente sempre).

acordei cedo, tomei café junto com todo mundo, ajudei a arrumar os meninos para sair e, enquanto isso, repetia mentalmente que assim que eles partissem eu iria trabalhar na casa. mesmo assim, quando eles puseram o pezinho pra fora, senti forças estranhas me convidarem para tarefas contrárias: o facebook me chamava, o candy crush me chamava, minha cama me chamava mas consegui resistir à tentação e rumei determinada à área de serviço.

enquanto eu estendia roupa limpa no varal e enchia a máquina com mais roupa suja, experimentei tantas sensações diferentes que acabaram por me inspirar este post. as roupas sujas em questão eram do benjamin. eu encontrava uma blusa encardida de terra e suspirava. revirava os bolsos das calças e casacos à procura de papéis, moedas e outras porcarias e sorria. ao desdobrar a barra de uma calça e encontrar um punhado de areia ali, sentia meu coração encher de alegria: “eu tenho um menino! meu bebê cresceu!”
quando foi que o tempo passou tão rápido e onde foi que eu estacionei pra de repente acordar e me deparar com esse pequeno rapazinho?

também olhava para cima e via as roupas já limpas da constança, misturando blusas, vestidos, casacos e bodies das mais diferentes cores e estampas. na cesta com roupas limpas, as roupas e camisas do hilan, outra com as minhas coisas: “quanta gente nessa casa!”

terminei na lavanderia, peguei uma caixa de papelão e fui à caça aos brinquedos e pertences infantis. eles estavam espalhados por toda a casa. nenhum cômodo escapou. ia catando, cantando, organizando tudo de forma reflexiva. em todo canto, um pedaço deles. em tudo deles, um pedaço meu.
fazia um bom tempo que eu não conseguia executar qualquer serviço doméstico sem aquela correria, um monte de gritos, eu o tempo inteiro parando alguma coisa para acudir um menino que machucou, a menina com sono querendo mamar ou apenas procurando colo, pedindo ajuda constante ao marido, brigando com o marido pra que ele fizesse a coisa sem que eu solicitasse, largando tudo pelas metades e não conseguindo fazer absolutamente nada direito.
percebi que meu dia a dia parece aquelas provas malucas do passa ou repassa, misturado com olimpíadas do faustão: tudo cronometrado, tudo uma correria, sempre aquela tensão pra conseguir dar conta de todas as coisas em um curto espaço de tempo.

senti um certo prazer naquele silêncio. um certo prazer, não. um enorme prazer.
eu amo meus filhos, meu marido, meu cachorro. mas também amo ficar sozinha. era daquelas que, ainda adolescente, se sentia feliz em ir ao cinema sem companhia, curtia almoçar na faculdade sem aquele monte de colega barulhento conversando sobre professor, trabalho, prova, fugia no horário de lanche do trabalho pra comer um sanduíche embaixo da árvore, acompanhada apenas do som dos passarinhos.
de repente, escutar somente o barulho da máquina de lavar – no lugar de choro e gritaria – e o cheiro do desinfetante – no lugar de cocô na fralda e no penico – fizeram as vezes desses meus momentos de solidão prazerosa.

confesso que nos últimos meses tenho me questionado onde estarei em 10 anos. continuarei eu a ser dona de casa e blogueira ou estarei dentro de um escritório, trabalhando e delegando os cuidados domésticos a outra pessoa enquanto meus filhos revezam entre escola e atividades extra-curriculares? sinceramente, essa última opção estava me atraindo cada vez mais. pensei em voltar para a faculdade, pensei em fazer um curso à distância, pensei nas inúmeras possibilidades de carreira e no tanto que já estou velha pra começar de novo. pensei, pensei, pensei e não consegui pensar em mais nada.
experimentar esse momento de sossego durante a manhã, essa paz e plenitude, essa solitude, me transpuseram pra daqui a 10 anos: eles indo pra escola pela manhã, eu tomando café tranquilamente, lendo um capítulo de um livro e iniciando minhas tarefas domésticas. o almoço pronto, a volta da escola, eles independentes o suficiente para tomarem banho sozinhos, escovarem os dentes e a caçula (ou um caçula terceirinho) ir para a soneca enquanto os mais velhos fazem a tarefa. depois eles podem ir para a natação, aula de música ou – quem sabe – brincar no quintal da nossa casa enquanto eu, que já terminei de arrumar a cozinha, guardo as roupas limpas e vou trabalhar no meu home office. no fim da tarde um lanche, uma sopa ou algo rápido. marido me ajuda a encerrar o dia, certificar-se que eles arrumaram as mochilas para amanhã, tocar a boiada pro banho e depois aproveitaremos nosso tempo a sós.

pensando assim, já avancei mais 10 anos (20 a partir de hoje): meninos na faculdade, marido e eu viajando. quando não, eu posso cuidar da horta e do pomar, fazer meu crochê enquanto hilan pinta quadros ou mesmo dorme três longas horas após o almoço. aposentadoria planejada antes dos 50, por que não?

acho que já decidi mesmo o rumo que quero tomar e é muito engraçado eu amar esses planos porque tenho um pezinho no feminismo e na fogueira dos sutiãs, mas não aquela coisa desenfreada de querer ser igual ao homem, mas de aproveitar a minha liberdade como mulher para fazer minhas escolhas sem me pautar no que a sociedade impõe pra mim. tenho certeza de que seria feliz também se seguisse a minha carreira e admiro demais quem faz essa escolha mas, se antes via meu cargo de dona de casa com algo temporário, cada dia que passa eu me delicio mais fazendo isso.

essas projeções do futuro não são apenas sonhos que me isolam do presente, mas me servem como motivação de saber que esse comecinho de vida de mãe é muito, muito intenso e desafiador, mas com o tempo a gente pega o jeito, se acostuma e deixa aquilo nos envolver. a gente para de nadar contra a correnteza e aprende a usá-la ao nosso favor.

falta bem menos de 1 ano para completar 30 e confesso que estou contando os dias pra entrar nessa idade com completude. quero crescer, amadurecer, envelhecer com dignidade ao lado do meu marido, consciente de que fiz as escolhas corretas para nós e feliz com isso.
seja o que deus quiser.

 

categorias: desperate housewife, psicologia autodidata introspectiva

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18 de julho

amor de irmão (sem edição)

por hilan diener

não sei explicar esse sentimento que dá na gente quando os irmãos ficam assim se amando, carinhando, chamegando… calma, pera, devagar… não! assim machuca!

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